VM – Capítulo 139 – Os 12 imortais. Parte 13.


 

 


— Boa sorte. — Rafir desejou aos demais companheiros que entrariam na cidade. Ele e Deme decidiram ficar para trás e só entrarão durante a noite quando a batalha estivesse bem próxima de começar.


— Para vocês também. — Cam respondeu na sequência. — Vamos começar às 9:00 pm como foi combinado.


Rafir e Deme se esconderam em uma pequena trincheira cercada por arbustos, eles já estavam completamente armados e uniformizados, ou seja, prontos para lutar. Agora só lhes restava aguardar o momento que pouco a pouco se aproximava, o lugar era apertado e insalubre, mas resolvia a situação. Foi uma longa tarde de espera.

 

***


— SENHOR! SENHOR! — Cam gritava agarrado as roupas do guarda no portão.


Dentre todos os Caveiras nessa missão, Cam era de longe quem tinha a melhor atuação. E agora enquanto tentava convencer o guarda a deixá-los entrar, ele não tinha apenas lágrimas nos olhos, ele tinha verdadeiros rios!


— Meu nobre capitão! — Ele elogiava o guarda. — Nós perdemos dois homens nessa noite, as feras beberam todo o sangue deles e esfolaram suas preciosidades, não podíamos fazer nada além de escutá-los gemer e pedir ajuda! — Cam não tinha escrúpulos, mesmo os rapazes tinham que reconhecer o quão boa era a performance.


— Não! — O guarda foi duro. — Temos ordens superiores, nenhum forasteiro vai entrar e muito menos dormir dentro das paredes! Se quisesse resolver algo aqui dentro devia ter vindo enquanto ainda era cedo! — O guarda tentava se desfazer das garras de Cam.


— Por favor, nobre senhor. — Ele chorou intensamente. — Não podemos passar outra noite fora, olhe isso, são todas as nossas economias! — Cam chacoalhou um pequeno saco de pano na frente dele. — São 15 moedas de ouro.


— O que você disse? — A expressão do guarda mudou totalmente.


— Eu tenho 15 moedas de ouro, tome meu senhor! — Cam empurrou o saco para as mãos dele. — Por favor, deixe-nos entrar, eu não suporto mais ficar do lado de fora.


Após checar o conteúdo da sacola o guarda “amoleceu” o coração e disse: — Está bem, mas vocês não podem ir muito além dos portões, e se forem pegos andando pelas ruas à noite… não me culpem por serem mortos.


— Sim, claro, claro. — Cam enxugou as lágrimas e demonstrou um claro sinal de tranquilização. — O senhor não vai se arrepender!


— Ande logo. — O guarda exigiu enquanto escondia o dinheiro. — Suma da minha frente.


Os soldados infiltrados mantiveram o ato e puxaram as carruagens para dentro das muralhas.


— Eu sou ou não sou bom? — Cam perguntou com um sorriso nos lábios.


— O que há de bom naquilo? Eu quero ver essa noite. — Juno bufou.

 

***


Minuto a minuto, segundo a segundo, a apreensão e a expectativa crescia dentro dos jovens guerreiros de Atlantis. Quando o sol se pôs, eles entraram nas carruagens.


— Agora são 7:00 pm, cada dupla procure suas posições. — Os rapazes olharam para os seus relógios e os sincronizaram.

— A hora “H” será às 9:00 pm, mas todos devemos estar a postos antes disso. AVE IMPÉRIO!


— AVE IMPÉRIO! — Os outros repetiram em uníssono.

 

***


— Você tinha que trazer algo tão pesado? — Cam bufou para Juno.


Além de toda farda e equipamentos, Juno tinha feito os dois carregarem um caixote com mais de 100 garrafas de coquetel Molotov.


— Não reclame, eu vou deixar você jogar algumas também.


— Sabia que você tem sérios problemas com fogo?


— Eu não. — ele negou.


— Sei, sei. — Cam balançou a cabeça, não adiantava discutir.

— Estamos perto do prédio?


— Sim, estamos sim.

 

***


Guhhh! Uma lâmina negra cortou a garganta de um patrulheiro que fazia sua ronda perto dos portões.


— Esse é o último, vamos escalar. — Rafir falou para Deme.


Com experiência os dois jogaram os ganchos na muralha e escalaram as paredes.


— Vamos até o bordel e nos esconderemos lá até o show começar.

 

***


Soius e Jarmu foram os dois selecionados para explodir a torre.


— Soius, você sabe plantar os explosivos? — Jarmu perguntou incerto.


— Eu fiz uma vez no treinamento. — Ele respondeu.


— Só no treinamento? — Jarmu suou frio.


— Sim, mas eu me lembro bem. — Soius o tranquilizou.


— Você sabe que se isso der errado nós dois vamos morrer, não sabe?


— Está com medo?


— Um louco com explosivos, quem não estaria?


— Hehehe — gargalhou Soius. — Espere até eu contar aos outros.


— Eu direi que é mentira.


Enquanto discutiam “futilidades”, os dois Caveiras percorriam os becos e vielas da cidade. Devido ao medo de serem mordidos/estuprados, os guardas do Reino Central só saíam às ruas à noite se fosse extremamente necessário.

 

***


Toc, toc, toc. Rafir levemente bateu em uma porta. Alguns segundos depois, um fino feixe de luz iluminou a viela vazia.

— Você está tão diferente. — Rabe notou.


— A farda muda um homem. — Ele zombou. Essa era a primeira vez que ela o via de uniforme e como se não bastasse ser a sua farda preta, ele estava completamente equipado e com o rosto pintado.

 

— O que isso significa? — Ela apontou para o broche na boina negra.


— Que os homens maus não fazem ideia de que Nós é que somos maus de verdade. — Ele riu.


— Então, como vai ser? — Rabe quis saber.


Rafir olhou no relógio e disse: — Daqui a pouco vamos começar.


— Como sabe?


— Sabendo. — Ele riu, era difícil explicar.

— Deme, pergunte se o drone está perto de ser lançado.


Deme se afastou um pouco e perguntou pelo rádio.


— Rabe. — Rafir falou olhando para o pulso.


— Oi.


— Tampe os ouvidos, daqui a pouco o barulho vai começar.


— O quê?


— Drone no ar, bomba para o horário previsto! — Deme retornou.


— Obrigado, Rabe é melhor tapar os ouvidos. — Ele aconselhou novamente.


Meio a contragosto a moça obedeceu. Uma pequena contagem se iniciou de forma regressiva. 3… 2… 1… Quando o relógio chegou pontualmente às 9:00 pm um som ensurdecedor reverberou por toda a cidade.


Boom!!!

 

***


Soius e Jarmu estavam abrigados a uma distância segura da torre, o problema era que a torre não caiu.


— Você não disse que sabia o que estava fazendo? — Jarmu estava claramente indignado.


— Eu só tinha 500 gramas de explosivo, coloquei 250 gramas em duas. Mas como eu ia saber que a torre tinha 8 colunas?


— Não importa, ela não caiu! — Ele bufou.


— Ela está balançando, acho que cairá com o vento. — Soius notou.

 

— Cairá com o vento, isso não é uma árvore!


— Deixa de drama e me dá uma granada.


Tomando uma granada das mãos dele, Soius puxou o pino e imediatamente a jogou mirando dentro do buraco feito pela explosão anterior. Booommmm! Outro estrondo ecoou.


— Deu certo! — Soius estava animado, ele não tinha posto fé que aquela granada iria conseguir derrubar o restante da torre.


Perdendo sua sustentação, a torre começou a se inclinar perigosamente para o lado dos alojamentos e com um rangido final, rompeu o limite de retorno. Nesse momento, a gravidade fazia o seu papel fundamental na natureza.


Boom!!!


Dessa vez não houve fogo ou fumaça, mas em compensação, uma nuvem de detritos tomou conta da cidade inteira. O tremor chacoalhou tudo, as construções mais frágeis caíram.


— Torre no chão. — Soius reportou no rádio.

 

***


— Senhores, 20 minutos para o segundo passo. — Rafir respirou fundo. — Não há mais volta. Ave Império!


— Ave Império! — Os Caveiras retornaram sabendo que o momento decisivo havia chegado.

 


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | Revisor: Ma-Chan | QC: Delongas



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