VM – Capítulo 148 – Banho… de sangue! Parte 1.


— Bom dia. — Tyler cumprimentou Rabe. — Já comeu alguma coisa? — Ele quis saber.

— Ainda não, majestade. — Rabe respondeu assim que entrou na barraca.

Já fazia alguns dias desde que ela tinha chegado no acampamento, mas era a primeira vez que tinha sido chamada por Tyler para uma conversa a sós.

— Então, tem gostado de ficar no nosso acampamento? — Tyler lhe serviu uma xícara de café, agora ambos estavam sentados em uma pequena mesa de camping. — Eu sei que as acomodações não são as melhores para damas.

— Sim, sim! — A jovem se apressou em responder. — Eu não poderia esperar nada melhor, obrigado por todo apoio que vem-nos dando.

— Então, quais são os seus planos para o futuro, onde você vai morar?

— Eu só quero ter uma vida calma, consegui trazer uma quantidade razoável de dinheiro quando fugi, acho que é o suficiente para comprar uma casa simples no campo e viver por anos sem me preocupar.

— Eu tenho uma proposta. — Tyler tomou um gole da bebida e continuou. — Nos meus planos atuais, eu não quero entrar em guerra contra o Reino Central, não que tenhamos medo dele. É só que uma guerra agora iria tirar o meu foco de tarefas que considero mais importantes. — Tyler ainda estava focado em voltar para a Terra, ele tinha que trazer Calie para junto dele.

— Eu entendo.

— Contudo, estamos nos preparando para essa guerra. Eu considero a inteligência muito importante em uma batalha, e como sabe, é muito difícil arranjar informações verdadeiras sobre o Reino Central, se você quiser trabalhar comigo, prometo uma boa casa na nova capital, uma remuneração excelente e ainda posso colocar sua sobrinha no instituto de ensino do Império.

Rabe tinha imaginado 1001 motivos para ser chamada para essa conversa particular com Tyler, mas nunca imaginou que seria uma proposta de emprego, o que deixava ela mais desconcertada era que ambos sabiam que tudo o que ele ofereceu a ela poderia ser tirado de graça se assim ele ordenasse.

Claro que Rabe estava mais que disposta a entregar tudo o que sabia de mãos beijadas, desde que resultasse na destruição do Reino Central. — Eu aceito. — Ela falou depois de um tempo.

— Ótimo, quando voltarmos você pode descansar um pouco e conhecer a cidade, depois disso vamos trabalhar de verdade.

— Obrigada… — Rabe falou, todavia seu rosto ainda tinha uma expressão confusa.

— De nada, mas você não me parece muito animada. — Ele notou.

— É só que isso tudo não é como eu imaginava, você não é o que eu pensei. — Rabe balançou a cabeça, porém quando pensou no que havia dito, ficou com medo. — Não! Quer dizer… eu…

— Relaxe, eu não vou te enforcar numa árvore por isso. — Tyler riu ao ver o quão nervosa a moça estava.

— Eu não quis ser rude. — Rabe ainda estava um pouco amuada.

— Eu ainda não tenho muita certeza de como as pessoas me veem, eu estou um pouco curioso. — Ele confessou.

— Na verdade eu me decepcionei um pouco… — Rabe começou a falar. — Passei dias ouvindo sobre Vossa Majestade da boca dos seus homens, porém quando eu o vi, o senhor não era nada do que eu tinha imaginado.

— Sério? — Tyler riu. — Pensei que com esse corpo mais jovem eu fosse um pouco impressionante. — Tyler achou toda essa situação muito cômica.

— Não, essa parte é bastante… bem impressionante. — Ela corou um pouco. — O que quis dizer é que sua simplicidade é muito diferente, a forma com que o mestre age é diferente de tudo que eu conheço.

— Sou tão ruim assim? — Ele quis saber.

Tyler sempre tentou ser natural e tratar todos da forma mais correta possível, mas não imaginava que estava passando uma imagem tão errada.

— Não, Vossa Majestade me entendeu mal. O que eu quero dizer é que o mestre é melhor que qualquer nobre que eu conheci, já perdi as contas de quantos vi pessoalmente e todos tinham uma certa arrogância sobre eles. Contudo, o mestre é tão humilde e gentil, devo dizer que desde que cheguei aqui tenho o observado, o senhor nunca foi rude com ninguém e mesmo quando corrigiu algum de seus soldados, fez com muita gentileza e sabedoria, até mesmo as suas acomodações não são luxuosas. — Rabe apontou ao redor e disse. — Veja essa tenda por exemplo, ela não é mais luxuosa do que a dos outros soldados, quando até um simples comandante de tropas do Reino Central teria algo mais confortável. — O rosto de Rabe revelou um brilho de admiração. — Fiquei muito grata quando o senhor me disse que agora eu fazia parte do Império. Eu sempre odiei toda e qualquer realeza, mas com o mestre, eu não me sinto assim, na verdade eu me sinto feliz em estar sob seu reinado.

— Fico feliz que pense dessa forma, eu não sei ao certo como os outros nobres agem. Mas eu sou diferente, eu fui criado crendo que todos somos iguais, então é normal para mim agir assim. — Tyler tentou traduzir um pouco os seus sentimentos, contudo não conseguia encontrar as palavras corretas.

— O pensamento de que todos somos iguais, é muito bonito. Se um dia isso existir, eu morreria feliz. — Rabe olhou distante.

Tyler sabia por alto um pouco da história de vida dela, ele não perguntou, mas podia imaginar o quanto um pensamento que para ele era simples podia abalar todo o modo de vida dela. Ela viveu em uma sociedade completamente segregada, onde a realeza, a nobreza, os plebeus e os escravos estavam em castas tão sólidas e diferentes que era impossível alguém dizer que todos os homens eram iguais.

— Eu vou trabalhar para que seja verdade. — Tyler disse. — Se você quiser que isso aconteça mais rápido, me ajude como puder, me dê as informações das quais preciso.

— Eu vou. — Rabe afirmou resoluta.

Tyler e ela conversaram sobre mais alguns assuntos até que Rafir veio para a tenda. — Senhor, desculpe interromper, mas Lenin e Stalin estão no campo.

— Bom, já era hora. — Tyler sabia bem quem era Lenin e Stalin, esses eram os codinomes para o general Verdus e o cavaleiro negro.

***

Ainda era cedo e o tempo estava úmido, como se pudesse chover a qualquer momento.

— Então. — Tyler se dirigiu a Verdus. — Como vai ser?

O general sentia sua nuca formigar quando estava perto de Tyler, ele sentia que no fundo algo estava errado, mas tentou se tranquilizar, afinal era quase impossível que eles perdessem esse duelo. — Queremos o nosso primeiro duelo.

— Bom. — Por algum motivo, Tyler estava ansioso por uma batalha. — Que tipo de duelo, com espadas e armaduras, sem armaduras, mãos nuas ou com facas? — Ele deu as opções.

* Engole * Verdus engoliu seco quando ouviu Tyler propôr isso de forma tão fácil.

— Mãos nuas que tal? — O cavaleiro negro tomou a frente e disse.

— Certo Stalin, vai ser você mesmo ou outra pessoa do partido? — Tyler zombou.

— Me chamou de quê? — O cavaleiro o fitou com um olhar de ódio.

— Seu nome não é Stalin? — Tyler fingiu estar surpreso, mas nenhum dos dois acreditou nele. — Engraçado você parece muito com ele.

— Meu nome é Zert. — O cavaleiro negro falou com orgulho.

— Tanto faz. — Tyler acenou com a mão sem lhe dar muita bola. — É você ou não?

— Não, um de meus homens vai ser o primeiro. — Zert falou.

— Ótimo. — Tyler se virou e foi até sua barraca ao lado do ringue, mas antes de sair ele perguntou. — Só para lembrar, ainda é um duelo até à morte, não é?

— Oh sim, é sim. — Zert tinha um certo sorriso convencido no rosto que era difícil de apagar, ele estava certo que ainda hoje aquele homem morreria.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



Fontes
Cores