Destino Elementar – Atualizações


E aí criançada, saudades? Sei que estão, podem chorar.

Esse post aqui é só para a galera que é realmente fã ou que gosta da obra. Então, se você é aquele tipo de leitor que não leu capítulo algum, bom… não vai ser do seu interesse, mas tem algumas coisas divertidas para se ler aqui.

Enfim, como de costume, peguem algo para comer e beber, sentem ou deitem aí para ler, porque esse é um dos meus posts, daquele que vocês curtem; grande e grosso.

Notei que mesmo avisando em diversos posts que fiz — tanto como Heilong, quanto como Rose — ainda tem nego que acha que dropei a obra ou que não quero lançar kkkkk. Mano, vocês têm que só pesquisar sobre DE na NM que vão ver meus avisos sobre o motivo da pausa, é tão simples. Mas, de qualquer forma, vou facilitar o trampinho de vocês de procurarem a informação e deixar neste post mesmo.

É bem simples: Eu não consigo editar capítulos nesse sistema da NM, falei no post de novos projetos, do site novo e uma caralhada de posts aleatórios que fiz. É extremamente complicado o atual sistema da NM de postagem de capítulos, ou seja, é só estresse. Porém, no site novo não tem nem 1% desse sofrimento.

Em resumo: A obra só está pausada até o lançamento do site novo — que está na porta para ser estreado… (Vocês não ouviram essa informação de mim.)

— Mas querido autor, queremos mais capítulos! Estamos sedentos de obra boa (humildade né), precisamos de mais!

Seguinte, meu/minha querido(a) leitor(a), não rola. Eu até tenho alguns capítulos editados para postagem, mas estão todos guardados para o padrim e o lançamento do site novo.

Quero que entendam que eu não sou só apenas autor aqui na NM, eu tenho diversos cargos e passei este mês inteiro cuidado dos projetos da NM, organizando as equipes, cuidando de revisões de projetos novos. Mermão, eu não saio de casa mais! EU SÓ SAIO PARA COMPRAR COMIDA, ISSO QUANDO EU NÃO PEÇO PELO iFood!

Gasto por volta de 12 horas por dia no site, e gostaria muito que isso fosse brincadeira, mas não é kkkk. Eu me empenho muito para criar um ambiente melhor para a equipe e os leitores, é um carinho grande que tenho pelo site, então é algo que levo à sério.

Então, para uma transparência como parte da equipe e autor, achei preciso fazer esse post para comentar tudo o que tenho feito e o que estou para fazer. É tipo minha agenda. Porém, não só isso. Eu também vim trazer muita coisinha gostosa para vocês, meus lindões/minhas lindonas. Bora lá.

Antes de mais nada, queria comentar que a quantidade de projetos que tem no site novo chegou ao número de 86. Então façam as contas ai de quantos tem nesse site e vejam quantas novas vieram.

Para minha alegria, muita japonesa gostosa e das pegadas chegou no site. E também houve o acréscimo de três ou quatro coreanas e duas chinesas.

Além disso, como notaram, a Novel Mania está passando por reformatação do padrão de tradução.

— Cumoéquié esse nomezinho izquizito?

É simples. Vocês devem lembrar que as novels outrora eram em aspas e tals? Então, eu quem começou essa mudança fodida na Novel Mania toda para utilizar travessão. Tanto que Destino Elementar vai estar nesse padrão no novo site, mas não se preocupem, não vou adicionar muita coisa na história já escrita, mas recomendo darem uma re-olhada. Afinal, não vou só corrigir erros de português e a formatação, mas quero dar um gostinho a mais na obra, principalmente nas lutas, que ainda sinto que falta mais detalhe e sofrimento.

Bom, como esse padrão de travessão, pensamento com aspas e outras frescuras que implementei é complicadinho para leitores novos e antigos, eu padronizei todos índices do site novo para ninguém se perder quando for ler uma obra com aspas e depois uma de travessão. Todos índices têm suas “dicas de leitura” para facilitar todos leitores. Aqui o de Destino Elementar, por exemplo:

Dito aqui, só falta mais uma coisa para começar a falar da obra em si. Tentem se segurar.

Fora as questões técnicas, eu editei algumas capas de obras traduzidas. Não chego ser um deus da edição, mas acho que consigo fazer algo “mediano”, só para cobrir a falta do editor.

Falando em capas editadas, lembrei algo que vocês não sabem… Bom, tentem manter segredo, mas… Todos os projetos na Novel Mania vão estar com os nomes traduzidos. Isso foi aceito por toda equipe, então é algo realmente bom de ser implementado… Afinal, se estamos traduzindo o produto dentro, por que não fizemos pelo título, né?

No entanto, não temam! Vocês vão saber qual novel é qual só por usar a barra de pesquisa, porque ela encontra todos os títulos existentes da obra. Isso até vocês acostumarem com os nomes novos(traduzidos).

Enfim, já comentei tudo o que foi feito até o momento. É hora de comentar minhas tarefas restantes:

Atualmente, preciso revisar o volume 1 e editar as imagens de “E daí que sou uma Aranha?” (Kumo Desu ga Nani Ka).
Revisar os capítulos de “A Saga da Tanya, a Maligna” (Youjo Senki), que o Fefe traduziu. Vou ser revisor da obra até o último volume.
Terminar a revisão de “Dentro da Caverna da Obscenidade” (Aquela novel +18 putona para caralho) e editar as imagens da obra.
Finalizar a revisão do volume 1 de “A História de Quando Reencarnei em um Slime” (Tensei Shitara Slime Datta Ken), que é realmente muito divertida. É um projeto muito bom, mas só poderei revisar o volume 1, por conta de muitas coisas para fazer.
Preciso editar os capítulos de “Haganai”, porque estão com uma formatação esquisita, mas é fácil de corrigir.
Auxiliar um novato ao novo projeto que virá, revisando 4 capítulos da obra e depois deixar um revisor diferente no projeto com ele.
Acompanhar a tradução de outro tradutor em um novo projeto, mas só 3 capítulos. Só uma dica da novel: Ele é um Mago da Morte kkk.

Depois de fazer essa listinha, vem a parte que gosto:

Reeditar todo “Rei do Campo de Batalha” (The King of the Battlefield), colocando a obra toda no padrão.

Esse aí devo dizer que to bem animado para fazer. Sério, corrigir as merdas que fiz no início e deixar a obra linda é uma coisa maravilhosa. Eu odeio revisar as coisas dos outros, mas as minhas me dá gosto. É algo diferente. Eu fiz dois capítulos já de teste e gente… Que coisa mais gostosa.

Depois de editar KotB (para os íntimos), eu vou editar o primeiro arco de Destino Elementar, para entrar naquele padrão de dicas que coloquei lá em cima.

Com tudo isso dito, vocês sabem minhas tarefas, o que fiz e o que farei. Então podem calcular também o tempo que vou levar para finalizar isso e ter uma média de quando lança o site. Hehehe. Talvez eu seja rápido ou muito lento para isso~.

Sei quão chatinho sou nos posts, mas é uma das qualidades de poder fazer post e conversar com vocês, leitores, mais de perto. Vou sentir falta disso no site novo…

E, ATÉ QUE ENFIM! HORA DE FALAR DA OBRA!

Certo, chega de papo de coordenador da Novel Mania, é hora de falar como autor.

Seguinte, seus porras do meu coração, tenho muita novidade para dizer para vocês:

Finalmente eu tenho um mapa da obra!

Sério, vocês não sabem o saco que foi só ter um glossário e a cabeça para pensar no mapa e a geografia das coisas. Muito chato, e eu sou péssimo com direções. Se vocês conhecem One Piece, devem saber do Zoro. Eu sou que nem ele, talvez pior. Se me colocar numa rua reta, é capaz de me perder ainda. Então, não duvidem das minhas capacidades geográficas! Elas conseguem surpreender!

No entanto, ainda não posso mostrar o mapa da obra, afinal, não finalizei todos mapas.

— Ué? Tem mais de um mapa agora?

Mas é claro que tem! Achou que eu só teria um mapa mundi? PFFFT! Não venha com essas! Eu combinei com o ilustrador de fazer todos mapas dos continentes da obra, com todos reinos, impérios e divisões territoriais! TÁ FICANDO PICA, MOLECADA! Até o momento tenho o mapa mundi e o de Brytia, mas até o fim das minhas tarefas, pretendo ter todos mapas na mão.

— Meu Deus, Rose! O que tem mais para contar?!

Heh. Que bom que perguntou.

Posso não mostrar os mapas, mas que tal esboços das ilustrações foderosas que tenho comentado há meses com vocês? Pois é, molecada. Hoje é dia de ver dois personagens bem importantes na obra. Se você não curte spoiler, recomendo que pule essa parte e não veja as ilustrações. Mas, você, querido espertinho dos spoilers e quer ver uns personagens com 18 anos, então só cai dentro!

Arte 1

Quem diria que um tigre seria tão lindão, huh? Já podemos chamar ele de tigrão.

Arte 2

Mas olhem só, seria um protagonista de novel chinesa?
Só para saberem, aquilo flutuante não saiu de Shaman King, é uma elemental. Agora fiquem com a dúvida.

Aposto que se apaixonaram nas artes. Eu também, mas é porque ainda não viram as finalizadas~.

Tem outras artes que gostaria de mostrar, mas não é hora ainda. Então, fiquem com essas provinhas. E vamos para outros assuntos.

Bom, como vocês já devem saber, a próxima vez que eu postar algum capítulo de Destino Elementar, farei a estreia do padrim, que tem altas opções lá, tanto de ler 10 capítulos à frente, quanto virar um personagem na obra. Sim, em DE isso é possível porque o mundo é vasto e eu farei muitas subtramas na obra que serão bem convenientes para o final. Então, fiquem de olho quando lançar o próximo capítulo no site novo!

Por fim, mas não menos importante, já que esse post está com quase 2 mil palavras só falando desses meses… É hora de vocês lerem mais ainda.

Como vocês sabem, eu tenho costume de escrever outras coisas de vez em quando. Aconteceu com Anjo Esquecido, que poucos leram no blog, com aquela novel da Sophie, a menina que começou a ficar maluca por conta do que tinha dentro dela… Bom, vou trazer umas coisas divertidas para vocês aqui.

A novel da Sophie vai ser a minha segunda obra, assim que finalizar DE, devo focar nela. Por sinal, o título dado é “Ruína Escarlate” e tem ligação com “Destino Elementar”. Depois de Ruína, eu pretendo escolher entre dois gêneros que tem me matutado demais: Apocalipse zumbi com poderes e um VRMMORPG de comédia. São dois estilos completamente diferentes, mas quero muito tentar.

E por que estou trazendo esse assunto para vocês? É bem simples, eu escrevi um pouquinho para ver se ainda lembrava como escrever e queria pedir a opinião de vocês se é boa ou não.

A primeira obra que vou apresentar para vocês é uma novel de cultivo. Eu posso odiar cultivo, mas sempre amei quebras de clichê. Ou seja, o cultivo que pretendo apresentar para vocês neste post é algo bem diferente do que estão acostumados. É algo mais focado no carnal, ganância e horror aos mais fracos. É uma história com foco realmente naqueles que sofrem em um mundo de cultivo e ninguém cita. Ninguém liga, afinal, são fracos.

Bom, eu não dei nome, mas fiz dois capítulos de base para uma futura história curta. Então, se puderem ler, eu agradeço.

Capítulo 1 – As Cinzas de Uma Vida

No comum território mortal, os camponeses descansavam de suas tarefas diárias. Após trabalhar por horas em suas lavouras e cuidar de seus animais, a noite era o tão esperado momento para relaxar seus corpos.

Neste mundo, onde o mais forte tem o direito de comandar, os mortais não passavam de pequenas formigas aos olhos dos cultivadores. Na realidade, os, autoproclamados pelas pessoas normais, imortais, eram como deuses.

Deuses com capacidade de decidir quem viveria e quem morreria.

O medo era o comando do mais forte. O temor era a maneira de controle. Nenhum mortal teria capacidade de opor a tais figuras imponentes. E, nesse território não era diferente.

Os mortais, que trabalhavam na lavoura, campos e com gados, nesse território tinham a proteção de seitas poderosas. O motivo dessa proteção? Nada além de evitar que outras seitas tivessem posse do trabalho dessas pessoas em fornecer a matéria prima para os “imortais”.

Ou seja, os mortais não passavam de escravos, porém, escravos com a recompensa de viver.

Amanhecer se levantou na pequena aldeia Lótus Menor. Localizada no canto noroeste do território mortal, não tendo nada de especial. Na realidade, todo o território mortal não tinha quaisquer características marcantes. Um povo escravizado pelo mais forte, mas felizes em poder viver como animais dos cultivadores.

Normalmente, os mortais, que não nasceram na capital não possuíam sobrenomes, então, apenas portavam o nome que recebiam de seus pais.

Em especial, havia uma família comum, não tendo destaque algum nesse mundo caótico com deuses, imortais, seres capazes de voar e destruir montanhas com seus socos. Porém, para essa família, o seu destino seria mais peculiar que a maioria dos mortais.

O pai, Zhao, levava seus dois filhos — uma garotinha de 12 anos, conhecida como Mei, e o menino, Yang, de 13 anos —, para começar seu dia na sua pequena plantação.

— Yang! Não é dessa forma que se planta. Quantas vezes preciso repetir para você? — disse Zhao, repreendendo seu filho. — Olhe com atenção como se faz.

Yang não tinha qualquer talento no plantio, que era o foco dessa família, o que tornava ele um problema. Se não fizesse o que era esperado de sua função, um futuro trágico estaria esperando por ele. Então, Zhao deveria dar um jeito nisso, já que amava sua família mais que tudo.

— Mas, pai… Já faz anos que plantamos a mesma coisa e eu nunca consigo… — lamentou Yang.

Com as mãos sujas de barro, Zhao tocou o ombro do seu filho e disse em tom sério: — Um homem nunca pode desistir. Não importa o quão difícil seja, quantas vezes caímos, quantas tristezas enfrentemos. Sempre devemos continuar.

Zhao repetiu as palavras de seu avô, que falou para seu pai, e agora estava passando para Yang.

— Papai está certo, Yang, — falou Mei, enquanto continuava a ajudar na plantação. — Homens devem ser fortes!

Uma risada calorosa soou dos três. A voz de Mei era como presenciar a primavera chegar e as flores desabrocharem após o inverno. Relaxava seu corpo e alma.

— Pai, obrigado. Vou continuar a tentar! — afirmou Yang após o discurso do seu pai.

— Vamos terminar isso rápido para irmos para casa, crianças. A mãe disse que prepararia um bom almoço para nós hoje! — Zhao gritou para seus filhos, já que a comida de sua mulher era a melhor da aldeia toda.

Yang continuou a cometer seus erros comuns, no entanto, continuava a tentar. Esse momento era especial para ele, que sorria em ver seu filho dar o melhor de si.

Então, um forte vento soprou repentinamente. Nuvens negras cobriram os céus. Todos em Lótus Menor pararam seus afazeres e viram algo cair rapidamente do céu. E, o local da queda não era outro senão na plantação da família de Zhao.

Assim que colidiu com o solo, uma enorme cratera se formou, poeira e terra voaram para todos lados e o impacto lançou para longe Yang, Mei e Zhao.

Mei acabou caindo sobre sua própria mão, quebrando-a, Zhao, que estava mais próximo da queda, caiu inconsciente e Yang bateu a cabeça em uma pedra, porém, não desmaiou.

Zonzo e com a cabeça sangrando, Yang se levantou e foi em direção da sua irmã, que, mesmo que ele não a ouvisse, chorava de dor. Sem capacidade de imaginar o que havia feito aquilo, a primeira coisa que ele se preocupou foi com a sua família.

Com um zumbido alto em seus ouvidos, avançou em passos tontos até sua irmã. Entretanto, sem força nem para caminhar, assim que agarrou a roupa da sua irmã, para carregá-la, seu corpo pesou e caiu ao lado dela.

Era óbvio que um menino de 13 anos nunca conseguiria carregar sua irmã, mesmo que estivesse em plena saúde, muito menos quando sem qualquer força para se manter em pé.

Yang gritou: — AAAAAAHHHH!

Tudo em uma tentativa de conseguir se levantar, mas conseguiu ter forças. Contudo, seu grito foi alto suficiente para fazer os outros moradores da aldeia chegarem.

Na visão de Yang, o mundo inteiro estava se torcendo, com apenas duas cores vibrantes de verde e laranja. Era um sinal que sua consciência estava só ativa por sua força de vontade e, assim que vacilasse, desmaiaria.

Ele conseguiu ficar de joelhos no chão, mas suas pernas tremiam por causa da pancada em sua cabeça. Tudo o que ele podia fazer era esperar alguém chegar e ajudá-los.

Muitos aldeões chegaram para ver o que havia caído e ajudar Mei e Yang.

Zhao recobrou os sentidos lentamente, vendo seus filhos serem puxados por conhecidos. Sem entender o que estava acontecendo, algo chamou ainda mais sua atenção. Saindo da cortina de pó gerada pela queda, um homem com a aparência de 30 anos surgiu.

Ele trajava uma vestimenta que nunca tinha visto antes. Branca, com alguns desenhos dourados, porém, essa vestimenta estava devastada. No entanto, mesmo estando esfarrapada, era possível ver quão luxuosa era antes.

Os olhos do homem eram indiferentes quando viu as pessoas da aldeia. Apenas estalou a língua e disse: — Ficarei aqui por dois dias. Espero roupas limpas e comida, do contrário, os matarei, — seus olhos varreram por todos naquele lugar, trazendo um frio na espinha de todos. — Se fizerem o que digo, não farei nada de ruim.

Mei ainda continuava a gritar de dor, ter a mão quebrada não era algo que uma garotinha podia suportar. Yang estava prestes a perder a consciência, mas pôde escutar o que o homem dissera.

Zhao se levantou finalmente e foi direto ao encontro de sua filha. O homem misterioso parecia sem paciência e reclamou: — Façam essa pirralha calar a boca. E me tragam uma roupa logo!

Uma onda de energia varreu por todos ali. Acordando todos do medo que sentiam do homem.

De imediato, todos começaram a fazer o que o homem disse. Zhao levou Mei direto para o único curandeiro da aldeia. Já Yang, teve a cabeça enfaixada por um tecido velho, mas não tinha quaisquer problemas além desse.

Enquanto inconsciente, inesperadamente, Yang teve um sonho. Um sonho envolvendo o homem misterioso.

Era uma repetição do que havia acontecido antes de desmaiar. O homem falou para os aldeões que, no sonho de Yang, não passavam de simples porcos sujos. Até seu pai era um. Obrigados a obedecer às ordens de um estranho qualquer, que machucou sua irmã e seu pai.

Assim que acordou, Zhao empurrou o corpo do filho para baixo e disse: — Não se mexa ainda. Descanse.

— O que… aconteceu, pai? — perguntou Yang.

— Faz um dia que você está desmaiado, mas precisa descansar um pouco mais.

— Como… está a Mei?

— Ela desmaiou de dor e ainda dorme. O curandeiro Tang disse que precisará de alguns meses para ela voltar a ajudar na nossa plantação, — respondeu Zhao extremamente triste.

— Pai, quem era?

Essa última pergunta fez Zhao tremer de leve, porém, forçou um sorriso e respondeu seu filho.

— O senhor que caiu na nossa fazenda é um poderoso imortal. Deu a graciosa visita à nossa aldeia.

O sorriso forçado de seu pai o incomodou por dentro. Era como ver que as palavras que tinha dito por tantos anos não serviam de nada. Não era um homem que estava ali, mas um porco, assim como seu sonho mostrava.

Porém, Zhao agia dessa forma não por falta de coragem, mas sim para proteger quem amava. Yang era incapaz de perceber o sofrimento e medo que seu pai sentia nesse momento.

O imortal ameaçou todos na aldeia para obedecê-lo e manter a boca fechada sobre ele ter estado lá, caso contrário, voltaria para massacrar todas pessoas da pior forma. Além disso, abusou de várias garotas, dizendo que estava apenas fazendo o bem para aquele lugar, oferecendo o prazer que nenhum mortal poderia ter.

Muitas das garotas eram casadas, então, os homens que tiveram suas mulheres profanadas só podiam sorrir e dá-las ao imortal com todo o prazer. Entretanto, era óbvio que não era por vontade deles, mas pelo bem da aldeia.

Em apenas 2 dias, o homem abusou da aldeia como bem queria. Então, quando suas forças foram restauradas, finalmente o cultivador deixou a Lótus Menor em paz.

Por sorte, ninguém havia incomodado o imortal, então, não houve mortes, somente o recorrente estupro de garotas.

Yang, mesmo jovem, percebia que algo repulsivo acontecia quando as suas vizinhas ou até mesmo conhecidas mulheres da aldeia entravam na cabana do imortal. Cada mulher que entrou naquele lugar, saia chorando.

Ele não entendia porque ninguém fazia algo sobre isso. Não fazia sentido. O homem machucava as pessoas, que eram importantes para todos na aldeia, mas nada era feito.

Finalmente, com a paz retornada na aldeia, todos aldeões puderam suspirar de alegria e comemorar. Os mortais mais velhos sabiam que desastres poderiam ser feitos na aldeia se alguém irritasse o cultivador. Até mesmo se não irritassem, havia boatos que imortais exterminavam aldeias por diversão, então, era mais um motivo para comemorar.

Contudo, para essa aldeia, para essa família, o futuro não seria bondoso.

Yang, Mei, Zhao e Li, a mulher de Zhao, ficaram mais próximos que nunca. Li foi uma das poucas mulheres que não foram profanadas pelo imortal, então, Zhao sentia que tinha muita sorte.

E assim, se passou uma semana desde que o imortal foi embora, e um grupo de quatro cultivadores chegou na aldeia.

Eles chamaram o líder da aldeia para interrogá-lo sobre um procurado.

Yang viu a chegada deles e foi avisar o seu pai, na mesma hora. Zhao sabia que não era algo bom, então, correu para sua casa e fez a decisão mais dura da sua vida.

Como só os adultos foram informados pelo imortal, ninguém poderia falar que ele passou por lá, do contrário voltaria para matá-los por isso. Porém, mentir para esses cultivadores seria a pior coisa para a aldeia.

Sem ar, com dezenas de pensamentos em sua mente, Zhao disse na sua casa: — Mei, Li! Se escondam rápido na parte de baixo da casa!

Mei ficou sem entender, mas Li entendeu rapidamente e pegou sua filha e levou para o esconderijo que foi feito há muitos anos.

Zhao foi até Yang e abraçou forte ele.

— Filho, você quer ficar com sua mãe? — Zhao perguntou como se fosse as próximas ações precisassem de seu filho.

— Pai, não foi você que disse que também sou o homem dessa casa? Ficarei ao seu lado. — respondeu Yang sem medo e com um brilho inocente em seus olhos.

Zhao segurou o choro e disse em voz alta, parecendo estar falando com seu filho: — Eu amo todos vocês.

Dessa forma, pegou a mão do seu filho e disse em voz baixa: — Yang, os imortais que chegaram hoje, você não pode dizer nada. Absolutamente, nada. Se vierem para nós, deixe apenas comigo. Eu preciso de você para que não desconfiem de nada.

Yang apenas assentiu para o que seu pai falou, mostrando que não falaria nada.

Não muito longe, dois dos quatro cultivadores estavam indo em direção da plantação de Zhao.

Assim que Zhao e Yang saíram de casa, eles viram os dois homens fortes, que exalavam uma forte energia que fez Zhao sentir tonto e Yang quase vomitar.

Os dois homens olhavam para a direção de onde a cratera do imortal. Ela já havia sido ocultada no segundo dia do imortal, para evitar que soubessem que ele estivera lá, porém, os dois homens pareciam desconfiar.

Zhao interpretou que o líder da aldeia tinha contado para eles que o imortal realmente esteve lá, mas não fazia sentido só dois dos quatro estarem lá. Algo estava estranho.

Quando chegou nesse pensamento, ele engoliu em seco. Qualquer coisa que eles perguntassem, poderia causar a morte da aldeia. Se o líder contou que o imortal passou por lá e Zhao negasse, irritaria os cultivadores. E se ele confirmasse que o imortal esteve lá e o líder tinha dito que não, qual seria a reação deles?

Zhao não sabia o que fazer. Ele olhou para Yang, sentindo um peso em seu peito.

Os dois cultivadores se viraram e olharam para a dupla de pai e filho. Um sorriso de escárnio apareceu em seus rostos. Mortais no fim não passavam de brinquedos para os imortais.

De propósito, eles aumentaram suas auras, sufocando os dois, apenas para sua diversão. Lentamente se aproximaram dos dois, cada passo tornava a aura mais pesada sobre os dois, mas não os fez perderem a consciência, pior que isso, foram forçados a manter a consciência pelos imortais.

— Se vocês contarem se um cultivador de roupa branca passou por aqui, vamos poupá-los. — explicou um cultivador careca, sem um olho, musculoso e com quase 1,90 m de altura.

— Dependendo do que falarem, podem acabar se arrependendo mais do que imaginam, — complementou o cultivador com cicatriz no queixo e de cabelo escuro comprido.

Zhao sabia que tinha que agir. Ver seu filho sofrer era demais para ele. Então, decidiu escolher o raciocínio mais lógico. Como os dois estavam aqui, sabendo a localização da queda do imortal, Zhao julgou que o líder havia contado a verdade a eles.

— Ele… passou…! — respondeu Zhao com grande dificuldade.

Os dois cultivadores abriram grandes sorrisos e a pressão da aura sumiu de uma vez.

— Hahahaha! Esses animais imbecis, para hospedar aquele desgraçado! — riu em êxtase o careca.

O outro cultivador se agachou e agarrou o pescoço de Zhao e, com grande prazer disse: — Não precisávamos da sua resposta, mortal. Para um animalzinho, você respondeu muito rápido.

— O… que…? — Zhao estava sem entender.

— Ei, Zhuang, acha que devo explicar para ele? — perguntou o de cicatriz para o careca.

— Não tem porquê. Mortos não precisam saber nada.

Zhao e Yang não sabiam, mas, o imortal que eles chamavam de desgraçado, havia roubado dois artefatos da seita deles e, para fugir, começou a marcar com a sua energia diversas aldeias de mortais. Isso atrasou a perseguição.

Porém, eles sabiam que o fugitivo estava muito machucado e precisaria descansar uma hora. Então, a seita separou alguns grupos para investigar algumas aldeias marcadas.

A única aldeia que o imortal realmente parou para descansar foi Lótus Menor. E, agora, por ter acolhido o fugitivo de uma seita, a aldeia pagaria.

Cruéis, impiedosos e mortais. Cultivadores eram isso aos olhos dos mortais. Qualquer dia o território mortal poderia ser varrido por um cultivador extremamente poderoso. O medo assolava todos que viviam sem capacidade de cultivar.

O jovem Yang, ainda em plena inocência, não-maculado, nasceu em um mundo sujo e perverso. A inocência dele, hoje, seria retirada da pior maneira.

O cultivador careca, Zhuang, agarrou uma esfera amarela e atirou em direção da casa do chefe da aldeia. Era o sinal que essa era aldeia que o fugitivo descansou.

A esfera se elevou aos céus e um brilho vertical surgiu, limpando todas nuvens do céu.

E, logo, um incêndio enorme se ergueu da aldeia. Os cultivadores começariam um massacre ali.

— Ei, Feng, que tal se divertir um pouco antes de termos que voltar a perseguir aquele filho de uma puta? — perguntou Zhuang.

— O que tem em mente dessa vez? — um sorriso macabro apareceu no rosto de Feng.

Zhuang agarrou e ergueu Zhao pelo pescoço e disse: — Vamos castigar esses dois por tentar esconder as coisas. Principalmente, achando que poderiam enganar nossos sentidos.

Em resposta, Feng agarrou os cabelos de Yang. Eles arrastaram os dois de volta para casa.

— Hoje, vocês vão arrepender por mentir, — Zhuang sacou um enorme sabre. — Mortais deveriam saber quem obedecer.

— Espere um pouco, Zhuang. Veja quantas camas têm nessa casa. Não acha que está faltando algo aqui?

O cultivador careca começou a rir. Feng era muito esperto e, acima de tudo, um sádico nojento.

Assim que notaram que deveria ter mais gente em casa, eles estenderam suas auras pela casa inteira. Além de Zhao e Yang, que voltaram a sufocar e contorcer, os dois cultivadores ouviram o gemido de dor vindo debaixo da casa.

— Então, esses animaizinhos estão mentindo cada vez mais, hein.

— Primeiro escondem o desgraçado e, agora, escondem as joias de seus verdadeiros mestres?

Com um soco de Feng, o chão da casa mostrou um enorme buraco. Lá estavam Li e Mei contorcendo no chão.

— Hoje vai ser um ótimo dia de domesticar os mortais. — Falou Feng limpando a saliva de sua boca.

Era isso. Os mortais não passavam disso para os cultivadores. Os poderosos não passavam de repulsivos seres humanos com capacidade de comandar os outros.

Uma realidade onde ninguém poderia sobreviver se não tivesse força.

Yang começou a chorar, tentando falar. Zhuang achou cômico esse ato. Um animalzinho simpatizando com os de sua espécie era, de fato, fofo para ele. Então para brincar com Yang, ele disse: — Hoje, você vai ver como é ser um homem de verdade.

Com essas palavras, Yang viu as piores coisas em frente aos seus olhos.

Seu pai teve os membros cortados por Zhuang, mas continuava vivo, forçado a ver Li e Mei sendo estuprada por aqueles dois.

Eles riam, como se o que estivesse fazendo era a melhor coisa do mundo.

Yang viu sua irmã, ainda com a mão enfaixada, sendo abusada e agredida até a morte por aqueles dois. Sua mãe, que viu sua filha morrer, gritou e chorou enquanto era agredida ainda mais brutalmente.

Ela teve os olhos arrancados como meio de parar de chorar por aquilo.

Este, para Yang, era o inferno na terra.

Ele, que era apenas um garoto mortal comum, nascido para plantar e continuar assim até a morte, agora, teve seu mundo, inocência, ingenuidade e vida arrancada por aqueles monstros que eram conhecidos como imortais, deuses para os mortais.

No fim, depois que viu sua mãe e irmã sendo mortas daquela forma, Yang viu seu pai morder a própria língua para se matar. O rosto dele era mais parecido como o de um demônio. Não havia um resquício que aquele fora seu pai um dia.

 

Yang ainda era um bom menino, que sentia ódio por tudo que aconteceu, mas ainda tinha a alma pura de um garoto de 13 anos. Então, mesmo depois de tudo que aquilo foi mostrado, ele ainda perguntou, como suas últimas palavras: — Por… quê? Por que… fizeram tudo… isso?

Os dois cultivadores, como qualquer outro cultivador, responderam em conjunto: — Porque podemos.

Em seguida, atiraram fogo por toda casa, desabando em cima de Yang. E, dessa forma, mataram o pequeno mortal Yang. Morto por dentro pelas coisas que viu, e morto por fora, pelas chamas ardentes.

Tudo que restou, da aldeia, da família e de Yang, foram as cinzas das suas vidas.

Capítulo 2 – As Cinzas Ainda Ardem

Em um espaço, que não podia ser chamado desta maneira, mas que todos seres viventes passariam uma vez na vida e onde o tempo não prossegue, um jovem de cabelos negros estava sentado, olhando o interminável horizonte.

Um horizonte negro, sem ideia que terminaria caso continuasse a andar por ele. Um lugar vazio, onde podia se sentar, e areia negra estava no solo. Uma areia escura, mas ainda quente.

O rapaz tinha os olhos vazios, era como se tivesse perdido seu espírito.

Após sua morte, acompanhada de diversos traumas, seria impossível alguém ter um resquício de força de vontade.

Ele apenas encarava o horizonte vazio. Sem se preocupar em seguir seu caminho.

Não havia ninguém além dele naquele lugar. O tempo e lugar eram todos dele. Porém, jamais sentiria que isso valeria de algo.

O jovem levantou as suas mãos, carregadas daquela areia negra que era tudo nesse lugar. Ele olhou para suas mãos, vendo a areia escorrer entre seus dedos. Lágrimas começaram a cair de seus olhos.

Tudo se foi… — pensou ele.

Para ele, naquele lugar vazio, mas ainda vivo, era como um castigo.

Nesse lugar, onde apenas os mortos podiam ver seus caminhos, o jovem não via nada. Esquecido por si mesmo. Uma jovem alma marcada. Maculada pela vida.

A passagem de tempo nesse espaço não acontecia, porém, aquele jovem continuou sentado, mesmo sentindo que semanas, meses e anos tinham passado. Continuou sentado. Incapaz de entender, saber e pensar.

Por mais que quisesse esquecer, este não era seu corpo físico, as cicatrizes da alma eram eternas. E, aqui, sem o tempo, elas continuariam a se abrir, assim fazendo-o lembrar daqueles momentos como se fosse o dia anterior.

Porém, a pior parte para esse garoto não foi a tortura de conviver com as feridas de sua própria alma, mas seus pensamentos sobre aquele dia.

Por que… eu não sinto ódio daquelas pessoas? Mesmo depois de tudo que fizeram… Por quê?

Exato. Ele estava chorando por tanto tempo por, mesmo que tivessem feito tudo com a sua família, ainda não odiava as pessoas. Talvez fosse culpa da idade prematura, talvez fosse culpa da forma que foi criado ou talvez ele não fosse capaz de odiar as pessoas. Tudo isso passou na sua mente.

Naquele dia, eles mataram o espírito e corpo dele, mas a bondade ainda permanecia. Ele não se tornaria um espírito vingativo mesmo se desejasse isso. Era de sua natureza ser bondoso e, da natureza humana, procurar os sentidos nas ações das pessoas.

Incapaz de sentir ódio pelas pessoas que o mataram, que torturaram e mataram sua família, ele, finalmente, entendeu a primeira coisa.

Depois de um tempo incontável sentindo remorso naquele espaço, o garoto compreendeu que não adiantava continuar a pensar nisso. Afinal, ele já estava morto.

Era dito que quando morria, apenas a paz restava. Era isso que ele esperava que seu pai, irmã e mãe estavam recebendo por sofrer tanto — paz. Era o que eles mereciam. Entretanto, outra indagação surgiu com esse pensamento.

Mas… por que só eu estou aqui? Eles estariam, agora, passando pelo mesmo que eu? Se for verdade… Nossas mortes não valem de nada!? — com esse pensamento, a dúvida, medo e tristeza retornaram, exatamente como no dia que chegou nesse espaço.

Nesse momento, como o sussurrar de seu pai, uma frase nostálgica soou em seus ouvidos.

Um homem nunca pode desistir. Não importa o quão difícil seja, quantas vezes caímos, quantas tristezas enfrentemos. Sempre devemos continuar.

Pela primeira vez, o garoto sentiu a vontade de levantar daquele lugar que estivera por tanto tempo. E se os parentes estivessem nesse lugar que nem ele? Perdidos, precisando dele e sofrendo. Só de pensar nisso, uma necessidade de procurá-los surgiu.

Assim como a frase do seu pai dizia: “Não importa o quão difícil seja, quantas vezes caímos, quantas tristezas enfrentemos. Sempre devemos continuar.”. Ele havia caído mais uma vez, porém, deveria levantar e continuar.

E, finalmente, quando usou suas mãos para levantar, mesmo que instavelmente, a penumbra do lugar que estava, sumiu, como um passe de mágica.

Na sua frente, seus parentes, todos juntos, olhavam para ele. Todos chorando ao vê-lo.

Sem palavras, o garoto, ficou estático. O escuro sumiu, e tudo que restava era uma paisagem bela, com um pôr-do-sol maravilhoso ao fim. E todo o chão era coberto por uma grama baixa.

Então, primeiro a falar foi o pai do garoto, cortando o silêncio e choque.

— Yang, você demorou muito, — Ele colocou a mão no ombro do seu filho e continuou: — Estivemos esperando por você, filho.

— Sim! Papai esteve reclamando todo tempo dizendo, “Vamos, levante-se, filho! Você é um homem!”, e coisas assim! — falou a irmã, com sua voz meiga, contudo, era possível ver seus olhos ficando cobertos de lágrimas.

— Filho, você levantou e superou, isso é o que importa. — Afirmou a mãe, indo abraçá-lo.

O garoto, que acabara de chorar, voltou a chorar, mas dessa vez, de alegria. No momento que achou que era eles quem precisavam de ajuda, no fim, acabou sendo ele quem precisava.

— Pai… Mãe… Mei… Desculpa… Desculpa por tudo… — disse Yang, triste.

Todos o abraçaram.

— Yang, está tudo bem agora… Coloque tudo para fora.

Yang continuou a chorar como nunca. Tudo que era importante para esse garoto era sua família, nada mais.

E, quando finalmente começou a parar suas lágrimas, ele perguntou: — O que… vamos fazer agora?

— Mei, sua mãe e eu temos um caminho a seguir, Yang, — Zhao olhou nos olhos do seu filho e disse orgulhoso: — E, seu caminho é muito diferente do nosso.

— Diferente? — perguntou Yang.

— Você saberá em breve. — respondeu Zhao, com um pequeno sorriso em seu rosto.

— Vocês vão ir embora? Não posso ir com vocês?

Sentindo que sua família partiria em breve, Yang sentiu medo e solidão se aproximando.

Dessa vez, sua mãe quem respondeu: — Filho, seu caminho é muito maior que podemos imaginar. Sei que uma hora voltarei a ver meu garotinho. Então, lembre-se, — ela tocou o peito de Yang, — sempre estaremos aqui.

Yang a abraçou mais uma vez, mais forte que nunca, porque sabia que já iriam embora.

Em seguida abraçou Mei e disse: — Mei, eu queria ouvir mais vezes você.

— Sim… Também queria estar ao lado de Yang… — respondeu Mei, que não conseguiu segurar mais o choro.

Por fim, era seu pai. Sem abraços. Os dois apenas ficaram se olhando.

Então, Yang quem falou.

— Não vou cair mais, pai.

Zhao assentiu e bagunçou o cabelo de seu filho.

— Esse é o meu filho.

Dessa forma, Yang viu seus pais e irmã partirem, sumindo no horizonte. Ele teve que se controlar muitas vezes para não correr atrás deles. A solidão, para uma criança, era assustadora.

Suspirando, Yang olhou para todos os lados, naquele maravilhoso lugar. No entanto, não sabia para onde ir. Não sentia que nenhum lugar estava chamando por ele ou algo assim.

Então, ele olhou para cima, vendo enormes figuras nadarem sobre os céus. Como um festival de cores. Criaturas tão grandes quanto o céu. Cada uma podia cobrir uma grande parte do céu, como se pudessem segurar aquele espaço com suas mãos.

Inconscientemente, ele levantou suas mãos, como se quisesse alcançar aquelas criaturas. No entanto, quando fez isso, todo o espaço em volta dele se distorceu mais uma vez.

Tudo em volta dele era um espaço negro, mas com pequenos, médios e até grandes pontos redondos. Na realidade, como bolinhas de gude flutuantes. Toda vez que alguma atingia o corpo de Yang, era refletida para outro lado.

Isso tomou toda atenção do jovem, que nem percebeu que havia sete criaturas o encarando.

— O pirralho está nos ignorando? — perguntou a criatura com forma de um tigre branco.

— Qualquer ser humano que viesse até aqui ficaria maravilhado também. São seres fáceis de tomar atenção. — respondeu o dragão dourado.

Diferente dos outros dois, que tinham uma voz grossa como homens, quem falou em seguida tinha uma voz mais delicada e fina.

— Vocês estão ranzinzas, Hu e Huang. Deixem o menino aproveitar. — disse uma ave em chamas.

— Parem de perder tempo. Vamos falar com ele de uma vez. — falou um touro prateado.

Dessa forma, Yang, que estava indo tocar em uma das esferas que flutuavam, a qual estava pegando fogo, foi interrompido por algumas vozes. Só então, ele olhou em volta e viu as sete criaturas o circulando.

Ele caiu de bunda no chão, sem saber o que dizer. Chocado, nem palavras conseguiu proferir.

— Tudo bem. Sabemos. — falou uma tartaruga negra. — Não precisamos que você fale por agora e sim que ouça.

Por mais que ver enormes animais como esses fosse chocante, Yang não sentia nada além de surpresa. Não havia medo em encarar um tigre branco enorme, ou um pássaro flamejante.

— Então, pirralho, preste atenção no que iremos tratar contigo aqui. — O tigre branco parecia mal-humorado.

— Não houve casos de humanos aqui, mas você é uma exceção, Yang. — Um dragão azul, ao lado do dourado, falou sem pressa. — Vimos tudo o que passou, porém, o motivo para trazê-lo para cá é mais um teste do que uma sorte.

Finalmente, Yang conseguiu sair do choque e falar.

— Teste? Teste para o que?

— O coração digno você possui, — respondeu um pássaro vermelho. — Mas não basta apenas isso para mudar as coisas.

Então, a tartaruga, que parecia a mais sábia, comentou: — Yang, somos os deuses primordiais. Somos, como os humanos chamam, os Deuses Bestiais.

Na mente de Yang, repentinamente, começou a passar flashbacks de tempos imemoriais.

— Antes do ser humano ser moldado, antes do cultivo se tornar uma forma de vida, erámos nós quem regíamos a vida, a morte e o equilíbrio de ambas. — O único Deus Bestial que não falou nada, finalmente explicou. Era uma raposa com diversas cores, como uma pintura.

— A lei do mais forte foi definida pelas bestas, pelos animais e pela selva, — disse o dragão azul. — No entanto, os seres humanos surgiram, alcançando patamares jamais vistos. Seres capazes de manipular energias, engrandecer seus próprios espíritos através de treinos e ferramentas.

— Contudo, diferente dos animais e bestas, os seres humanos não eram puros. Eles matavam por motivos mesquinhos. A lei da selva foi estabelecida, porém, nos tempos de hoje, não era mais necessária. Um estado de paz é alcançável. — Explicou o a tartaruga negra.

— Pirralho. O ser humano consegue ser pior que as bestas mais insensíveis e os demônios mais cruéis. Movidos por ódio, vingança e ganância. — O tigre branco estava mais irritado.

— Nenhum ser humano alcançou o ápice de um deus, por suas próprias escolhas e vontades. Sem a virtude necessária, eles jamais serão verdadeiramente deuses, faltam-lhe paz e bondade. — A ave flamejante prestou seus pensamentos.

— No fim, é uma raça desenvolvida para autodestruição. Ela odeia a si mesma, odeia todos que são diferentes. Se ataca para satisfazer a própria fraqueza e medo. Mata seus semelhantes por diversão. Uma raça vinda para matar, apenas. — Disse o touro prateado.

— Mas, vimos algo que não esperávamos, — Disse o dragão dourado de forma orgulhosa. — Você não sentiu ódio. Não sentiu vingança. Pelo contrário, guardou as cicatrizes, por mais dolorosas que fossem, e conseguiu levantar.

Todos olhavam para Yang, o qual estava vendo a passagem das eras, desde o surgimento dos Deuses Bestiais até o surgimento dos Homens, trazendo suas guerras e matança desnecessária.

— Seu caminho de vida não pode parar. Nós sete sabemos disso, Yang.

— Pirralho, você é fraco por fora, mas por dentro, tem algo que nenhum pode se comparar. Treine ambos aspectos.

— Menino, caso não tenha entendido, porque esses velhos estão falando de forma estranha, você vai ter outra chance.

— Como se você não tivesse a mesma idade, Huang. Garoto, você vai estar sendo observado por nós para mudar a sua própria raça.

— Antes que diga que é ninguém e não tem como fazer isso. Saiba que vimos bons homens se corromperem, heróis se tornarem vilões. E, vilões se tornarem salvadores. Então, sabemos que sua raça é mutável. Se você nos surpreendeu, pode surpreender a todos.

— Não considere como um escolhido. Não iremos ajudar mais do que podemos, mas é possível te dar um caminho correto.

Quando seis dos sete falaram, a última que restava era a raposa, para dar seus pensamentos.

— Yang. Você vai lutar, sentir raiva, gritar, sofrer e pode ser que seu coração se corrompa. Diferente de todos os outros, que forçam suas expectativas sobre você, quero saber o que pensa.

Nesse momento, o corpo de Yang travou. Não sabia o que pensar. Era um bombardeio de informações novas, deuses, mudar sua raça, lutar, sofrer e outras coisas. Como ele, um garoto de 13 anos, poderia lidar com tudo isso?

Então, segurando seu peito e abaixando sua cabeça, Yang deu sua resposta: — Todos têm um caminho, não é? Minha família disse que meu caminho seria muito diferente… Eu… não sei sobre mudar as pessoas, lutar, ser bondoso ou outras coisas… Tem certeza que sou eu?

Todos os deuses se olharam.

— Pffft. Pirralho, já viu algum deus antes falar sem certeza?

— Yang, se você falhar, está tudo bem. Só queremos ter a chance de evitar que mais seja perdido e destruído.

— Acho que esses dois te respondem, não é? — falou a raposa, em nome de todos.

Yang sabia que não poderia mudar nada da maneira que era, mas deuses estavam colocando fé sobre ele. Esperando que ele faça algo! O quão absurdo era essa situação?!

— Mas… eu não nasci cultivador… não nasci forte ou talentoso… — Yang compartilhou suas preocupações.

— Hoje, faremos uma exceção para você. Como comentamos, faremos o que é possível para você completar seu caminho da forma correta.

Dessa forma, a ave flamejante, chamada Huang, pausou seu voo e desceu na frente de Yang.

— Sei que as últimas coisas que viu foram as chamas. Como presente, as chamas quem vão temer você. — falou Huang, enquanto deixava uma das suas penas cair ao lado do jovem Yang.

A pena gigante se transformou em cinzas no momento que chegou ao chão. E, as cinzas, que flutuavam pelo ar, cobriram o corpo do menino.

Um calor agradável passou por todo corpo dele, sentindo como se tudo estivesse mudando. Sua percepção, seus sentidos e entendimentos.

— Quando acordar, Yang, em suas memórias estarão nossos presentes para você. Não serão tão impactantes como a de Huang, por ser imediato, mas quando alcançá-los, não serão inferiores.

Com os olhos fechados, Yang só ouviu o que falaram, enquanto sentia o calor cobrir todo seu corpo. Quando o calor cessou, ele abriu os olhos.

Em sua visão tudo estava negro.

Voltei naquele espaço? — perguntou Yang, pensando ser o espaço que acordou quando morreu.

No entanto, ele sentia peso em todo seu corpo, então, empurrou com toda sua força para cima.

E, para surpresa dele, uma luz o irradiou, deixando seus olhos sensíveis. A luz era morna, mas o acalmava.

Quando notou, o que ele empurrou foram pedaços negros de alguma coisa.

Madeira queimada?

Ele olhou em volta, notando que conhecia o local onde estava.

… É a minha casa…

Um certo desânimo surgiu, porém, logo sumiu. Ele sabia que seus pais estavam bem no outro mundo. Mas, ainda faltava algo para fazer.

Ele sabia que a casa já havia queimado há muito tempo, porque tudo que restava era quase carvão. Um carvão frio, mas que parecia queimar seus pés e mãos ainda. Era como se as cinzas ardessem ainda.

Sentindo seu corpo mais forte que nunca, Yang retirou todos escombros da casa. Ele sabia que, depois de Huang ter o coberto pelas cinzas, agora, seu corpo era capaz de cultivar.

Dessa forma, ele encontrou os cadáveres queimados de seus pais e irmã, que agora eram nem um quinto do que eram antes.

Com um pequeno sorriso, mas sem um pingo de magoas, ele enterrou os cadáveres queimados ao lado da plantação e rezou por eles.

Ele limpou seu suor do rosto e olhou para além da antiga Lótus Menor.

— Então… como é que um cultivador cultiva? — ele perguntou em voz alta de propósito, pois achava cômica a situação que se encontrara.

Bom, se ainda está com disposição para ler o resto que tenho para falar, bora lá.

Além dessa história de cultivo, eu também escrevi um prólogo definitivo de Ruína Escarlate. Dificilmente eu mudarei esse prólogo, mas mudarei toda história que já apresentei antes em posts. Bom, muita coisa vai continuar parecida, mas não igual. Enfim, vou deixar disponível o capítulo nesse post também.

Quero que notem a diferença de narrativa de Destino Elementar para a novel de cultivo e da novel de cultivo para Ruína Escarlate. Vou deixar a sinopse da obra no prólogo também, então, bora lá.

Enfim, encerrando o post aqui.

Quero dizer para vocês que pretendo ficar muito tempo nesse ramo de novels e vocês vão ter muita coisa para ler, não se preocupem. Eu me importo com meus leitores e não curto ver os comentários pedindo para eu voltar, afinal, eu nunca dropei ou abandonei vocês, apenas que sou ocupado, mas no site novo vão ter muita coisa boa para acompanhar! Podem acreditar nisso.

Agora, comentem TUDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO O QUE PUDEREM! 

Todas opiniões, tanto das novels que escrevi, do prólogo de Ruína Escarlate, das artes que coloquei, das mudanças do site atual para o novo e as minhas tarefas. Comentem tudo o que puderem.

Façam comentários longos e responderei todos!

Este vai ser o último post de Destino Elementar na Novel Mania atual, então, aproveitem bem esse post para matarem dúvidas, opinarem e falarem comigo.

Bom, vejo vocês nos comentários, meus lindões e minhas lindonas. E se quiserem um contato mais próximo comigo, só entrem no chat do discord da NM e me marquem! (O link ta ali, oras).


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