TEUD – Capítulo 1 – O começo


Pov’s Mandy

Mandy Mikaela Lidel sempre ficava receosa ao ir para um lugar novo e fora dos padrões da qual era acostumada.

Tudo era completamente diferente do que imaginava, novos amigos? Ela nem se quer imaginava em ter. Coisas fúteis como ter um armário novo, a reação que iria ter ao ver vários rostos novos ou os trabalhos que passariam, nada disso realmente lhe importava.

Mais do que qualquer coisa ela temia os olhares que sempre recebia. Tudo o que ela queria era sumir e não ser percebida no local, por ela nem mesmo seus professores a veriam, não queria nem ao menos estar ali.

Mas isso não parecia estar no seu destino.

Mandy não conseguia entender o porquê todos a olhavam. Ela não sabia se era sua estatura, a cor prateada de seus cabelos ou mesmo o violeta de seus olhos, para ela não tinha nada de anormal, já havia visto outras pessoas com essas características, não eram exatamente iguais mas tinham semelhanças. Aos 1684 (16) anos, sua aparência não chegava a ser um grande motivo para que se destacasse tanto perante todos.

Porém. Ela sabia que tinha algo diferente, alguma coisa fazia com que as pessoas a olhassem. A julgassem. Porém, ainda não tinha certeza do que era.

*

Pov’s Jessie

“hoje o dia está menos tolerante do que os outros…” Pensava Jessie Yami no Musume, conforme ia em direção ao seu novo colégio.

O vento soprava impiedosamente em seu rosto e a neve que havia sido acumulada em um pinheiro pesado caía diretamente em seu rosto, enquanto caminhava as rajadas gélidas colidiam com força em sua face, o que a quase deixou sem ar. Tropeçando em seus próprios pés pela neve alta ela seguia sempre constante em seu caminho.

Seu dia não havia começado bem e mesmo assim teimava em piorar. Jessie era garota de estatura baixa, tinha aproximadamente um metro e cinquenta e cinco de altura, seus cabelos eram avermelhados e brilhantes como o fogo, enquanto seus olhos eram verdes. Era sempre excluída de todos, não entendia o porquê disso, não se achava tão desigual assim, ela tinha algumas diferenças sim, mas não eram tantas ao ponto de a tratarem daquela maneira. Porém a cada lugar que acabava isolada, excluída e as pessoas sempre mantinham certa distância, por algum motivo que ela mesma não conseguia reconhecer, mas que mesmo assim conseguia afasta-la de tudo e todos, como um monstro em guarda pronto para atacar. Era essa sensação que ela passava e era isso que eles sentiam em relação a ela, mesmo sem que ela fizesse nada, algo de errado acontecia consigo mesma.

Solitária e sem amigos passou sua vida quase toda sozinha e apenas com a solidão como sua fiel companheira.

Ao completar seus 1683 (16) anos, decidiu cumprir com a promessa que fez para si mesma de que ao completar certa idade tentaria mudar sua vida ao menos um pouco e assim como todo adolescente decidirá ir ao colégio, porém não encontrou nada que pudesse ajuda-la a se motivar e para ela nada de bom poderia acontecer nesse dia tão cruel, em que até o vento e a brisa que a tanto foram suas únicas companheiras a impediam com força de se locomover.

Mas mesmo com suas forças quase no fim, prestes a se esgotar, e com um pequeno desejo guardado dentro de si, ela seguiu seu caminho em direção ao seu novo destino.

*

Hoje, este primeiro dia, seria um dos piores dias de sua vida. Era o que ela martelava em sua mente durante todo o tempo.

Depois de um curto espaço de tempo caminhando, Mandy estava parada em frente a sua nova escola, uma grande escola de Endolas. “por que eu?…” a pergunta surgiu em sua mente. Ela vestia uma calça legging, junto com uma blusa e um casaco grosso para se proteger do frio, além de um par de botas altas.

E naturalmente se assustou quando o estridente som do sinal se espalhou por todo o lugar, este que foi muito bem recebido como um presente não tão agradável de boas vindas.

Aquilo tudo era uma enorme confusão, um caos extremo e perfeito, às vezes até parecia uma guerra de adolescentes, todos inquietos e cheios de energia.

Ela estava exausta, a noite anterior não foi uma das melhores e por algum motivo sentia cada vez mais frio, como se suas roupas não a aquecessem mais.

“Por favor… Só quero ir embora logo…Não quero mais ser obrigada a vir aqui”

Ela pensa ao fechar os olhos na esperança de quando abri-los aquilo tudo não passasse de um sonho ruim. Mas a vida para ela não poderia ser tão fácil assim e logo teve que os abrir, pondo-se a andar mais uma vez.

Ela se sentia sozinha, mais do que o costume, pois o local que estava era completamente diferente do que ela costumava ficar. Ela se viu presa, enjaulada, contida em cárcere por enormes portões. Se sentiu como se estivesse ido para a prisão.

*

Jessie continuava seu caminho em meio à média nevasca que enfrentava “p-por que isso costuma acontecer comigo?…” ela olhava para todos os lados mas não conseguia ver nada além do borrão branco que aquela nevasca lhe proporcionava, até que algo lhe chamou a atenção

— … A-Ah não… — Ao escutar um barulho distante de sinos, ela começa a correr com o resto da força que lhe restava, enquanto lutava contra o vento que parecia estar determinado a não permitir que se aproximasse.

Ao chegar à frente do colégio, ela tenta o mais rápido possível tirar a neve de seus cabelos e de suas roupas.

— Vamos lá, vamos lá… Acho que o dia não tem como piorar… —Ela fala baixo para si mesma.

Ao olhar para a enorme escola, com suas barras e janelas bloqueadas por grades, não se sentiu nem um pouco melhor e dentro de si, desejou não ter mencionado aquelas palavras.

Aquilo a apavorava.

Outro sinal soou, agora mais alto que o último, e assim ela correu o máximo que podia para ter ao menos a chance de entrar naquele lugar.

De repente ela foi empurrada por uma garota grande, deixando suas coisas caírem. Com pressa, ela pegou e juntou tudo, acabando por bagunçar um pouco os seus cabelos, esperando algum pedido de desculpas da outra garota. Mas ela já havia sumido, tendo seguido em frente com a multidão. Ela ouviu risos e sussurros, e não demorou muito para notar que eram todos direcionados a ela.

— Tsc, eu sei que está frio, mas ela precisava colocar fogo em seus cabelos? — um aluno comenta com seu amigo no que faz os risos aumentarem.

Ela segurou suas coisas com um pouco mais de força e assim, continuou a andar.

E finalmente chegou à entrada e precisou se espremer para passar por ela.

Guardas estavam a cada sete passos de distância. Os olhando de forma amedrontadora e agressiva. Os alunos não pareciam se importar com aquilo, porém ela não estava minimamente preparada para uma cena daquele tipo.

E com isso, a sensação de pavor elevou-se ainda mais.

*

Os corredores eram grandes, mesmo assim estavam cheios ao ponto de lotação.

Mandy queria parar com todo aquele barulho. Retomar o silêncio que existia lá fora. Na floresta, sendo mais precisa. Sentia sua respiração descompassar, mesmo estando em um local grande, tanto aperto lhe causava claustrofobia.

E após um curto período depois, ela conseguiu chegar à frente de sua sala.

Sua mente simplesmente projetou várias cenas. Seu professor brigando, os olhares direcionados a ela, mais e mais piadas de mau gosto e assim continuaria, daí para pior.

Mandy caminhou até seu novo professor que estava sentado lendo um livro.

— Com licença… Meu nome é Mandy Mikaela Lidel, Eu sou nova… Acho que tenho que falar com o senhor antes…—

O professor olhou em sua direção…

— Estou aqui apenas para olhar a sala e não me envolvo com os assuntos dos alunos, escolha qualquer lugar livre e se sente ou fique em pé ai mesmo… — ele fala ríspido, mal dando atenção a ela, voltando seu olhar para o livro.

Aquilo para ela tinha sido até sarcástico. A sala estava um caos, não era da mais pura verdade de que ele estava os olhando, para ela e provavelmente todos os outros alunos, ele estava ali apenas como um enfeite.

Ela se virou olhando para a sala vendo que ali dentro poderia estar bem pior do que o lado de fora. Um caos concentrado em um único local bem menor.

Mas o que mais a preocupava naquele exato momento era um local para se sentar.

Enquanto andava procurando um lugar vazio, ela escutava os diversos sussurros, que de fato não eram tão baixos assim, piadas de escárnio que tinha a certeza de serem direcionadas a ela, sem mencionar os incontáveis olhares que notava cair sobre si.

Mandy não se vestia como esses jovens e achava que não se parecia com eles. Todos ali usavam roupas de marca, algumas garotas até vestiam roupas de grife e ela apenas com uma roupa simples com poucos detalhes, não tão chamativa quanto à dos demais.

Porém em meio aquele barulho, e sussurros altos, uma voz baixinha e doce vindo de perto dela se destaca.

— Menina… Você pode ficar aqui… —

Ela se virou. Perto de uma das janelas havia uma garota, ela possuía cabelos vermelhos e estava em pé ao lado de uma carteira.

— Sente-se aqui… Por favor… — Ela diz tímida.

Seus cabelos eram longos como os seus, e ela era magra, talvez até um pouco mais do que ela. Havia algo na ruivinha, algo fora do lugar ali, ela parecia frágil.

— Aonde você vai sentar?… — Ela perguntou.

Ela deu um pequeno sorriso, pegando em seguida uma cadeira que estava meio distante a puxando para perto dela

— Aqui mesmo. — Ela fala com um pequeno sorriso tímido enquanto ia se sentar.

— Obrigada… — Ela fala fazendo uma breve reverência, assim se sentando no lugar que lhe haviam cedido.

“Obrigada? É só isso que você consegue pensar em falar?… Caramba foi uma bela ação e eu só digo isso?” seus pensamentos acabam por serem interrompidos pelo grito de um garoto.

— Agora a dupla de circo foi formada!!! A cabelinho de fogo e a garota fantasma!!! — Ele grita fazendo com que a sala toda caísse em gargalhadas.


Autor: Jessie Yami   |   Revisor: Liberty



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