ZTJ – Capítulo 198 – Mausoléu de Livros


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Havia um rio ao sul da capital, e no lado norte do rio havia um caminho reto. Olhando para o sul a partir da margem do rio, um grande, verdejante e exuberante parque podia ser visto. No fundo do jardim, uma montanha verde estava escondida. Esta montanha verde era o lendário Mausoléu de Livros as carruagens-correio pararam na estrada e os examinados espiaram pelas cortinas. Eles olharam para aquela montanha verde e revelaram uma expressão de anseio em seus rostos.

Durante os primeiros dias em que Chen Changsheng chegou à capital, ele sempre permaneceu na Pousada do Jardim das Ameixeiras, logo fora do Mausoléu de Livros. Em muitas vezes, ele havia observado o Mausoléu de Livros de longe, por isso não estava tão animado quanto os outros examinandos, especialmente aqueles colegas do sul. Na pousada apenas restava um quarto disponível.

As Heras Verdes do Palácio Li, a Ponte da Lamentação e o Mausoléu de Livros eram lugares bem conhecidos na capital, e o Mausoléu de Livros era onde todos os turistas queriam visitar. Também era muito animado como o Palácio Li, e havia barracas que alinhavam ambos os lados do caminho na margem do rio. Os guardas das barracas constantemente gritavam que já estavam cheias, embora ainda fosse cedo pela manhã. Nas principais ruas que ficavam ligeiramente ao norte, muitos escritórios de funcionários públicos podiam ser vistos, bem como os escritórios de várias academias e seitas.

As carruagens-correio não pararam na rua por um longo tempo. Sob a direção dos oficiais e dos sacerdotes, cruzaram uma ampla ponte de madeira acima do rio, e chegaram ao parque verde fora do Mausoléu de Livros. Eles também não pararam aqui por um tempo, porém, em vez disso, eles viajaram diretamente pelo caminho que levava até as tumbas entre os antigos e exuberantes ciprestes[1]. Sob o olhar das cento e oito estátuas das pessoas virtuosas das gerações passadas, continuaram a viajar em direção à montanha verde.

Já havia muitos turistas no parque exterior do Mausoléu de Livros, e muitos cidadãos da capital estavam dando um passeio por lá. Eles atualmente observavam enquanto as carruagens viajavam diretamente ao Mausoléu de Livros. Poderiam rapidamente adivinhar as identidades das pessoas dentro das carruagens, e sabiam que eles deveriam ser os examinandos das três bandeiras. Assim, não puderam deixar de revelar expressões de inveja em seus cenhos.

As antigas árvores obstruíam o sol da manhã e formavam assim sombras, fazendo com que se formasse um ar de extrema silenciosidade e beleza. Quanto mais fundo avançavam, mais silencioso tornava-se. E, no final, podiam apenas ouvir o som das rochas levemente verdes que batiam entre si sob as rodas da carruagem.

Um portão de pedra estava no final do caminho que levava até os túmulos. As carruagens-correio pararam em frente ao portão de pedra, e os oficiais e os sacerdotes saíram em frente ao portão, carregando alguns documentos oficiais requisitados. Eles eram responsáveis ​​pelos assuntos relativos à visão dos túmulos no Mausoléu de Livros. Começaram então a falar com os soldados que guardavam o Mausoléu de Livros, e os alunos saíram das carruagens um a um, enfileirando e esperando a entrada.

Pouco tempo depois, o portão de pedra lentamente abriu, e os examinados puderam sentir pequenos tremores vindo do chão. Ficaram muito assustados com o que sentiram. Perguntaram a si mesmos como esse portão pesado e aparentemente comum conseguiu fazer com que o chão tremesse. Também cogitaram em que tipo de formação mágica poderia abrir um portão tão pesado como aquele.

Com um suave barulho, o pesado portão de pedra parou de se mover, e toda a montanha verde apareceu perante ao olhar de todos.

Assim, o Mausoléu de Livros apareceu diante de todos os presentes.

Um mausoléu normalmente se referia a um túmulo, mas apenas os túmulos de Imperadores ou Santos tinham o direito de serem chamados de mausoléus.

O Mausoléu de Livros, de fato, era como um túmulo. Esse mausoléu era muito evidente ao olhos e quadrado em forma, além de que estava coberto de inúmeras árvores verdes. Por essa razão aparentava ser tal como uma montanha verde. Devido a essas densas árvores verdes, os examinandos não podiam ver esses lendários monólitos de pedra e não sabiam onde os Tomos Celestiais estavam escondidos. No entanto, sabiam que os Tomos Celestiais estavam lá dentro. Então, por apenas um momento, o caminho tornou-se anormalmente silencioso, e os rostos de todos revelaram uma expressão devotada.

Quanto a Chen Changsheng, seu estado de espírito atual estava um tanto perturbado. Seus pensamentos estavam em uma entrópica bagunça, e estava em um tempo difícil para se acalmar. Ele não estava excitado como na primeira vez que entrou na cidade e viu aquela montanha verde de longe na pousada. No entanto, ainda sentiu um sentimento reverente indescritível, pois, pela primeira vez, realmente havia chegado em frente ao Mausoléu. Olhou para aquelas árvores verdes ao redor do Mausoléu de Livros e então permaneceu em estado de profundo silêncio.

A capital sempre fora o centro do continente.

Não importava qual dinastia acabasse. Quando as chamas da guerra prosseguiam sem parar ou quando o tempo estava cheio de paz e ordem em nível nacional, a capital continuava sendo o centro. Essas várias seitas e famílias aristocráticas do sul também acreditavam nisso. Até mesmo a raça dos demi-humanos da Cidade do Imperador Branco e as pessoas do Grande Continente Ocidental concordavam. A razão pela qual o altar principal da Ortodoxia estava aqui, bem como o Palácio Li, era por conta de que o Mausoléu de Livros igualmente estava aqui[2].

Incontáveis dezenas de milhares de anos atrás, os Tomos Celestiais caíram em chamas do além, dos quais os céus haviam concedido às terras. A partir desse dia, os Tomos Celestiais despertaram a inteligência dos seres humanos, o que lhes permitiu aprender a usar o fogo, como criar e usar ferramentas, e como amarrar nós para gravar a história. Inventaram a linguagem escrita e, por terem inventado a linguagem escrita, permitiram que até começassem a estudar os mistérios da natureza. Isso fez com que começassem a questionar seu lugar no mundo. Começaram a olhar para o céu estrelado, começaram a orientar a luz das estrelas para a Purificação, e oficialmente adentraram na estrada do cultivo. Esta montanha verde era a fonte original de tudo isso e tudo mais.

O que era o Mausoléu de Livros? Mausoléu, aqui, não significa “tumba”, porém, “plano”.

Quando surgiram os Tomos Celestiais, todas as direções “achataram-se”. O Mausoléu de Livros era onde se localizava os Tomos Celestiais, e no centro do mundo era onde se localizava o Mausoléu de Livros. A Ortodoxia só pode se originar da capital onde o império humano foi fundado. Como resultado, as seitas religiosas do sul lutaram com os nortenhos por muitos anos. Eram, na verdade, autônomos, mas ainda tinham que reconhecer a Dinastia Zhou como o principal país devido a esse princípio.

Durante o período de espera, o silencioso parque lentamente tornava-se ruidoso. Muitos turistas e cidadãos da capital seguiram as carruagens-correio até aqui. Se fosse um dia normal, não poderiam se aproximar do Mausoléu de Livros antes de serem impedidos pelos guardas. No entanto, como hoje era uma circunstância especial, tiveram a oportunidade de se aproximar do portão frontal do Mausoléu de Livros. Seus rostos exibiam demasiada inveja ao olhar aqueles jovens que estavam se preparando para entrar no mausoléu.

Os turistas e os cidadãos podiam entrar ou sair livremente do parque exterior do Mausoléu de Livros, mas não podiam entrar no próprio mausoléu.

Muitos anos atrás, dizia-se que o mausoléu estava aberto ao público, para que se pudesse entrar, explorar e sentar-se diante desses monólitos de pedra. Estaria superlotado e sobrecarregado em praticamente todos os dias, já que a montanha verde estava repleta de pessoas. Vários milhares de anos atrás, houve, uma vez, um imperador que queria controlar o mundo manejando os direitos de entrar no Mausoléu de Livros. Ele emitiu um édito imperial que dizia que só as pessoas que o obedeceram poderiam entrar no mausoléu. Tal ação ofendeu todas as várias seitas, escolas e academias do continente, e este imperador foi rapidamente derrubado pela ira dos cidadãos do mundo. Posteriormente, todo o continente chegou a uma conclusão de que os Tomos Celestiais dos seres celestiais eram objetos a serem compartilhados, e ninguém poderia monopolizá-los.

Embora nunca tenha sido dito que os monólitos de pedra do mausoléu foram danificados, havia uma perspectiva diferente, então os especialistas do continente decidiram estabelecer algumas regras para entrar e sair do Mausoléu de Livros. Na era da dinastia anterior, apenas os cultivadores que receberam permissão especial poderiam obter a oportunidade de entrar no mausoléu. No entanto, esta condição era extremamente vaga. Depois que a Dinastia Zhou foi fundada, as regras para entrar no Mausoléu de Livros foram simplificadas e rumorado para ser fortalecido. Somente os candidatos que passaram pelo Grande Exame ou as pessoas que tinham grande mérito poderiam ser autorizados a entrar. Como uma aliança foi formada com os demi-humanos para lutar contra a raça dos demônios, os demi-humanos e as pessoas do Grande Continente Ocidental também ganharam direitos semelhantes — as chamadas regras eram apenas um compromisso. É claro que, como o Mausoléu de Livros residia na capital da Dinastia Zhou, as pessoas que lá moravam conservavam, naturalmente, vantagens. Essas várias seitas e famílias aristocráticas do sul levantaram essa questão, então houve muitas queixas.

Os sacerdotes e os oficiais levaram os jovens examinados à área fora do portão de pedra, e permaneceram lá porque não tinham o direito de entrar no Mausoléu de Livros. Depois de verificar as identidades dos examinados, eles os deixaram entrar em uma ordem adequada. O chão, mais uma vez, começou a rugir em um alto e bom som, e quando algumas daquelas pessoas se viraram para olhar, viram apenas o portão de pedra lentamente fechando-se.

Depois de um profundo estrondo, o Mausoléu de Livros e o mundo exterior foram, novamente, separados.

Quarenta jovens examinados olharam para o Mausoléu de Livros diante deles, e todos traziam consigo mesmos expressões diferentes em suas faces. Alguns estavam muito nervosos, e alguns ficaram muito entusiasmados. Alguns eram muito silenciosos, e outros estavam ardendo em ânsia. No entanto, todos tinham os olhos bem abertos — neste momento, chegaram à frente do Mausoléu de Livros. No entanto, ainda não podiam ver adequadamente a verdadeira aparência do mausoléu, pois havia muitas árvores verdes impedindo a visão. Estas árvores bloquearam muitos outros deslumbramentos dos candidatos.

Neste momento, vários homens vestidos de branco apareceram na frente deles. Muitos deles apresentavam em seus cenhos uma expressão que exalava indiferença, e seus olhos também não revelavam atitudes específicas. Falavam com uma voz demasiado calma, e também muito devagar, como se não tivessem a oportunidade de falar normalmente na ocasião. Olhando para eles, Chen Changsheng pensou no adolescente da Tribo do Lobo, Zhexiu.

Tang Trigésimo Sexto disse: “Essas pessoas são os lendários Guardiões Monolíticos.”

Chen Changsheng perguntou: “Guardiões Monolíticos?”

Tang Trigésimo Sexto disse: “Assim como aqueles Estudiosos Monolíticos do Monte das Virgens Santas do sul, eles almejam entender o segredo dos Tomos Celestiais dedicando toda a sua vida nisso. Até juraram com sangue que nunca deixariam o Mausoléu de Livros, nem mesmo por um único centímetro quadrado.

Chen Changsheng ficou um tanto surpreso. Pensou que gastar toda a vida no Mausoléu de Livros era, ao seu ver, um tanto solitário e simples demais. Ele então olhou aos olhos daqueles homens vestidos de branco e, naturalmente, começou a se sentir levemente simpático.

Tang Trigésimo Sexto viu a expressão em seu rosto e ligeiramente zombou: “Eles estão perfeitamente felizes em oferecer suas vidas ao Mausoléu de Livros, então porque precisariam de sua simpatia? Além disso, quem sabe quantos cultivadores no mundo prefeririam ser como eles e ter a oportunidade de ver os Tomos Celestiais sempre que quisessem. Estão além da inveja comum.”

Chen Changsheng ainda não conseguira entender. Ele gostava de ler livros e explorar o verdadeiro significado das Escrituras Daoístas, mas a vida não deveria ter liberdade e alegria? Como poderiam dedicar quase tudo isso a esta montanha verde?

Talvez por conta de passarem a maior parte do tempo estudando dentro do Mausoléu de Livros e não serem bons em se comunicar com outras pessoas, os vários Guardiões Monolíticos apenas murmuravam algumas palavras. Explicaram as instalações em torno do Mausoléu de Livros para os jovens estudantes antes de se prepararem para se virar e sair. No entanto, um Guardião pensou em algo e disse: “Não se esqueçam, o Jardim de Zhou abre em um mês.”

Após essas explicações, os vários Guardiões Monolíticos partiram de forma rápida.

Houve um período de silêncio. Os jovens examinandos ficaram sem palavras sobre o que acabara de acontecer. Todos estavam perdidos sobre o que fazer em seguida.

Era isso? O que eles deveriam fazer agora?

“Apenas não se esqueçam que o Jardim de Zhou se abre em um mês.”

Com indiferença, Guan Feibai disse a esses discípulos das seitas do sul, antes de afastar-se rapidamente e seguir Gou Hanshi em direção à montanha verde.

Os quatro discípulos da Seita da Espada do Monte Li foram os primeiros a sair, e os examinados lentamente se separaram, tratando-os como exemplo. No início, esses examinados ainda caminhavam a um ritmo constante. Ocasionalmente, alguns deles se apressariam, o que era normal, porém, uma vez que as pessoas entraram na montanha arborizada, imediatamente manifestaram-se inúmeros sons de alarde. Eles, na verdade, usaram técnicas de movimento.

Depois de ouvir os sons a ecoarem da montanha verde, Chen Changsheng ficou confuso e perguntou: “Por que todos estão com tanta pressa?”

“Você não ouviu o que Guan Feibai disse agora? O Jardim de Zhou abrirá em um mês. Se quiserem entrar no Jardim de Zhou, terão que atravessar o Reino de Abertura Etérea. Cada passo lento é um passo atrasado. Se contemplassem os monólitos de pedra um pouco mais tarde que outros, isso poderia atrasá-los em várias décadas no caminho do cultivo no futuro. Obviamente, todos estão usando toda sua energia para serem os primeiros.”

Tang Trigésimo Sexto olhou para ele e disse: “Em vez disso, você é o único que está estranho aqui. Por que você não está com pressa também?”


¹-(Asura: Termo genérico para representar uma grande variedade de espécies de árvores coníferas, muito utilizadas como árvores ornamentais e para a produção de madeira.).
²-O livro apenas menciona que existem cinco continentes no mundo. O Grande Continente Ocidental não é um dos cinco. É mencionado mais adiante no livro, que o Grande Continente Ocidental fazia originalmente parte do Continente Oriental e que se separou mais tarde dele. É por isso que ainda existe humanos que cultivavam, dos quais os Tomos Celestiais proporcionaram quando caíram na terra.


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dragão


Tradutor: Vaan   |   Revisor: Enxarcado   |   QC:Asura


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