VM – Capítulo 142 – Os 12 imortais. Parte 16.


— Que merda… — Deme suspirou.

Os dois estavam de semblante abatido, depois das descobertas, ambos sentaram em luxuosas poltronas e ficaram pensando no que fazer.

Por um golpe de sorte, ou azar, eles descobriram que os planos da invasão estavam muito mais adiantados do que previam. Se essa missão tivesse sido apenas uma noite atrasada, com certeza as coisas não teriam sido fáceis como estavam sendo.

— Sim, precisamos ir embora o quanto antes. — Rafir respondeu.

— E quanto a ele? — Deme apontou para Bratus.

O antigo e outrora orgulhoso comandante da cidade fortificada de Mitraz agora não era nada mais que um monte de carne moída no chão, mesmo depois de confessar tudo o que sabia, ele foi espancado de preto e azul pelos dois Caveiras. Apesar de vivo, Bratus era só isso mesmo, alguém vivo.

Nunca esteve nos planos deles deixar um homem daqueles sair ileso, se o próprio Bratus soubesse qual era o seu destino, ele teria se matado antes dos Caveiras chegarem.

— Antes de sair, podemos pendurá-lo na entrada da cidade. — Rafir deu uma opção.

— Pode ser, mas não acho tão impactante, afinal é a nossa primeira missão, devemos deixar uma grande impressão nos nossos inimigos.

— Concordo, vá pensando em algo bom. — Rafir acenou e pegou o rádio. — Atenção todos, temos que nos apressar uma tropa de elite está vindo pela manhã, vamos fazer de tudo para partirmos antes deles chegarem.

— Copiado.

— Entendido.

— Certo.

Aos poucos cada um dos rapazes retornou com um sinal de que tinha recebido a mensagem.

— Cam, eu queria que você montasse o rádio e tentasse estabelecer contato com o Império.

— Vou cuidar disso agora mesmo! — Cam falou.

— Obrigado.

— E nós, o que vamos fazer? — Deme quis saber.

— Reunir todos os documentos e ouro que tiver nessa mansão e tocar fogo no resto. — Rafir foi claro.

***

Já passava das 4 horas da manhã quando os disparos foram ficando cada vez mais esporádicos, parecia que a batalha de Mitraz estava chegando ao seu fim.

— Como está o resgate dos civis? — Rafir perguntou.

— Quase todos prontos. — Juno respondeu.

— Ótimo, pegue os cavalos do exército e dê a quem pode cavalgar, senão coloque-os em carruagens, não os deixe levar muito peso, temos que andar rápido.

— Entendido.

Assim, Rafir voltou até o bordel, a cidade estava transformada. A maioria dos incêndios ainda não tinha acabado, logo o ar estava poluído com uma mistura de fumaça, sangue e carne humana queimada.

Toc toc toc.

Em menos de meio segundo Rabe abriu a porta.

— Estava me esperando? — Ele riu.

— Não. — Ela responde com a voz fraca.

Depois de olhar mais atentamente, Rafir percebeu que a mulher estava com o semblante bastante abatido.

— Olha eu… — Rafir estava em meio de explicar os motivos da sua vinda, quando disparos foram escutados longe.

Phaa!! Phaa!!

— Ahh! — Rabe se assustou e abraçou Rafir.

— Você está bem? — Ele quis saber.

— Sim, eu só… — Ela começou a falar incerta. — Que barulhos são esses? Eu os escutei à noite inteira.

— São as nossas armas, desculpe, eu devia ter te avisado que teria muito barulho hoje.

— Vocês estão bem, alguém está ferido? — Rabe parecia genuinamente preocupada.

— Sim, estamos bem. Não há ninguém ferido.

— Que bom. — Rabe suspirou aliviada.

— Você não foi lá fora, não é?

— Não.

— Menos mal, as coisas estão um pouco feias, é melhor você não ver se tiver estômago fraco, e sua sobrinha também.

— O que vocês fizeram? — Rabe arqueou a sobrancelha do jeito que ela sempre fazia.

— O que fomos treinados para fazer… — Rafir não deu detalhes. — Eu vim lhe avisar que os nossos planos mudaram um pouco, vamos sair logo ao amanhecer, tente levar o mínimo possível de peso quando estivermos indo embora.

— Bratus foi morto? — Rabe quis saber.

— Ainda não, mas está sob nosso controle.

— Pos… posso te pedir algo?

— Se eu puder.

— Eu quero matá-lo. — Rabe foi firme, até se podia ouvir um toque de ódio em sua voz.

— Por quê?

— Eu tenho meus motivos, vai deixar ou não?

— Já matou alguém antes?

— Não…

Rafir olhou nos olhos dela e viu o quão decidida ela estava, ele sabia que a vida dela não tinha sido nada fácil e devia ter os seus motivos para querer fazer isso. — Não vou lhe dar nenhuma lição de moral, mas eu só quero que você pense bem antes de fazer isso.

— Eu já pensei, eu quero fazer isso.

— Está bem, eu tenho que me reportar ao imperador Newman agora, em meia hora eu volto e te levo até ele. — Rafir afirmou.

— Ei… — Rabe o chamou antes que ele saísse.

— O que é?

— O que é meia hora? — Ela perguntou confusa.

— Desculpe, é uma medida de tempo. — Rafir balançou a cabeça. — Eu volto aqui quando for a hora certa.

***

— Azul 1 reportando.

— Estou ouvindo. — A voz poderosa e inconfundível de Tyler soou do outro lado.

— Hoje durante a missão descobrimos muitas coisas importantes, gostaria de relatar.

— Prossiga. — Tyler pediu.

— Parece que a sorte estava do nosso lado hoje, pela manhã é prevista a chegada de 500 soldados de elite do General Verdus e o resto das tropas chegarão no decorrer da semana. Parece que a invasão ia acontecer bem mais rápido do que prevíamos.

— Pelo menos com nossas ações hoje vamos atrasar os planos deles por um bom tempo, ou até fazê-los esquecer. Recolheu mais algumas informações úteis?

— Há um monte de documentos aqui, mas não temos tempo para avaliar a importância de cada um deles e fora isso conseguimos recuperar todo o tesouro da cidade.

— Quanto de dinheiro estamos falando?

— Mais de 70.000 moedas de ouro.

— Nossa… — até mesmo Tyler não pôde deixar de suspirar, essa era uma quantia alta mesmo para os fundos do Império, isso só provava o quanto o Reino Central era rico.— Ótimo, traga tudo o que puder, e tente sair antes do nascer do sol. Acho que a cidade em chamas não vai passar despercebida pelo general Verdus.

— Eu estou ciente disso, vamos usar os cavalos deixados pelo exército para fugir.

— Vocês ainda têm alguns explosivos sobrando? — Tyler quis saber.

— Acho que no momento temos apenas algumas granadas e os RPGs. — Rafir tentou lembrar.

— Então faça algumas armadilhas com as granadas e se o exército ainda estiver na sua cola, deixe alguém para trás com o RPG. Ele pode alcançar vocês depois.

— Vamos fazer isso. — Rafir assentiu.

— Ótimo, nos encontramos na fronteira.

***

Depois de receber a mensagem, Tyler se encostou na cadeira e ficou olhando para o teto.

Graças a Deus tudo tinha corrido bem, e nenhum dos seus homens estava ferido. Ele tinha ficado a noite inteira esperando por notícias, mas nunca esperou que as duas delas fossem tão chocantes assim.

A primeira era que se ele tivesse esperado mais uma semana, talvez tivesse sido pego desprevenido em uma guerra, já a segunda era sobre a enorme quantia de ouro que tinha ganhado como despojo.

70.000 moedas de ouro eram uma quantia impressionante, e agora que ele estava expandindo constantemente as cidades do Império, o consumo de recursos públicos era maior do que nunca, apesar dele saber que no médio e longo prazo o retorno era certo, ele ainda precisava de dinheiro.

Não era a toa que o Império Romano era um estado que se sustentava de guerras e expansão territorial, a guerra pode ser muito lucrativa.

Porém, não era a hora de pensar nisso, mas de assegurar sua vitória.

— Acorde os homens, partimos em 30 minutos! — Tyler falou para o soldado que estava na porta da sala.


 

Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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