VM – Capítulo 138 – Os 12 imortais. Parte 12.


 

— O que diabos foi isso? — questionou Rabe enquanto erguia levemente a sobrancelha.

Era manhã do segundo dia desde que eles começaram a inventar os ataques.

 

— O quê?

Rafir fingiu-se de inocente, nem ele sabia como essa situação havia ficado fora de controle. No outro dia, quando eles atacaram mais 10 guardas, as muralhas foram fechadas e todo o comércio parou, ele achava que a ideia de Juno já não era tão boa assim. Os rapazes também se descontrolaram um pouco e foram mais fundo com a pegadinha. Os 10 patrulheiros vitimados no segundo dia foram encontrados nus com as mãos amarradas e em posições que eram no mínimo constrangedoras.

— Não acham que foram um pouco longe? — Rabe perguntou novamente.


— Desculpe… — Rafir coçou a cabeça. — Eu não imaginava que eles ficariam com tanto medo.

— … — Rabe continuava séria.


— O que você quer que eu faça? — Ele quis saber. — Está com pena deles?


— Eu? Pena? — Rabe bufou. — Você pode esfolar todos que eu não ligo, estou preocupada é com vocês, meu destino está ligado ao sucesso de vocês.


— Eu sei, me perdoe. — Rafir falou. — Vamos parar os ataques por enquanto.


— Acho que não adianta mais, essa noite eles vão fechar de vez as muralhas, ninguém entra ou sai. Como vocês vão poder agir, a segurança foi mais que dobrada! — Rabe estava preocupada se eles queriam atacar de surpresa, agora não seria mais possível.


— Eu só quero que você arranje um jeito de nos deixar entrar nas muralhas, podemos pagar se for preciso.


— Normalmente, eu acharia que vocês não poderiam entrar, mas basta fingir que alguns de vocês morreram atacados que talvez possa dar certo. — Rabe sugeriu.


— Sabe, você é totalmente diferente do que eu achava. — Rafir não pôde deixar de elogiar.


— Por quê? — Novamente Rabe ergueu a sobrancelha. Rafir estava notando esse costume dela.


— Sabe, meu pai é, ou era, um dos generais mais influentes dentro do reino, ou seja, eu convivi com nobres toda a minha vida. — Ele começou a explicar. — Eu raramente vi mulheres com uma elegância e inteligência como a sua.


Humpf! — Rabe bufou. — E como eu deveria agir, como uma vadia?


— É… bem…

Rafir começou a gaguejar, como todo homem, ele tinha falado besteira, mas não fazia ideia de como sair dessa.

— Eu só quis fazer um elogio. — Ele desistiu de tentar concertar o erro.


Vendo a cara de arrependido e indefeso nele, Rabe não conseguiu manter a sua raiva.

— Eu não gosto de estar nessa situação, eu não escolhi viver assim. — Ela sentou-se no sofá ao lado dele e começou a falar. — Eu odeio cada segundo que vivo aqui, mas eu aprendi que temos que tirar proveito de cada situação, a dona anterior…

Rabe olhou para Rafir com os olhos marejados e depois, virou-se para encarar a parede.

— A velha era uma pessoa odiosa e sem escrúpulos, mas se você soubesse jogar o jogo dela, poderia viver “bem”.


Rafir não sabia como, mas parecia que Rabe estava falando de algo bem pessoal.


— Sabe, ela dizia: “Homem nenhum dá valor a uma mulher, ele simplesmente reconhece o valor que ela dá a si mesma”. Muito cedo eu aprendi como isso é verdade.


— Olha, eu não sei bem sobre isso… — Rafir não tinha muita experiência nessa área.


— Se você vê uma mulher vestida como uma prostituta, você a trata como tal. Se você a vê vestida como uma princesa, a trata como tal, as coisas são simples assim.

Depois de falar isso, Rabe não olhou para ele e simplesmente ficou ali encarando a parede.


— Não acho que isso seja uma verdade absoluta. — Rafir falou depois de um tempo.


— Será mesmo? — Rabe bufou. — Que jovem nobre casaria com uma mulher como eu?


— Eu casaria. — Rafir deu de ombros.


— Hã? — Rabe levantou a sobrancelha. — E por que você faria uma besteira dessas? — Ela quis saber.


— Você é bonita, esperta, gosto de mulheres espertas. — Ele completou. — Além do mais, você me parece ser uma pessoa boa e ainda me faz lembrar de chocolate, eu gosto de chocolate.


Rabe sorriu com o elogio, porém ficou sem entender a parte do chocolate.

— O que é chocolate?


— É um doce que o Mestre trouxe do seu mundo, é muito gostoso.

Rafir procurou nos bolsos e achou uma pequena barra que tinha vindo junto com as rações.

— Experimente.


Rabe abriu o pacote e deixou escapar um riso.

— É bom? Não parece muito.


— Vai por mim, é. — Ele a encorajou.


Seguindo as palavras do rapaz, ela decidiu experimentar.

— Nossa, é muito bom mesmo! — Ela falou com a boca cheia d’água.


— Ele tem de todo jeito, branco, preto, rosa, mas o meu preferido é esse. — Ele falava e gesticulava ao mesmo tempo. — Agora ele me lembra você.


— Não crie muitas esperanças, eu não sou do tipo que você iria querer ficar para o resto da sua vida. — Rabe riu sem querer e quebrou o clima.


— E você acha que eu sou um cara bonzinho? Somos 12 homens tramando matar 5 mil!  

Dessa vez foi Rafir quem riu.

— De jeito nenhum isso vai acabar bem, quando atacarmos, não sobrará nada além de um rio de sangue, eu sou um Caveira, é isso que eu faço! Quantas mulheres ficariam tranquilas perto de mim se soubessem disso?


Rabe não sabia o que falar.


— Bom, existe mais alguém que você queira salvar aqui nessa cidade? — Rafir mudou de assunto.


— Sim, algumas pessoas. — Ela respondeu.


— Olhe. — Rafir tirou um pequeno vidro com um líquido transparente. — Essa é uma tinta especial, só nós podemos ver.

Ele pegou uma lanterna de luz negra e mostrou.

— Quando o dia do ataque chegar, peça para que eles passem isso em suas portas e não saiam de casa. Senão vão morrer.


— Certo. — Ela segurou o frasco com cuidado.


— Estou indo, os vidros com óleo estão prontos? — Rafir lembrou-se de um dos motivos de ter vindo.


— Sim, há uma caixa lá em baixo, é só levar.


— Vamos nos preparar, amanhã à noite será o dia — avisou —, esteja pronta.


— Estarei. — Ela respondeu resoluta.



***

 

— 10 claymores, 30 granadas, 1 lançador RPG com 8 munições, 500 gramas de C4, 100 garrafas de Molotov, 2.500 cartuchos de 5.56 e 3.000 de calibre 22, além de 200 9mm. — Juno contava os equipamentos.


— Ainda temos os remédios, as granadas de sono e as de fumaça e alguns fogos de artifício. — Deme completou.


— Bom, o fato é que não temos tanta munição sobrando, os inimigos são mais de 5.000. — Rafir suspirou. — Temos que ser espertos ou não vamos voltar para casa.


— Se todos estivessem juntos, seria muito melhor. — Cam falou.


— Sabem aquela torre no centro da cidade? — Rafir lembrou.


— Aquela que fica dentro da segunda muralha? — indagou Deme.


— Sim, ela fica de frente aos alojamentos, e se ela tombasse? — Rafir sugeriu.


— Ela também é o depósito de armas, se caísse seria muito bom. — Juno lembrou. — se fizéssemos em duas partes seria melhor, depois que a torre caísse, todos os soldados seriam chamados. seria a hora perfeita!


— Senhores… acho que temos um plano! — Rafir riu.

 


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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