VM – Capítulo 145 – Os 12 imortais. Parte 19.


Rabe:

Meio dia após terem deixado a cidade de Mitraz para trás, eles ainda não tinham chegado na fronteira. As carruagens com as pessoas diminuíram muito a velocidade do grupo.

— Set disse que vê uma nuvem de poeira se erguendo a uns 8 quilômetros. — Rabe pôde escutar Cam informar a Rafir.

Ambos cavalgavam ao lado da carruagem que ela estava.

— Droga, eu pensei que teríamos mais tempo antes da cavalaria nos encontrar. — Rafir estava visivelmente frustrado. — Vamos deixar uma dupla aqui com um RPG, temos que ganhar tempo.

Ouvindo as ordens, Cam chamou Deme e foi para a retaguarda do comboio. — Espere! — Rafir gritou de última hora. — Estou recebendo uma transmissão do comando, vamos encontrar com a força principal em 5 minutos!

Rabe às vezes se sentia entrando em um mundo totalmente novo, na maioria dos casos ela nem sabia o que estava acontecendo. Pelo o que ela pôde absorver, as tropas do general Verdus estavam quase alcançando-os, mas por sorte o reforço estava bem mais perto.

Haeee!!! Um brado de alegria passou pelos rapazes, para eles a missão estava quase terminada, e o mais importante, era que todos saíram com vida.

— Se sente com sorte? — Rafir tinha um sorriso no rosto enquanto perguntava.

— Ultimamente sim. — Ela respondeu igualmente feliz.

— Muito bem, daqui a 5 minutos você vai conhecer o nosso imperador!

— 5 minutos? — Rabe levantou a sobrancelha.

— … é pouco tempo. — Rafir soltou um sorriso depois de lembrar que ela não sabia ler as horas ainda.

***

Rabe ficou perdida em seus pensamentos enquanto ansiosamente olhava para a estrada em sua frente.

— Eles chegaram! — Ela ouviu Rafir gritar em alegria, porém continuou sem ver nada, então aos poucos ela viu uma estranha carruagem cor de terra aparecer.

— Tia o que é isso? — Sua sobrinha perguntou.

— Não sei… — Rabe balançou a cabeça, aquilo era novidade para ela também.

Pouco a pouco aquela estranha carruagem se aproximou, quando sua vista ficou melhor, ela percebeu que eram várias, todas andando em fila única.

— Alto! — Rafir gritou e todos os cavaleiros pararam.

— Bom trabalho! — Um jovem alto e forte saiu da primeira carruagem e saudou a todos.

— Senhor! COMANDOS se apresentando, missão cumprida! — Rafir se apresentou com o resto dos soldados e fez aquele sinal de respeito com a mão direita que havia lhe ensinado.

— Quem é aquele homem, tia?

— Acho que ele é o novo rei. — Rabe não tinha muita certeza, contudo era o que ela supunha apenas lendo o ambiente.

— Ele é tão jovem, parece ser da mesma idade que os outros. — Brandis notou.

Rabe também tinha notado isso, ela sabia através de um rumor e outro que esse homem na sua frente na verdade era um velho que tinha tomado algum tipo de poção mágica, ela só não esperava que ele parecesse estar na casa dos 20.

Além dele parecer tão jovem, ela tinha que admitir que ele era muito bonito. Seu rosto quadrado e reto lhe dava uma feição jovem e justa, ele não era diferente das histórias contadas onde os heróis salvam princesas… apenas seu olhar era diferente.

Ele transmitia um misto de sabedoria e poder, era como se naturalmente você se visse inclinado a lhe obedecer.

— Você deve ser Rabe, estou certo? — Uma voz poderosa e gentil a tirou de seus pensamentos.

— Hum… Ah! — Quando Rabe deu por si, viu Tyler a poucos passos de distância. — Sim, meu senhor! Este é o nome da tua serva.

— Obrigado. — Tyler fez uma leve reverência. — Pelo que você fez a meus homens e pelo meu império, eu não vou me esquecer disso. Tanto você como as pessoas que vieram junto, serão bem tratadas, eu prometo que nada vai lhes faltar e que também vou lhe recompensar grandemente.

— Essa serva agradece. — Foi tudo o que ela conseguiu dizer antes que as lágrimas começassem a rolar livremente do seu rosto.

— Não, o que você fez não foi simples. — Tyler estendeu a mão e a confortou. — Saiba que você poupou a vida de milhares de pessoas, muitos podem lhe ver como uma traidora, mas eu lhe vejo como uma salvadora. Meu reino está em débito com você, eu estou em débito com você e saiba que eu pago meus débitos.

Enquanto Rabe chorava, ela não percebeu a figura pálida de uma pequena jovem se aproximar de ambos.

— Mestre, os inimigos estão chegando. — Ela disse erguendo uma coisa tão estranha que ela nem imaginava para que servia.

— Todos nos sigam, há uma clareira próxima daqui. — Tyler os chamou. — Siga com seus homens para descansar um pouco. — Ele colocou as mãos nos ombros de Rafir e então continuou. — Esses bastardos comunistas agora são meus.

***

Tyler:

Nº1 tinha ficado no comando de um pequeno drone, foi com ele que ela encontrou os rapazes retornando da missão, mas infelizmente ela também tinha visto os inimigos em seus encalços.

Pouco tempo depois deles se estabelecerem na clareira, o exército do Reino Central chegou, Tyler tinha que admitir, mesmo para ele que tinha uma vivência de mundo totalmente diferente, era uma visão e tanto ver uma cavalaria com 500 soldados.

O comandante adversário sabia que o reforço tinha chegado e uma batalha por vingança era bem mais difícil.

Agora cada um dos exércitos se encaravam, as rixas e os ressentimentos de gerações eram palpáveis no ar. Cada lado lembrava de alguma desavença do outro e apesar de nunca terem ido em uma guerra total, não faltaram pequenos e localizados conflitos que geraram toda essa discórdia.

— O general inimigo está indo para o centro do campo. — Um soldado avisou.

— Obrigado. — Tyler agradeceu ao soldado e disse. — Vamos lá ver o que ele quer.

Ele e Rafir pegaram dois cavalos e foram até o centro do campo se encontrar com o general.

— Patrulhando a fronteira? — Tyler perguntou com um sorriso ao homem a sua frente.

— Seu maldito, não pense que você vai sair impune! O Reino Central devolverá essa afronta mil vezes! — Verdus bufava de fúria.

Tyler se fez de desentendido e perguntou a Rafir. — Sabe do que ele está falando?

— Não senhor, não faço ideia. — Rafir entrou no jogo e balançou a cabeça negando.

— O senhor poderia me explicar um pouco melhor? — Ele pediu.

— Verme imundo, não pense que depois de destruir uma cidade inteira nossa nós vamos ficar quietos. Você acaba de declarar a morte para o seu reino.

— Tenente Rafir, ainda não sei do que esse homem fala.

— Eu também não sei.

— Eu falo disto! — Verdus bufou com raiva e jogou uma bandeira azul royal no chão.

— Ah… — Rafir falou como se estivesse surpreso. — Senhor ontem eu e os rapazes tivemos um pequeno desentendimento e houve uma pequena briga, não foi nada demais. — Ele balançou a cabeça como se estivesse confuso. — Eu não sei o porquê de tamanho alvoroço.

— Pequeno desentendimento um inferno! — Verdus gritou. — Eles mataram covardemente 5.000 homens e destruíram a cidade de Mitraz até que não houvesse uma casa de pé.

Tyler fingiu estar surpreso e disse firme. — O que é isso, eles são nossos vizinhos, como vocês puderam fazer algo assim? Você e seus homens vão ficar esse mês sem receber seus salários, e nem pensem em promoções tão cedo!

— Eu entendo majestade, eu admito meus erros. — Rafir falou humildemente.

— Bom, agora que as providências foram tomadas, acho que tudo se resolveu. — Tyler riu. — Tenha uma boa tarde. — Sem falar mais nada ele virou o seu cavalo e começou a sair.

— Acha que pode sair assim? — Verdus já estava fora de si há muito tempo, e a atitude desdenhosa de Tyler só piorava a situação e em parte o fez acreditar que tudo tinha sido um golpe de sorte, talvez em uma guerra de verdade ele não seria capaz de replicar o mesmo feito de novo.

— Está me ameaçando? — Tyler virou-se e encarou o homem enfurecido.

— Não, isso é uma promessa, eu pessoalmente vou fazer meu exército marchar sobre os corpos do seu povo, vamos escravizá-los e…

— Cavalo. — Tyler interrompeu o discurso enlouquecido do homem.

Verdus não entendeu. “Ele me chamou de cavalo?”

Era uma pena para Verdus, mas aquela palavra não foi dita para ele, mas sim para um atirador de elite.

Enquanto o general tentava descobrir a intenção daquela palavra um disparo de calibre .50 atingiu a cabeça do cavalo em que ele estava montado.

Tyler achou que seria cômico se não fosse trágica a morte do animal, o pobre cavalo não soube o que lhe atingira e sucumbiu em um instante e como se fosse uma cena de desenho animado o bicho abriu as pernas e tombou ali mesmo, derrubando o general.

Tyler desceu do seu próprio cavalo e andou tranquilamente. — Nunca mais ouse me ameaçar ou ameaçar o meu povo, acho que você deve ser esperto o suficiente para saber que podia ser você no lugar do seu cavalo.

Verdus ficou aterrorizado e recuou alguns passos.

— Já que quer tanto uma vingança, vamos fazer o seguinte. — Tyler propôs. — Vamos fazer um duelo, eu lutarei um a um com quantos candidatos você trouxer, pode ser um ou cem, eu não me importo. Por uma semana eu ficarei aqui e lutarei quantos duelos você propor.

Um brilho de esperança correu pelos olhos de Verdus, ele sabia que a tropa negra estava a dois dias de distância, qualquer um deles seria mais que o suficiente para lidar com um idiota arrogante como esse. Afinal, aqueles homens podiam lutar de igual até contra ogros. — Eu aceito, mas serão aceitos apenas lutas com espadas ou punhos.

— Não queria nada melhor. — Tyler sorriu.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



 


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