TER – Capítulo 142 – Bardiche? Desculpe, eu quis dizer Erza


Nós finalmente conseguimos atravessar os portões da cidade cerca de uma hora após nosso encontro com Dias.

Eu logo olhei ao redor, apenas para descobrir que, além da construção imensa, gigantesca e cilíndrica, a cidade era na verdade muito normal. Na realidade, vê-la me lembrou de Aressa.

“Vamos começar verificando a Guilda dos Aventureiros.”

— Nn.

Precisávamos vender alguns materiais que acabamos obtendo pelo caminho e conseguir um pouco mais de informação sobre os dois calabouços da cidade.

Um fato importante para se notar era que nem todo mundo poderia apenas seguir para o calabouço e entrar. Você precisava de permissão primeiro. No entanto, imaginei que estaríamos bem. O Mestre da Guilda de Aressa, Klimt, nos deu uma permissão com antecedência1, então nós provavelmente não teremos nenhum problema muito sério.

Encontrar a guilda acabou sendo uma tarefa bem simples. Nós conseguimos encontra-la após pedir informações as pessoas e caminhar por cerca de dez minutos. O prédio da guilda era bastante grande, o que fazia sentido, já que essa cidade contava com dois calabouços.

“As portas com certeza são grandes, hã?”

— Nn. Quase o mesmo que Barbola.

Au.

A guilda de Barbola era muito grande, mas a de Ulmut parecia ter sido construída em um terreno maior.

Entrar no prédio me fez perceber o quão enorme ele era. Havia vinte balcões diferentes, e os aventureiros que buscavam serviços deles eram tantos que tinham até que formar filas.

“Puta merda, este lugar está fervilhando de gente. Ele é até mais animado do que a filial de Barbola.”

— Nn. Impressionada.

Au.

Uou, há com certeza muitos aventureiros. Pensei que Barbola estava superlotada, mas, caramba, Ulmut levou isso para um nível ainda maior. Quer dizer, fazia sentido, considerando os calabouços e todo o resto, mas, mesmo assim, uou.

Fran logo se moveu para a fila com menos pessoas. O homem em nossa frente se virou em resposta. Alguém já está querendo começar uma briga conosco?

Eu me posicionei para “escapar de minha bainha sem querer” a qualquer momento.

— Só para você saber, esta fila é apenas para os rank E.

Acontece que ele só estava nos informando que poderíamos estar no lugar errado.

O homem nos instruiu sobre como as coisas eram organizadas. Havia cinco tipos diferentes de filas, cada uma tinha quatro balcões correspondentes. As primeiras quatro eram para aventureira rank G, F, E e D, respectivamente, enquanto a última lidava com todos que tinham rank C ou maior.

Fran se moveu para outra fila após ouvi-lo.

— Ó, vamos lá, me escute porcaria. Essa daí é para os rank D.

— Nn?

— Eu literalmente acabei de te dizer que você não deve usar essa fila a menos que você seja uma aventureira rank D.

Quer saber, o cara que nos chamou tinha uma aparência toda intimidadora, mas ele era na verdade uma pessoa muito bacana. Quer dizer, ele fez pouco caso das habilidades de Fran, mas não era como se ele estivesse fazendo isso por maldade. Ele apenas a chamou para pacientemente a instruir de algo que ele percebeu que ela não sabia.

Eu estava com uma sensação de que isto era apenas um exemplo de como as coisas eram em Ulmut. Havia alguns outros indivíduos mais jovens em filas assim como nós, apesar de Fran ser definitivamente a mais jovem de todos. A maior parte dos jovens parecia ter cerca de 15 anos de idade, e havia muito mais deles aqui do que em Aressa.

— Por isso esta fila.

— Huh?

— Neste momento rank D.

— Quêêêê?

Sua declaração pareceu ter surpreendido não apenas o homem que a deu o aviso, mas também os aventureiros ao nosso redor. Muitos viraram suas cabeças em descrença.

— Aqui.

Fran mostrou ao homem seu cartão da guilda e logo fez os olhos dele se arregalarem com o susto.

— O cartão da guilda diz… que é verdade… espere, o quê? Você tem um rank maior do que o meu?

— Droga, é sério?

— Ela tem um rank superior ao meu também!?

— Ela deve ter trapaceado.

— É-é, deve ser.

— Mas e se ela for mesmo tão forte?

Os aventureiros ao nosso redor começaram uma comoção. Fran, contudo, não se importou nem um pouco.

— Ei! Você!

Eeee alguém tentou começar uma briga conosco. Eu sabia que isto aconteceria, ainda mais com toda essa comoção.

— Você é uma mentirosa!

— Não estou mentindo.

— Não tem como uma criança como você ser uma aventureira! Esse cartão deve ser falso!

— Você, também é criança.

— Nã-não sou! Eu já tenho 15 anos!

Isto era basicamente o mesmo de sempre, salvo o fato de que a pessoa tentando começar uma briga conosco era uma criança. O garoto adolescente encarou Fran com seu rosto manchado por um tom de vermelho brilhante.

— Cartão genuíno.

— Eu-eu não acredito em você!

— Genuíno.

— Nã-não tem como ele ser legítimo! Eu ainda sou apenas um rank G!

Ele se recusou a acreditar que estava enganado, não é como se eu pudesse o culpar, considerando que Fran era uma rank D, isso é algo bastante surreal. Entretanto, o que devemos fazer? Não tem jeito de podermos espanca-lo como fazemos normalmente, vendo que ele é apenas uma criança.

“Mestre, usar violência?”

“Espere.”

“Nn? Por quê?”

Apesar de pensar nele como nada além de um pirralho, não havia como eu dizer se Fran sentia o mesmo. Para ser sincero, eu não podia dizer se ela pensava nele como um jovem ou um velho, já que ela era a mais nova entre os dois. Mesmo assim, era óbvio que ela o via como alguém que a irritava e tentou começar uma briga.

“Ele é só um pirralho, então vamos apenas deixa-lo para lá.”

“Então o que fazer?”

“Hmmmm…”

Ó, verdade. Nós podemos apenas usar magia do vento para fazê-lo se calar. Nós ainda podemos lidar com ele normalmente se ele tentar alguma coisa.

Apesar do fato de que chegamos até o ponto de planejar o que fazer, nós nem tivemos chance de colocar nossas ideias em ação.

— O que está acontecendo aqui?

— Ó, é a Senhorita Erza.

— Céus, vocês estão causando problemas de novo? Vocês garotos são mesmo levados.

— !!!

“!!!”

Tanto Fran quanto eu ficamos completamente congelados no momento que vimos a pessoa que saiu dos fundos da guilda. Fran, que sempre agia de modo taciturno e calmo, estava com seus olhos arregalados com a surpresa. Acho que esta deve ser a primeira vez que a vejo em tal estado. Mesmo assim, eu entendia seus sentimentos. A pessoa que avistamos era uma cuja presença causava um senso de impacto.

— Sen-Senhorita Erza.

— Minha nossa, será que você é a fonte de toda esta confusão, Yuuri?

— Er… não, não sou eu. O que aconteceu foi que há uma criança brincando dentro da guilda, então eu apenas a disse para parar com isso.

O garoto que estava brigando com Fran, Yuuri, de repente ficou todo obediente. Na mesma hora, ele ficou parado com sua atenção concentrada. Do mesmo modo, todos os outros aventureiros pararam de relaxar e endireitaram suas costas também.

— Uma criança? Ora essa, que adorável ela é.

— …

“Fran.”

— …

“Fran!”

— Só estava um pouco surpresa.

“Você está bem?”

— Minha nossa, o que é isso?

Parecia que esta era a primeira vez que Fran encontrava alguém como a pessoa de pé diante de nós. Mais uma vez, eu não podia a culpar, já que eu também estava completamente espantado.

— Prazer em conhecê-la, meu nome é Erza

— Fran.

— Fran, é isso? Magnífico, espero que nos demos bem.

— Nn. Só uma pergunta.

— O que poderia ser?

— Homem? Ou mulher?

O homem que se chamava de Erza assumiu uma pose como se estivesse exibindo seu corpo muito musculoso enquanto também pressionava com leveza um dedo contra um de seus lábios. Ele então piscou e soprou um beijo na direção de Fran. Ó Deus, por quê!?

— S-e-g-r-e-d-o.

Segredo o caramba! Ele é com certeza um cara!

Embora eu quisesse fazer ele parar com esta besteira, não podia evitar de sentir que esta seria uma ideia horrível.

A forma como ele estava girando seu corpo não parecia assim tão nojenta. Na verdade, isso não me deixou uma impressão tão ruim, embora eu deva dizer que isso deve ter sido em grande parte pela forma tão ridícula que todo o resto dele parecia.

Ele usava maquiagem pesada em suas bochechas, e sombras grossas em seus olhos. Seus lábios estavam cobertos com um batom vermelho-púrpura, e em sua cabeça estava um afro carmesim. Você poderia facilmente notar ambas as coxas e o corpo musculoso, mesmo com ele vestindo uma camada de armadura de couro. Puta merda, ele era um legítimo homem-mulher.

 

Nome: Bardiche Idade: 47 anos
Raça: Humano
Classe: Lutador Indestrutível Level: 50/99
Condição: Normal
HP: 580 MP: 229
Força Física: 255 Resistência: 310
Agilidade: 148 Inteligência: 112
Mágica: 110 Destreza: 151
HABILIDADES
Transporte Lv3 Resistência a Condições de Ambiente Lv5 Pânico Lv4 Vigilância Lv5 Maquiagem Lv6 Técnicas com Punhos Lv5 Habilidades com Punhos Lv5 Qigong2 de Combate Lv5 Regeneração Lv5 Costura Lv3 Técnicas Divinas com Cajado Lv1 Habilidades Divinas com Cajado Lv3 Resistência a Status Anormais Lv6 Resistência a Anormalidades Mentais Lv3 Técnicas com Cajado LvMáx Habilidades com Cajado LvMáx Provocação Lv5 Embelezamento Lv5 Resistência Mágica Lv4 Culinária Lv3 Manipulação de Vigor Músculos de Aço Matador de Kobolds Aliviar Sensação de Dor Conversão de Dor
HABILIDADES INERENTES
Resistências Aprimoradas
TÍTULOS
Guardião de Ulmut Matador de Kobolds Aquele que Supera a Dor
EQUIPAMENTOS
Maça do Guardião Armadura de Couro da Pantera Escarlate Roupas de Seda Arco-Íris Sandálias do Deus da Beleza Brincos Cativantes

 

Eu senti um incrível desejo de reclamar sobre várias coisas diferentes. Em primeiro lugar, o maldito nome dele era Bardiche, não Erza. Segundo, como diabos ele tem essa aparência de 30 anos!? Dito isso, ambos os aspectos citados empalideciam diante de uma coisa que eu realmente queria reclamar: uma de suas habilidades.

 

Conversão de Dor
Converte um pouco da dor em prazer.

 

Essa habilidade em questão seria a melhor amiga de um masoquista. Espere, isso significa que também há habilidades especializadas para sádicos também? Como algo que aumenta o status do usuário quando ele abusa de pessoas ou inflige dor?

De qualquer forma, parecia que o masoquista homossexual diante de nós era uma das pessoas mais poderosas que encontrei após minha reencarnação.

Puxa, avalia-lo com certeza acabou comigo… essa foi a primeira vez que isso aconteceu…

— Você é a mesma mocinha que por acaso se envolveu em uma briga no exterior dos portões da cidade?

— Nn.

— Você se importaria em vir comigo? O mestre da guilda me disse para leva-la até ele se eu te encontrasse.

— Mestre da guilda?

— Hum-hum. Ele parece ter negócios com você. Você se importa?

Ele quer nos repreender ou algo do tipo? Eu realmente não acho que o que fizemos foi sério o bastante para que o próprio mestre da guilda precisasse nos ver.

Bom, de qualquer forma, esse era um pedido pessoal do Mestre da Guilda, então não é como se pudéssemos apenas recusar.

— Tá bom.

— Brigadinha. Eu vou levar ela pessoal.

— Com certeza.

— Ó, e Yuuri, você deveria ser um pouco mais vigilante, sabia? Você morrerá no momento que colocar seus pés em um calabouço se continuar tão ruim em julgar a força das outras pessoas.

— Hã? Quê?

— Por aqui Fraaaan.

— Nn.

Fran seguiu Bardiche… Erza? Uhhh… quer saber, acho que vou ficar com Erza.

Fran acompanhou Erza enquanto ela a levava para o Mestre da Guilda.

— Hmmm hmm hm hm hmmm hmmm.

Ó Deus, por quê!? Pare de balançar sua bunda enquanto você caminha, maldição!


Tradutor:



Notas

[1] Klimt deu a permissão para Fran entrar nos Calabouços de Ulmut no capítulo 57.

[2] Qigong, Chi Kung ou Kikō, é um termo de origem chinesa que se refere ao trabalho ou exercício de cultivo da energia. Estes exercícios têm a finalidade de estimular e promover uma melhor circulação de energia Qi (energia vital) no corpo. O Qigong não foi criado por um único indivíduo e resulta de milhares de anos de experiências dos chineses (em contato com os indianos, a partir da técnica Pranayama) no uso da energia para tratar doenças, promover a saúde e a longevidade, melhorar as habilidades de luta, expandir a mente, alcançar diferentes níveis de consciência e desenvolver a espiritualidade. As diversas técnicas de Qigong desenvolveram-se separadamente em diversos locais da China, mas, em muitos casos, influenciaram-se mutuamente.



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