VM – Capítulo 136 – Os 12 imortais. Parte 10.


 

 

Rabe:

 

Rabe viu Rafir sair pela porta, mas não sentiu vontade de se levantar. Fazia muitos anos que ela não se sentia assim, ela se lembrava de cada palavra trocada com Rafir e ainda as sentia reverber dentro de si.

Imersa em seus pensamentos, Rabe não escutou quando a porta foi aberta.

— Tia? — Uma voz infantil perguntou.

— Sim? — Ela respondeu automaticamente.

— Tia! — A voz soou mais enérgica dessa vez.

— Oi. — Rabe finalmente saiu de seu transe. — O que você quer, Lice? — Ela perguntou a sua sobrinha.

— Era ele, não era? — A menina quis saber.

— Sim, era ele. — Rabe confirmou.

— Ele está em perigo? — Lice estava preocupada, com a vida de seu salvador.

— Pelo que ele me falou, parece que são os outros que estão em perigo. — Ela riu pensando no que ele tinha lhe dito.

— Hã? — Lice estava confusa. — Mas a tia agradeceu?

— Sim.

— A tia está diferente. — Lice franziu o cenho.

— É porque as coisas estão mudando.

— É, que coisas? — Lice estava confusa e curiosa.

— Nós, esse reino e tudo mais. — Rabe esboçou um sorriso travesso.

— A tia não está falando nada com nada! — A menina protestou.

— Isso não é importante. — Rabe passou a mão no cabelo da menina. — O importante é que você tem que guardar segredo de tudo o que viu e ouviu aqui, os tempos futuros são incertos.

***

Rafir:

Enquanto naquela noite Rabe refletia sobre muitas coisas, Rafir estava conversando com Tyler.

Depois de passar toda a situação, ele teve carta branca para agir, agora o problema maior era como fazer isso.

— Então, qual é o problema? — Juno perguntou, não só ele, mas todo o resto do esquadrão estava apreensivo. Rafir tinha chegado e entrou em contato com Tyler o mais rápido possível, algo sério tinha acontecido.

— O Reino Central está se preparando para a guerra conosco. — Ele respondeu.

— Eles sabem sobre nós? — Cam perguntou.

— Não. — Rafir balançou a cabeça. — Acho que o rei Caligas quer se vingar pelo seu filho, e também matar o nosso Império ainda jovem.

— Temos que fazer algo! — Deme disse.

— E vamos, o mestre deu carta branca para fazer o que for preciso.

— E o que vamos fazer? — Juno perguntou.

— Destruir todo esse batalhão, vamos dizimar a cidade de Mitraz.

— Como? — Cam perguntou.

— Acho que eu tenho que falar sobre a nossa mais nova espiã. — Rafir começou a explicar sobre Rabe e expôs toda a conversa deles.

***

Em uma sala fechada dentro do bordel, 12 homens olhavam fixamente para uma mulher.

— Então, esses são os 12 imortais? — Rabe perguntou.

— Somos! — Deme falou cheio de orgulho.

Rabe riu, ela tinha que admitir, esses homens não tinham nada de especial em suas aparências, ninguém daria nada por eles, se não fosse seus sentidos aguçados ela diria que eles eram apenas 12 caçadores comuns que se aventuravam pelo continente.

— Então, vocês querem destruir toda Mitraz?

— Essa é a ideia. — Rafir confirmou.

— E como posso ajudar? — Rabe exibiu um sorriso farto.

Cam se aproximou do ouvido de Rafir e disse. — Gostei dela!

Rafir deu uma cotovelada nele e falou. — Queremos saber mais sobre os movimentos dos soldados e sobre o general encarregado dessa cidade, outra coisa que notamos é que nem todos os soldados ficam dentro das paredes.

— Eu posso ajudar nisso, eu sei tudo sobre as movimentações e trocas de guardas. — Rabe assentiu. — Você também está certo dos 5 mil homens que servem aqui, apenas 3 mil dormem dentro das muralhas.

— E quanto ao general? — Rafir quis saber.

— O nome dele é Bratus, ele é um nobre de grande influência no reino. Ele é muito rígido e capaz, não será tarefa fácil derrotá-lo. — Ela explicou.

— Para que nosso plano tenha sucesso, temos que reunir todo o batalhão junto, você tem alguma ideia?

— Não. — Ela balançou a cabeça.

— Ele tem algum medo oculto? — Juno perguntou.

— Medo? — Rabe estava confusa.

— Sim, qualquer coisa serve, apenas queremos entendê-lo melhor. — Cam falou.

— Bom. — Ela começou. — Quando ele era jovem, o reino o enviou para as montanhas dos anões, para que ele pudesse negociar armas com eles, mas antes de chegar lá muitos dos seus homens foram comidos pelos homens morcegos, dizem que até hoje ele os teme.

— E como isso ajuda? — Deme bufou.

Rafir também balançou a cabeça, isso não ajudava em nada.

— Esperem! — Juno se levantou.

— Tem alguma ideia? — Rafir quis saber.

— Major general Lansdale. — Juno falou.

— Quem? — Uma dúzia de pessoas perguntou ao mesmo tempo.

— Major general Edward G. Lansdale. — Juno disse. — Não se lembram quando o mestre nos contou sobre ele?

— Eu ficava sem dormir por dias, era basicamente um morto-vivo, como eu ia me lembrar de alguém que nem do meu mundo é? — Cam bufou e foi seguido por vários outros.

— Bom não importa, o que eu quero dizer é que o mestre certa vez contou esse caso para nos ilustrar como mexer com a mente do inimigo pode ser eficiente.

— Se tem alguma coisa para falar, fale de uma vez. — Rafir estava impaciente.

— Certo, eu vou contar. — Juno revirou os olhos. — Esse tal de Lansdale serviu em um lugar chamado Filipinas, neste lugar havia homens maus chamados de huks, eles frequentemente assolavam os vilarejos. Os huks eram muito supersticiosos, naquela região existiam lendas sobre fantasmas, banshees e vampiros. O general Lansdale começou a espalhar boatos de aparições em toda região, então em uma noite alguns de seus homens viu uma patrulha huks e pegou o último da fila, eles fizeram duas incisões no pescoço dele e drenaram todo o sangue, depois disso o colocaram na trilha de novo.

— O que aconteceu depois? — Cam perguntou.

— Quando os huks encontraram seu amigo morto na trilha fugiram de medo. — Juno explicou.

— Isso é ótimo! — Rafir falou. — Rabe você pode espalhar os rumores?

— Posso sim, todos os soldados vem aqui, se eu mandar as meninas falarem, em dois dias o exército ficará fervilhando.

— Juno, dessa vez você se superou. — Cam elogiou.

— Então só temos que caçar alguns deles do lado de fora, Bratus vai ficar com medo e chamar todos para dentro das muralhas?

— Talvez ele não queira, mas se nossa amiga ficar insistindo. — Rafir apontou para Rabe. — Creio que a pressão será tanta que ele não poderá resistir.

— Deixem comigo, essa cidade vai feder de medo, ninguém ficará tranquilo.

— Ótimo. — Rafir aprovou. — Rapazes se preparem, hoje à noite vamos trabalhar.

— Bom, eu estava começando a ficar com as juntas duras. — Cam riu.

— Eu posso colocar fogo em algo? — Juno perguntou.

— Hoje não, hoje não. — Rafir o acalmou. — Rabe, depois você pode nos arranjar garrafas de óleo?

— Garrafas de óleo. — Rabe não entendeu o que isso tinha a ver.

— Oh, sim. — Juno exclamou feliz. — Muitas delas acho que 100 delas serão o suficiente.

— Certo… Eu lhes darei os da melhor qualidade. — Ela assentiu.

— A qualidade do óleo não importa, ele tem que ser apenas bastante viscoso, só a garrafa é que tem que ser boa. — Rafir explicou.

— Parece que o titio Molotov vai aparecer. — Juno sorria feliz.

 


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



Fontes
Cores