VM – Capítulo 134 – Os 12 imortais. Parte 8.


 

Seguindo a moça, Rafir subiu as escadas. Ele não estava ciente do motivo de ter sido chamado, mas também não ficou preocupado.

— Pode entrar, a madame está lhe esperando. — A moça lhe disse quando eles chegaram em uma porta no terceiro andar do edifício.

— Obrigado. — Rafir agradeceu e girou a maçaneta. — Olá? — Ele chamou ao entrar na sala.

A sala era muito aconchegante, havia algumas poltronas e sofás espalhados, uma pequena mesa com bebidas e um birô, atrás desse birô estava a mulher de aparência nobre que ele vira mais cedo.

Olhando com mais atenção ele não pôde deixar de suspirar interiormente. Ela era linda!

Ela tinha um tom de pele acobreado muito belo, típico das pessoas daqui. Vestia uma calça de couro e uma camiseta vermelho sangue que lhe davam uma aura elegante e digna, Rafir não pôde deixar de notar aquela blusa, ele sabia quê, com certeza, ela tinha sido uma das que seu mestre trouxe do outro mundo.

Isso não era nada demais em qualquer outro lugar, qualquer pessoa com posses razoáveis poderia comprar uma blusa como aquela, o problema é que no Reino Central as coisas não funcionavam como nos outros reinos, para ter uma blusa como aquela, a pessoa tinha que ter dinheiro e contatos, ou seja, ela não era uma pessoa simples.

— Por favor, sente-se. — A mulher falou de forma polida e apontou para um sofá próximo. — Deixe-me servi-lo com um vinho. — Ela ofereceu.

— Obrigado. — Rafir estava meio confuso e constrangido com o tratamento que estava recebendo.

— Aqui, esse vinho é de excelente qualidade, mas eu tenho outras bebidas se preferir. — Ela disse enquanto o servia em uma taça de vidro.

— Nos conhecemos? — Ele quis saber, ao mesmo tempo que tomou um gole do vinho que ela lhe serviu. Ele ficou impressionado com o quão bom era aquele vinho.

— Não, é apenas porque eu vi um rosto novo. — Rabe falou suavemente. — Como deve imaginar não há muitas pessoas novas por aqui.

— E a senhora é? — Rafir perguntou, franzindo o cenho.

— Nossa, que falta de educação a minha. — Ela se desculpou. — Meu nome é Rabe, eu sou a dona desse lugar.

— Não, há motivos para isso. — Rafir tentou ser educado. — O meu é Rafir, estou à sua disposição.

— Um belo nome, o que lhe traz a essa cidade? — Rabe perguntou.

— Eu e meus companheiros somos caçadores, originalmente éramos do Reino Leste, saímos de lá e fomos para o Reino Oeste e agora estamos aqui. — Rafir deu de ombros, essa era sua desculpa, ela era simples e extremamente plausível.

— Nossa, um caçador. Que interessante! — Rabe sorriu coquetemente.

— Nem tanto, na maior parte do tempo apenas fazemos armadilhas e esperamos as presas.

— Tem tido sorte, aqui no reino?

Apesar de ter dito tais palavras com uma voz tão gentil, Rafir sentiu algo errado.

— Bem pouco para falar a verdade, recebemos uma missão para exterminar goblins, mas eles são muito fortes aqui, caçamos alguns poucos grupos deles nas florestas, contudo nunca fomos capazes de chegar perto dos ninhos.

— Parece que vocês são muito bons no que fazem, recentemente houve uma grande tragédia em uma cidade perto daqui, um batalhão inteiro com 250 homens foram dizimados por esses goblins. — Rabe disse olhando profundamente nos olhos de Rafir.

— É mesmo uma grande tragédia… — Rafir fez o possível para lamentar. — Eu vi como eles eram fortes, acho que tivemos sorte de sair daquela região.

— Sim, parece que foi muita sorte mesmo. — Rabe confirmou.

Rafir apenas concordou com a cabeça e tomou mais um gole de vinho.

— Sabe, senhor Rafir. — Rabe começou de novo a falar, ela continuava com a voz mansa, mas seu olhar era como uma espada afiada. — Eu realmente tenho que lhe agradecer.

— Eu, por quê? — Rafir ficou confuso.

— A moça que o senhor salvou mais cedo era minha sobrinha. — Rabe disse olhando firme nos olhos dele.

Um leve choque passou pelos olhos de Rafir então ele negou. — Eu não faço ideia do que a senhorita quis dizer.

“Linda como uma pomba e esperta como uma serpente!” Rafir não podia negar que a mulher lhe deixou muito desconfortável, ela tinha grandes e expressivos olhos cor de avelã que combinavam muito bem com o seu rosto afilado, mas tudo isso era apenas uma fachada. A esperteza dela era algo que ele não tinha visto nem em velhos políticos.

— Bom, mas eu faço. — Rabe foi firme.

— Acho que a madame Rabe deve estar me confundindo com outra pessoa. — Rafir tentou jogar o corpo fora, mas não conseguiu evitar de engolir seco.

— Está preocupado? — Ela brincou. — Eu não já lhe disse que estou só agradecendo.

— … — Rafir ficou calado, o que ele poderia dizer?

— Ora, não fique chateado, vocês soldados são todos… — Rabe levantou a sobrancelha em desafio e terminou. — Assim…

Rafir estreitou os olhos. “Eu devo matá-la?” o pensamento correu por sua mente, mas no fim ele se levantou e disse: — Madame eu realmente não sei o que a senhora está tentando falar, então eu vou embora para evitar futuros desentendimentos, obrigado pelo vinho. — Ele se virou e saiu.

Antes de chegar à porta, Rabe fechou a distância entre ambos e o jogou em um sofá próximo.

— Madame! — Rafir foi pego de surpresa.

— Deixe-me te contar algumas coisas. — Rabe falou enquanto sentava-se no colo dele. — Quando eu tinha 13 anos eu fui roubada da minha aldeia, tirada da minha família e trazida para esse lugar. Fui obrigada a servir os soldados dessa cidade até os 19 anos quando a dona anterior morreu e eu o herdei. Então… — Ela suspirou, foi só aí que Rafir viu um pouco de fragilidade nos olhos resolutos daquela mulher. — Não me diga que não é um soldado, eu reconheço um apenas pela forma que ele respira.

— E… eu… — Rafir gaguejou, Rabe o mantinha firmemente preso no sofá.

— Você não é dos Desertos do Sul, nem daqui. Minha dúvida era entre os reinos leste e oeste, mas esse seu cheiro de sabão já me disse tudo! — Rabe aproximou o rosto do pescoço de Rafir e o cheirou.

— Sabão, que sabão? — Rafir não entendeu nada.

— Eu conheço cada tipo de perfume, óleo para corpo, sabão e cremes para pele. Para alguém que finge ser um simples caçador, como ele poderia usar um sabão tão caro?

“Sabão caro?” foi só aí que Rafir viu onde tinha sido pego, ele tinha tomado banho antes de vir e logicamente lavou-se com sabão, porém o problema era que o sabão que ele usou veio dos suprimentos que Tyler tinha lhes dado.

— Sim. — Rabe sorriu. — Somente o Reino Leste dá/ pode dar algo tão caro assim.

Rafir sabia que tinha sido desmascarado, ele segurou as duas mãos da moça a tirou-as de cima dele. — Estou indo embora, espero que sua sobrinha esteja bem.

Quando ele tentou sair, a moça deu-lhe um tapa no rosto.

Slap!!!

— O qu…

Slap!!!

Outro tapa forte veio.

— Ei! — Rafir ficou irritado com aquilo.

Slap!!!

Mais um.

— Já chega! — Ele segurou a mão dela quando o quarto tapa vinha, contudo a moça era esperta e deu com a outra mão.

Slap!!!

Rafir temendo outro tapa, segurou a outra mão.

Rabe não satisfeita, ergueu a perna. Rafir que não era bobo previu suas ações e a jogou no sofá, dessa vez por cima dela. — Por favor, vamos ser razoáveis, eu ainda quero ter filhos.

Rabe bufou e tentou se livrar dele.

— Você não disse que me agradeceria por salvar sua sobrinha, que tal me deixar ir como agradecimento? — Rafir pediu, sem esperar pela resposta ele se levantou e saiu, quando pôs a mão na maçaneta ele a ouviu falar.

— O Reino Central está se preparando para entrar em guerra com vocês, eu posso ajudar!


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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