VM – Capítulo 137 – Os 12 imortais. Parte 11.


 

 

— Ei você ouviu falar das aparições que estão acontecendo? — Um soldado que estava de patrulha perguntou ao outro.

— Ouvi sim, será que é verdade? — O outro falou.

— Deve ser, todos estão falando sobre isso. — O primeiro deu de ombros. — Eu só espero não topar com essas criaturas.

Dois dias atrás um rumor se alastrou como fogo dentro das fileiras do exército. No começo os rumores eram apenas sobre aparições de vultos voando e olhos vermelhos na escuridão, porém as coisas saíram do controle, alguns soldados juravam de pés juntos que tinham visto homens voando e arrebatando animais, outros chegavam mesmo a falar que foram perseguidos por tais criaturas.

Sendo verdade ou não, o general Bratus teve que agir para que as coisas não extrapolassem ainda mais, uma severa patrulha foi montada e uma disciplina exemplar foi dada a quem não obedecesse.

Se apenas palavras já faziam tanto estrago no inimigo, imagine o quão apavorados eles ficariam quando vissem os corpos de seus companheiros sem uma gota de sangue?

Só de pensar em tal cena, 12 homens mal dormiam em expectativa, por dois dias eles aguentaram calados, contudo a sorte deles finalmente tinha mudado e eles agiriam.

Em contrapartida esses dois guardas tiveram o azar de encontrar com os CAVEIRAS.

— …

— Ei, eu falei que não queria topar com essas criaturas. — O guarda falou novamente para o colega.

— … — Novamente só o silêncio respondeu.

— Isso não tem graça cara… — O pavor já tomava conta do pobre soldado, mesmo ele negando firmemente, ele tinha medo de que tal coisa acontecesse. — Onde você está? — Ele se virou e procurou ao redor.

Nada! Nem um mísero sinal de vida.

Girando freneticamente ele não podia ver para onde seu amigo tinha ido, esquecendo-se da sua missão de patrulha ele correu por sua vida.

— Ele é rápido! — Cam assoviou.

— Acho que ele estava com medo mesmo, ainda posso sentir o cheiro de merda no ar. — Deme riu.

— Hahaha. — Rafir riu também. — Vamos trabalhar, daqui a pouco isso vai estar lotado de guardas.

Os homens assentiram e voltaram ao trabalho.

O patrulheiro tinha sido nocauteado por uma poderosa arma de choque, ali mesmo desacordado ele ficou a mercê dos caveiras.

Em uma árvore próxima ele foi pendurado de cabeça para baixo, enquanto duas agulhas de injeções foram inseridas no seu pescoço.

— Quanto tempo? — Cam perguntou para Rafir assim que ele terminou de colocar as agulhas.

— Uns 5 minutos, nessa posição o coração vai bombear todo o sangue dele. — Rafir respondeu.

Assim como foi dito, o jovem pendurado ficava mais pálido a cada segundo enquanto seu sangue caminhava por tubos até algumas garrafas. Quando a última gota foi drenada, o corpo do guarda foi posto de volta na trilha.

— Ei, eu tenho uma ideia! — Juno exibia um sorriso maligno.

— O que você quer fazer? — Rafir quis saber.

— Você vai ver, rápido me dê um bastão de luz química.

***

— Estou dizendo, foi por aqui que ele sumiu. — O soldado que havia fugido retornou com reforços.

Mais de 10 homens seguravam tochas acesas no meio da floresta.

— Vamos, deixe de mentiras. — O comandante tentava soar firme. — Se for alguma armação de vocês, cada um vai levar 40 chicotadas!

— É verdade, eu juro. — O soldado tremeu.

— Espalhem-se, se esse maldito estiver dormindo em algum lugar eu o mato!

Sem ousar desobedecer, os guardas saíram à procura.

Alguns minutos depois um deles gritou de pavor. — Rápido, eu o encontrei!

Um a um os soldados se reuniram em volta do corpo do amigo morto.

— Céus! — O parceiro que tinha fugido gritou ao vê-lo morto. — Lauro, meu amigo, por quê? — Enquanto as lágrimas caíam ele chegou perto e pegou na mão do seu companheiro.

“É verdade.” O comandante sentiu suas pernas tremerem.

— Olhem, vejam o pescoço dele! — Um dos homens exclamou.

*Suspiro* Ninguém disse nada, mas o que havia para falar?

Duas finas linhas carmesins saíam de dois pequenos buracos, ficou claro para todos que aquele homem tinha sido vítima de um homem morcego.

— Eu não quero ouvir nenhuma palavra sobre isso. — O comandante tomou a frente. — Vocês estão proibidos de falar qualquer coisa sobre esse assunto, estão me entendendo?

— Sim… — Eles responderam a contragosto.

— Peguem o corpo dele temos que levar até o acampamento.

— Eu o levo. — Colocando o parceiro em suas costas o guarda começou a caminhar de volta para o acampamento.

— Espere, o que é isso? — Um deles apontou para uma luz estranha.

— É uma pedra? — O outro perguntou quando viu a luz verde.

— Não, é um líquido. — O guarda que descobriu, tomou coragem e passou o dedo no líquido misterioso. — Capitão, veja isso!

— O que é agora? — O capitão estava irritado, ele queria ir embora o mais rápido possível, mas esses idiotas estavam lhe atrasando.

— Essa coisa brilhante. — O soldado mostrou o dedo. — Estava no lugar onde o corpo do soldado Lauro estava.

— Hum… — O capitão não sabia o que dizer, ele também colocou o dedo na pequena poça, não havia cheiro forte nem queimação vindo daquele líquido. “Será algum remédio feito por algum alquimista? Os homens-morcego podem ter deixado cair.” pensou ele. Tomando coragem, ele esticou a língua e lambeu.

Antes de pensar sobre o gosto, outro soldado gritou. — Vejam, há mais nas costas dele!

Todos se viraram e notaram que havia um certo brilho esverdeado vindo por debaixo das roupas do morto.

Tremendo como vara verde, o capitão tomou a frente e levantou a blusa de Lauro. Várias listras brilhantes podiam ser vistas… mas o pior… o pior era que um grande brilho era visível debaixo das suas calças.

— O que é isso comandante? — Um deles não aguentou e perguntou.

— Quieto! — O comandante berrou. — Eu vou olhar.

Fingindo uma coragem que não tinha, ele começou a abaixar as calças do morto. Uma tristeza abateu-se sobre todos quando eles perceberam que as calças do amigo estavam frouxas.

— !!!

— Não é possível…

— Que tipo de monstro faria isso?

— É mentira! Me digam que é mentira!

— Eles não só bebiam nosso sangue?

— Céus, essa fera não tem coração?

— Estamos mortos.

— Quão horrível é um ser desse, já não basta querer nos matar?

A razão de todo aquele alvoroço era que uma grande mancha verde brilhante podia ser vista nas nádegas do defunto…

Sim, para eles não havia dúvida alguma, seu amigo foi estuprado por uma fera maligna.

O próprio comandante ficou sem ação, ele tinha posto aquilo na boca.

***

Pior que fogo em mato seco, os rumores sobre uma fera assustadora que bebia sangue e estuprava jovens soldados se alastrou. A situação piorou quando os capitães responsáveis fizeram as contas, 8 homens, exatamente 8 homens foram mortos e estuprados na primeira noite.

O medo era tão grande dentro das fileiras, que ninguém queria sair, era comum ver soldados com duas ou três calças ou com grossos tecidos ao redor do pescoço.

Enquanto tudo isso acontecia, 12 homens acampando nos arredores das muralhas, se acabavam de rir.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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