VM – Capítulo 156 – Que tal um acordo. Parte 3.


Depois de atirar pela última vez em Zert e acabar com a sua miséria vida, Tyler voltou suas atenções aos dois comandantes. Caminhando calmamente como se nada ao redor importasse, ele mais parecia um carrasco… Não, para as suas vítimas ele era juiz, júri e carrasco!

A cada passo que ele dava, Dokas e Verdus inevitavelmente davam dois para trás. Tyler encurtou ainda mais a distância até chegar aos homens.

Tomados pelo horror, ambos tiveram as forças de suas pernas totalmente drenadas e caíram ali mesmo, na frente de todos.

Sem dar uma palavra, Tyler apenas se agachou para que seus olhos estivessem no mesmo nível. A pose intimidante e as grandes armas que ainda liberavam pequenos fios de fumaça, eram demais para Dokas.

— Você trapaceou… — Dokas acusou sem saber de onde tinha arranjado tanta coragem para tal.

— E envenenar as lâminas é o quê? — Tyler retrucou.

— Iss… is… — Dokas gaguejou estupefato.

— Vamos todos retirar as máscaras aqui, certo?

— … — Tanto Verdus quanto Dokas estavam completamente perdidos, essa era a primeira vez em suas vidas que eles estavam sendo pressionados de forma tão implacável.

— Como já devem ter percebido, vocês não são nada na minha frente! — Mesmo com palavras tão duras, ninguém ousou retrucar. — Sabem porque eu não junto todas as minhas tropas e marcho sobre o Reino Central matando todos até formar rios de sangue?

Verdus e Dokas não responderam.

— Porque aos meus olhos vocês não são nada mais que um monte de merda na estrada e eu sempre evito pisar em merda quando eu a vejo!

— … — Dokas lutou consigo mesmo  para retrucar, mas o medo e o bom senso lhe disseram para ficar calado. Qualquer estúpido podia ver que Tyler tinha as qualificações para ser arrogante.

— Eu quero que fique bem clara uma coisa. — Tyler abaixou-se ainda mais e fitou Dokas nos olhos. — Eu sabia que vocês estavam se preparando para me atacar, então eu dei o primeiro passo. Eu sou o príncipe e não o rei, não sou filho de sangue do rei, mas tenho grande apreço por ele. Isso quer dizer que por enquanto eu vou focar toda a minha atenção no meu próprio reino, mas isso não quer dizer que eu tenha sangue de barata em minhas veias, na próxima vez que eu suspeitar de algo, mesmo sem qualquer fundamento, esse será o dia em que o Reino Central irá cair! Estou claro?

— S… sim.

— Ótimo. — Tyler apenas virou-se e começou a andar de volta aos seus homens.

— Espere! — Dokas gritou.

— O que é?

— A mão, a mão da princesa Isabel, eu ofereço a mão da princesa Isabel! — Dokas ofereceu, ele era o conselheiro do reino, agora que seu país andava perigosamente no fio de uma navalha. Qualquer deslize poderia significar a destruição, ele tinha que garantir algo a mais… talvez, apenas um casamento poderia equilibrar um pouco essa balança.

— Está me oferecendo a princesa? — Tyler ficou surpreso, isso era um clichê medieval. Ele sabia de muitos casos em que alianças foram formadas a partir de casamentos, mas quase nunca elas eram duradouras.

— Sim, a princesa Isabel é uma beleza única, mas não só isso, ela também é a maior joia do nosso rei, aceite-a e isso será a maior prova de nossa boa vontade com a paz.

“Droga!” Tyler reclamou em pensamento, ele não tinha nenhuma intenção de se casar com alguma princesa. Calie era a única mulher em sua vida, ele estava no meio de uma grande pesquisa para encontrar um método de voltar ao seu próprio mundo, contudo recusar logo de cara seria quase como agitar um ninho de vespas. “Pense, vamos lá pense em uma saída!”

— O que acha? — Dokas ficou ansioso depois que viu o silêncio de Tyler.

— Isso não é algo que eu possa decidir por mim mesmo, tenho que consultar meu pai real, apenas ele pode dar uma resposta, mas independente de qualquer coisa, estamos reconstruindo todo o reino. Um casamento só poderá ser feito daqui a 1 ano. — Como foi pego de surpresa, ele teve que dizer algo, 1 ano era muito tempo e até lá acreditava já ter encontrado um meio de trazer Calie.

— Então está feito, irei informar o rei sobre isso, não se preocupe vamos ficar longe das fronteiras. — Dokas falou e voltou para os seus soldados.

Tyler apenas balançou a cabeça e andou de volta para o seu lado. — O que foi? — Ele quis saber ao olhar as expressões de Rafir e Rabe.

— Nada. — Rafir negou.

— Vamos, diga logo. — Ele exigiu.

— É… — O rapaz gaguejou um pouco. — Penso que essa é uma hora muito boa para atacar o Reino Central.

— Sim, é. — Tyler concordou.

— Então? — Rafir ficou surpreso.

— Eu não quero uma guerra agora, vamos ajustar as coisas em casa primeiro. — Tyler falou calmamente como se estivesse ensinando uma criança. — Para cada litro de combustível que eu gasto em um caminhão indo para a guerra, é um litro a menos em um trator fazendo uma estrada. Deixem eles de lado, agora que tenho uma noção melhor das forças deles, mesmo que juntem todos os seus generais e soldados, será como tentar quebrar uma pedra com um ovo.

— Entendo… — Rafir e Rabe tinham um brilho novo nos olhos.

— Bem, agora vamos voltar.

***

Meses depois.

— Merda! — Tyler gritou após jogar todos os papéis de sua mesa no chão.

— Tente manter a calma. — O rei Otaviano me consola.

— Como? — Pergunto com um claro tom de sarcasmo, por quanto tempo ele tinha pesquisado, com o poder que ele tinha em mãos, ele esmiuçou cada grama de informação que pôde encontrar. Foi uma frustração sem fim, ele no máximo conseguiu reunir alguns poucos rumores de antigos locais que serviram como portais assim como o que apareceu para ele.

— Talvez você deva procurar Heron. — Otaviano sugeriu.

— O elfo que fez a poção? — Tyler ficou confuso. — De quê vai adiantar?

— Vocês dois são as pessoas mais sábias que já conheci, ele é um elfo e como sabe, os elfos são seres místicos que vivem por centenas de anos. Ao contrário de nós, sua raça tem longa memória e relembra tudo da era dos deuses antigos. — Otaviano tentava aos poucos recordar da época em que conheceu aquele estranho elfo andarilho. — Quando eu salvei sua vida, ele me deu aqueles dois frascos de poção, segundo ele, aquilo era o ápice de toda a sua vida como alquimista, mas fora isso, ele também me disse que se eu precisasse dele, era só procurá-lo na floresta celestial.

— Onde fica isso? — Tyler franziu o cenho.

— Fica ao norte, no sopé da cordilheira onde os anões vivem. Tecnicamente tudo ao norte antes das montanhas é nosso, mas não temos nenhuma presença lá, nem mesmo estradas. Ouvi falar que existem algumas poucas tribos bárbaras, contudo nunca me importei, terra nunca me faltou.

Tyler puxou um pouco em sua memória e pôde ter uma noção melhor sobre onde estava essa floresta celestial. O fato de Otaviano não reclamar aquelas terras, não lhe chamou atenção, mesmo dentro do seu reino, agora Império, haviam vários locais sem nenhum uso e dono.

Mesmo o território que hoje é a capital, foi um lugar esquecido por todos até que um cavaleiro recém-coroado a nobre o reclamou.

— Existe mesmo alguma chance? — Ele suspirou, mais de 1 ano já havia se passado desde o dia em que ele atravessou aquele portal pela última vez, e desde então não houve um só dia em que ele pensasse se realmente foi a melhor escolha. Porém mais do que simples pensamentos, nos últimos dias, verdadeiros sentimentos de arrependimento o corroíam quando a madrugada chegava.

Ele podia ser um imperador todo poderoso aqui, com uma simples palavra dele um exército marcharia, ou mesmo poderia escolher toda e qualquer mulher que lhe agradasse aos olhos, mas nada disso tinha importância, Calie não estava ao seu lado e todo sucesso dava-lhe um gosto amargo.

Era como ter tudo aos seus pés e não poder ter aquilo que mais desejava…

— Sinceramente eu não sei, mas de todas as pessoas que existem, só ele pode te dar uma resposta, ou ao menos um caminho para seguir.

— Eu vou! — Tyler disse decidido, em seu coração ela era sua mulher, a única que ele amava e por ela, ele faria qualquer esforço, não importando quão mínimas as chances eram!


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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