VM – Capítulo 140 – Os 12 imortais. Parte 14.


 

A terra tremeu em toda cidade, cada soldado que havia correu para o local. Mesmo após alguns minutos, uma nuvem de poeira ainda pairava no ar.

Quando Rafir e Deme iam sair, uma patrulha com mais de 50 homens passou pela rua em direção à torre caída.

— Tem certeza de que vai agora? — Rabe suspirou temendo o pior. — Com todos lá não será fácil.

— Fácil foi o dia de ontem. — Ele riu. — Cada dia uma guerra nova.

Rabe revirou os olhos. — Vocês homens não sabem quando recuar?

— Não recuamos nem para pegar impulso. — Rafir respondeu e Deme afirmou dizendo: — Caveira!

***

— O que aconteceu? — O comandante Bratus perguntou assim que chegou aos escombros.

— Senhor, também não sabemos. — Um guarda que estava perto respondeu. — Nós escutamos um barulho e depois… tudo veio abaixo!

Bratus tinha o cenho franzido, ele ainda estava assimilando a situação quando outro guarda chegou eufórico. — Senhor, a torre caiu em cima dos alojamentos!

“Merda!” Bratus amaldiçoou em pensamento. Se a torre caiu, ela caiu em algum lugar. Devido ao choque inicial em ver os escombros, ele nem pensou onde ela caiu. — Ele estava lotado, temos alguns mortos?

— Não posso dizer com exatidão quantos de nós estavam nos alojamentos, pois os responsáveis do turno estavam lá dentro, pelo nível da destruição, há muitos mortos.

— Chamem todos os soldados para cá, vamos procurar por sobreviventes. — Ele gritou.

Uma agitação de soldados começou a remover as pedras do local e devido a toda barulheira provocada por tal aglomeração de pessoas, nenhum deles se deu conta do zumbido diferente pairando no ar à 50 metros de altura.

***

Assim como um mágico atrai a atenção do público para um canto e faz a mágica em outro, os Caveiras enganaram. Como se o inimigo estivesse no centro de um relógio, os Caveiras iriam concentrar o seu poder de fogo às 12 horas, contudo somente 4 deles é que seriam visíveis.

Como o objetivo da missão foi mudado às pressas, eles não tinham um equipamento ideal para a tarefa, na verdade, a maior parte da munição disponível era um mísero calibre 22.

A solução encontrada para contornar esse problema foi chamar a atenção para um lado enquanto atacavam por dois. Enquanto os disparos eram vistos e ouvidos na posição de 12 horas, na posição de 6 horas outros 4 Caveiras faziam a limpa discretamente do alto de um prédio. Outra coisa que ajudava muito é que por ser um calibre bem menos potente, o som de um disparo com silenciador é quase imperceptível.

Nenhum dos soldados do Reino Central perceberia que estavam sendo mortos por duas vias diferentes, na verdade eles ainda estavam em um estado de atordoamento quando os primeiros disparos foram ouvidos.

* Tiro * Tiro * Tiro *

O barulho e os clarões repentinos surpreenderam os soldados comuns do Reino Central, demorou vários segundos para eles assimilarem a relação entre um clarão e um companheiro caindo morto.

Muitos deles ficaram em choque, não havia flecha ou adagas voando. Ninguém via nada, em apenas um piscar de olhos um companheiro ao lado recebia uma “pancada” e caía no chão com um grande buraco ensanguentado, às vezes uma névoa rubra era vista no mesmo instante da “pancada”, mas fora isso ninguém sabia o porquê disso.

— Recuem, rápido recuem! — O comandante Bratus acordou de seu estupor e gritou, ele podia não entender a situação completamente, mas sabia o que tinha de fazer.

Aglomerados atrás dos escombros, os soldados começaram a revidar; bom, ou ao menos tentaram, como tinham sido pegos de surpresa, os poucos arqueiros não tinham mais que 20 flechas em suas aljavas e o resto apenas jogavam inutilmente pedras na direção dos atacantes.

— Senhor, não estamos acertando nenhuma daquelas coisas! — O escudeiro de Bratus gritou em meio a confusão.

Bratus rangeu os dentes de raiva. — Retirada, vamos para o palácio! — Normalmente essa cidade era inexpugnável, ela tinha duas grandes muralhas em linha, porém por ironia do destino, ela não servia de nada se os inimigos já estivessem dentro delas.

— Azul 1, a encomenda está a caminho — Um dos rapazes avisou.

Como uma simples retirada dessas não poderia ser prevista por aqueles que foram ensinados pelo próprio imperador?

— Tudo pronto aqui, corredor polonês pronto! — Naturalmente, Rafir era o Azul 1.

Ele não tinha se juntado no confronto, pois estava montando uma armadilha na rua lateral.

Mesmo com a retirada sendo permitida pelos Caveiras, isso não queria dizer que eles não cessaram o fogo. Segundo a segundo os corpos caíam no chão! Centenas deles se espalhavam fazendo com que os soldados tropeçassem nos seus companheiros.

Outra coisa a se notar era que nenhum deles percebeu os disparos vindo por trás, nem mesmo os próprios mortos souberam como deixaram esse mundo.

Mesmo sendo abatidos com facilidade, os soldados conseguiram entrar na rua lateral.

Rafir e Deme tinham arrombado uma casa qualquer no final da rua e esperaram sem a menor preocupação.

— Azul 1, mais de 50% da tropa passou pela rua. — Rafir recebeu o aviso.

Ele não pôde deixar de sorrir quando escutou. — Procurem abrigo, hora do show! — Ele passou pelo rádio, então apertou um controle remoto.

* Boom! * Boom! * Boom! * Sucessivamente as claymores foram explodindo!

O corredor polonês era logicamente uma rua repleta de bombas.

As claymores por sua definição eram minas, mas não do mesmo tipo que as minas terrestres, ou seja, elas não precisavam ser enterradas, e também não faziam uma bola de fogo. A beleza macabra no funcionamento dessa arma eram as suas 700 esferas de aço disparadas em um ângulo de 60º, o poder efetivo poderia alcançar até 90 metros. Porém, o máximo que ela precisava era apenas os 12 metros da largura que a rua tinha.

Uma a uma elas explodiram até que a décima terminou o serviço em mais de 400 metros de rua.

Quando o último “Boom!” foi ouvido, Bratus não acreditou no que viu, mais da metade dos seus homens foram perdidos em segundos.

Eles simplesmente viram uma peneira ensanguentada na sua frente, sabe se lá quantos buracos eles tinham, nem mesmo suas mães poderiam reconhecê-los agora.

O odor pungente de carnificina se espalhou por toda a cidade, mesmo agora um rio carmesim crescia farto e vigoroso por aquela rua. Para os Caveiras, que vinham logo em seguida, o rio estava na altura dos tornozelos e ganhava cada vez mais volume.

— Continuem suprimindo! — Rafir gritou ao sair da casa, era sua vez de se juntar a ação.

Alguns poderiam até pensar que essa visão Infernal os assustaria ou no mínimo causaria algum desconforto, mas infelizmente esses não.

Depois de serem forjados pelo martelo impiedoso de Tyler, eles eram seus anjos da morte! Ceifar a vida dos seus inimigos era uma forma de respirar.

Disparo após disparo o exército do Reino Central caiu em frangalhos, nenhuma ordem dada era obedecida, cada um tentava da melhor forma possível tentar se salvar, todavia a desgraça nunca anda só e eles apenas caíram em outra armadilha.

— Vermelho 2 eles são todos seus! — Rafir falou no rádio.

Juno, que era o Vermelho 2, pulou de alegria. — MOLOTOV! — Ele gritou o mais alto que pôde.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | Revisor: Ma-Chan | QC: Delongas



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