VM – Capítulo 153 – Um atrás do outro!


Clang! Clang! Clang! Pushh!

Depois de três rápidas trocas, Tyler viu uma abertura na postura do seu adversário e desferiu uma poderosa estocada, matando seu primeiro inimigo. Mesmo a poderosa armadura de ferro usada pelo cavaleiro negro não foi capaz de resistir a sua espada, Tyler sentiu como se tivesse usado um machado para abrir uma lata de sardinha.

Aweee!!! Enquanto seu lado comemorava a vitória rápida, o Reino Central mantinha uma expressão escura, mas quebrando a expectativa de Tyler, Verdus e Dokas não se manifestaram de forma alguma, eles apenas acenaram para que o próximo competidor tomasse seu lugar.

O segundo cavaleiro negro tomou o lugar de seu companheiro, com menos de 10 segundos entre o término da primeira partida e o início da segunda. Tyler não teve tempo de descansar… não que ele precisasse.

Clang! Clang! Clang! Pushh! Usando o mesmo número de golpes, Tyler conseguiu derrotar seu oponente. Apesar do número de trocas entre eles tivesse sido igual, esse segundo embate demorou um pouco mais.

Claramente esse segundo cavaleiro observou bem a luta anterior e aprendeu com isso, Tyler tinha que admitir que esse cara não era apenas “um monte de músculos”. Ele não sabia o nome desse cavaleiro, porém podia claramente ver o quanto ele tinha se dedicado a sua esgrima. A luta só não foi mais intensa, pois Tyler sabia como usar todos os seus conhecimentos.

Desde como controlar a sua respiração até a forma correta de caminhar enquanto lutava, ele assimilou um pouco de cada arte marcial que praticava junto com os ensinamentos do rei Otaviano. Tyler sabia muito bem o caminho para se tornar superior as outras pessoas, seja em uma matéria escolar ou em uma habilidade de luta, o segredo era, esforço e prática.

Hoje ele era um atirador acima da média porque tinha atirado continuamente ao longo de décadas! Muito raramente são os gênios que ocupam os maiores cargos, mas sim os esforçados, quando se fala que a prática leva a perfeição, isso é muito verdadeiro. Meio século lidando com armas de fogo e artes marciais fariam Tyler ser um guerreiro nato, quando o rei lhe deu as primeiras lições ele logo pegou o jeito de manusear uma espada.

Tendo um ótimo mestre e uma base razoável, Tyler pôde evoluir em um ritmo muito superior aos demais. Desde que treinou pela primeira vez, ele se dedicou todos os dias para aperfeiçoar-se, uma das vantagens que ele tinha era seu físico.

Para a sua aprendizagem, a melhor parte não era nem sua força sobre humana, mas sim sua falta de sono! Enquanto os outros precisavam dormir, Tyler continuava a trabalhar, seja treinando ou escrevendo planos e leis para o império. Em resumo, cada dia representava o dobro de tempo de uma pessoa comum.

Depois que o segundo guerreiro foi morto, o terceiro tomou seu lugar rapidamente. “Parece que eles querem me pegar pela fadiga…” Tyler suspirou.

O terceiro homem manteve distância e atacava com cautela, Tyler sentiu na pele como é ruim ser avaliado. Cada inimigo aprendia com os erros do anterior e aumentava o nível de dificuldade.

Clang! Clang! As espadas se encontravam no ar soltando fagulhas, o titânio da sua espada produzia brilhantes fagulhas brancas enquanto o aço da espada inimiga produzia simples fagulhas laranjas. Tyler também administrou sua vantagem tecnológica, sua espada e armadura eram muito mais leves e resistentes que a dos outros, menos peso era menos cansaço a longo prazo.

Clang! Clang! Push! Depois de cinco longos minutos trocando golpes, Tyler finalmente derrotou seu adversário. Não foi fácil, contudo ele ficou frio e agiu no primeiro momento de descuido do seu inimigo, o resultado foi excelente. Em uma única apunhalada ele transpassou o corpo do cavaleiro.

Sem tempo para descanso veio o quarto, o quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono e o décimo. Cada um aprendeu com o anterior e dificultou o embate.

Ahh! Vrruu!!! Tyler gritou enquanto girava o corpo com toda a força que tinha, entrando em sentido diagonal a espada cortou de cima a baixo, do pescoço até o peito.

Um jorro de sangue, seguido pelo derramamento de órgãos e vísceras deu um toque cruel e macabro a cena.

*Engole* Tyler engoliu seco enquanto se retirava para o seu lado do ringue.

— Aqui está sua bebida. — Rafir rapidamente ofereceu a água com ervas medicinais que Tyler tinha feito previamente.

— Estamos indo bem? — Tyler quis saber, como ele estava concentrado em lutar, não podia ficar de olho nos comandantes.

— Eles estão começando a ficar impacientes, talvez Vossa Majestade devesse enganá-los e começar a aparentar cansaço. — Ele sugeriu.

“Talvez eu nem precise enganá-los!” Tyler pensou, depois de 10 lutas e mais de duas horas, ele realmente estava começando a ficar um pouco cansado. Isso era novidade para ele, afinal ele costumava treinar com seus soldados por horas a fio e quase nunca derramava sequer uma gota de suor, mas contra esses ogros do Reino Central, ele estava lutando com 100% da sua capacidade a todo instante. — Certo, eu vou tentar. — Tyler respondeu enquanto colocava seu capacete de volta. — Continue vigiando e me informe se alguma coisa mudar.

Quando o décimo primeiro lutador entrou no ringue, Tyler foi ao seu encontro. No meio do caminho ele esticou as costas e se alongou um pouco, embora grande parte do seu cansaço tivesse ido embora quando tomou aquela bebida, serviu muito bem para enganar Dokas e Verdus.

Apesar do movimento ter sido bastante sutil, os olhos afiados de seus adversários não perderam a deixa.

***

Verdus:

— Ainda acha que isso vai funcionar? — Verdus não estava convencido de que esse plano daria certo, aquele homem parecia ser imbatível.

— Ele já começou a mostrar sinais de cansaço, só temos que ser mais pacientes. — Dokas sentiu-se mais aliviado quando notou Tyler alongar-se, desde o primeiro duelo ele não tinha ficado em paz. Cada cavaleiro negro valia o seu peso em ouro, essas mortes só seriam aceitas por sua Majestade se Tyler morre-se.

As batalhas foram acontecendo uma após a outra, cada uma mais demorada que a outra. Um ou outro cavaleiro teve a sorte de atingir os membros de Tyler, mas foi inútil, aquela armadura dourada e negra era muito superior, nada além de um simples arranhão ficou onde a espada acertou, já o mesmo não pôde ser dito do seu lado, cada golpe do príncipe era fatal, amassando-as como lata-velha. Houve até dois casos onde a espada de Tyler cortou a espada inimiga ao meio. “De que era feito aquilo?

Na vigésima segunda disputa um de seus cavaleiros conseguiu acertar um golpe na fenda entre as proteções do braço, ele não viu se era profundo, na verdade nem deu para ver o sangue, mas pela forma com que Tyler gemeu e recuou, ele soube que o jogo estava virando.

— Tem certeza de que a lâmina está envenenada? — Verdus perguntou para Zert.

— Sim, com certeza. — Zert assentiu.

— Então só nos resta esperar… — Verdus olhou o combate.

***

Tyler:

— Como estamos indo? — Tyler perguntou para Rafir pelo rádio embutido no capacete.

— Serão quase 5:00 horas de combate ininterrupto. — O jovem confirmou.

— Alguma mudança nos nossos amigos? — Ele quis saber.

— Eles parecem estar crendo que o senhor foi envenenado, contudo não tenho certeza, já que eles saíram para conversar fora da barraca.

— Você está enganado. — Tyler o corrigiu.

— Sobre o quê, eles sabem que o senhor não foi envenenado?

— Não, sobre eles estarem conversando. — Ele explicou. — Comunistas não conversam, eles conspiram!


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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