VM – Capítulo 133 – Os 12 imortais. Parte 7.


 

A faixa de terra que fazia fronteira com o Reino Oeste e com o Império, era defendida por 5 cidades fortificadas, Mitraz era uma delas.

A qualquer dia e em qualquer horário, ali sempre estariam um mínimo de 5.000 soldados, a cidade era literalmente um posto militar avançado, ninguém vivia lá se não estivesse envolvido com o exército.

Fora bares e prostíbulos, somente comerciantes de armas tinham bancas ali, a cidade não permitia nada além disso. Ela era formada por duas grandes muralhas dispostas em paralelo com um fosso de água no meio, tentar invadi-la era quase impossível, ela representava o melhor da engenharia militar nesta era.

— Como vamos entrar? — Cam perguntou a Rafir.

Eles tinham chegado nos arredores de Mitraz, mas não sabiam ao certo como entrar na cidade.

— Existe uma guilda lá, mas parece que fica bem na entrada. Não tenho certeza se podemos caminhar livremente por ela. — Rafir tinha um gosto amargo na boca, depois que Xandre começou a abrir o bico, eles perceberam que não seria tão fácil andar pela cidade e mapeá-la.

— Que tal comprar armas nas lojas, seria uma boa, afinal somos caçadores. — Cam deu a ideia.

Rafir começou a pensar e até que não seria má ideia, neste momento dinheiro era a coisa que eles mais tinham, eles só deviam manter o perfil baixo.

Além de Tyler ter-lhes dado muito quando começaram, eles adquiriram várias vezes mais com os soldados e os goblins. Um fato que ninguém esperava e ao mesmo tempo os enfureceu foi descobrir que o comandante Xandre tinha deixado aquele ninho de goblin ativo de propósito.

Os goblins tinham o hábito de roubar, massacrar viajantes e sequestrar mulheres. Se você fosse um psicopata e só pensasse em dinheiro, poderia usar os goblins a seu favor.

Foi exatamente isso que Xandre fez, ele deixou os goblins agirem livremente e uma vez por ano atacava o ninho para tomar o dinheiro e as armas que eles tinham tomado das pessoas inocentes. Apesar dos goblins não usarem as moedas e nem a maioria das ervas, eles as recolhiam mesmo assim e ninguém sabia o motivo.

Xandre tinha aquele ninho de goblin como uma fonte extra de dinheiro.

— Bom, de qualquer forma vamos à guilda receber a recompensa pelos goblins, aquela sacola com os narizes já está fedendo. — Rafir falou.

— Sim, eu vou ver com o resto dos rapazes, eles podem ter alguma ideia boa.

— Eu vou até o rio tomar banho, depois volto. — Ele se despediu.

Perto da cidade havia um pequeno rio, não era grande. Contudo era o suficiente para abastecê-la.

Rafir pegou suas coisas e caminhou, no meio do caminho ele escutou alguns barulhos estranhos.

— Sua pequena vagabunda, agora você vai ter o que merece! — Uma voz masculina esbravejava com raiva. — Você e a vadia da sua tia acham que são melhor que os outros, ela se recusa a ser minha, mas hoje você vai ser minha!

Phaa! Um som alto de um tapa foi ouvido seguido de um choro abafado.

Não era preciso ser um gênio para saber o que estava acontecendo perto dali.

Rafir rapidamente entrou em um modo silencioso de andar e se aproximou, escondido atrás de uma árvore ele pôde ver. Era um soldado grande e forte, ele tinha uma mão na boca da moça enquanto a outra estava firmemente no pescoço dela.

A moça era jovem e não devia ter mais que 15 anos, ela tinha a pele morena e um físico esguio. Seus olhos já estavam saltando para fora, devido a falta de ar.

Se antes Rafir tinha nojo desses atos, depois de andar com Tyler ele adquiriu um repúdio mortal!

Sem pensar nas consequências ele saiu do seu esconderijo e avançou naquele homem. Sacando sua faca ele fez um jogo rápido com os pés e chegou nas costas do soldado sem ser notado.

Phufff. Rafir enfiou a lâmina na garganta do homem até o cabo.

O sangue fluiu como um rio, Rafir pôde sentir o calor e a umidade se infiltrarem nos seus dedos. O soldado tentou resistir mas foi em vão, Rafir torceu a faca e acabou de vez com aquela vida inútil.

Com o homem já morto no chão, ele foi olhar a menina. Ela estava apenas desmaiada, ficaria com as marcas por um tempo, mas seria apenas isso.

— Emergência, venham até minha posição. — Rafir pegou o rádio escondido nas roupas e chamou.

Em poucos segundos 11 homens armados responderam ao chamado.

— O que aconteceu? — Deme quis saber.

Rafir contou, e agora queria dar um fim no corpo.

— E quanto a moça? — Juno perguntou.

— Ela está desmaiada, vou levá-la para longe, quando acordar não vai saber de nada. Ela vai ficar confusa, mas é melhor do que nada. — Ele respondeu.

— Tem certeza de que ela não te viu? — Cam perguntou.

— Sim, quase certeza.

— E quanto ao soldado, enterramos? — Juno estava tentando arrumar uma saída fácil para essa situação.

— Amarrem uma pedra nele e o joguem no fundo do rio, os peixes farão o resto. — Rafir se despediu e carregou a menina no colo.

Ele andou por algumas centenas de metros e a deitou encostada em uma árvore. Depois de checar se não havia nenhum perigo por perto  deixou-a inconsciente, ou pelo menos, era o que ele achava.

Brandis era uma menina esperta e desde nova sua tia tinha lhe ensinado muitas coisas, ela recobrou seus sentidos logo depois que os homens chegaram. Ela pensou em correr, contudo, percebeu que ninguém ali a faria mal, sendo assim decidiu continuar fingindo.

Assim que o seu salvador saiu, ela abriu lentamente os olhos e ainda pôde ver sua figura de costas indo embora, brandis não perdeu tempo e correu para dentro das paredes da cidade.

***

— Quanto deu? — Cam perguntou quando viu a expressão de desaponto em Rafir.

— Uma merreca. — Ele respondeu de mau humor.

Ele havia levado mais de uma centena de narizes de goblins para a guilda local, mas o valor pago não era suficiente nem para comprar um medicamento se alguém tivesse se machucado na missão.

— Ok, e qual o plano de hoje? — Ele quis saber.

— Já que estamos aqui, vamos beber um pouco e depois de um tempo vamos fingir estar bêbados para ouvir as conversas ao redor.

— Eu já sou um bêbado profissional! — Cam se gabou, ele tinha fingido tantas vezes que nem um dono de bar o reconheceria.

Eles agora estavam no único bordel e bar da cidade, e apesar do local, a aparência era bastante decente. — Bom, vamos começar! — Rafir levantou o caneco cheio de cerveja.

Depois de algumas rodadas, Rafir viu uma mulher muito linda de aparência distinta subir as escadas na lateral do salão. Por um breve momento o olhar dos dois se cruzou, mas esse olhar durou bem mais que o esperado.

— Ei. — Cam chamou sua atenção.

— Que é? — Rafir estava amargo por ter sido interrompido.

— Sobre a missão, o que você acha? — Ele perguntou novamente.

— Fale do começo, eu estava com a cabeça longe. — Rafir confessou.

— Onde? — Cam quis saber.

— Naquela mulher que passou subindo as escadas, a de pele morena e camisa vermelha, acho que era uma nobre.

— Camisa vermelha, como as que o mestre trouxe do seu mundo, eu soube que elas são bem caras por aqui. — Cam coçou a barba. — O que uma mulher de berço nobre faria num lugar desses?

— Não sei… — Rafir deu de ombros.

Enquanto os homens tentavam pensar em alguma razão para a existência de tal pessoa nesse lugar, uma jovem atendente veio até a mesa deles.

— Com licença mestre, mas minha senhora gostaria de falar com o senhor, a sós. — A moça colocou bastante ênfase nessa última parte.

— Certo… — Rafir estava desconfiado, mas, mesmo assim, seguiu a moça escada a cima.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



Fontes
Cores