TER – Capítulo 145 – A carta de referência


Fran examinou a permissão que recebeu de Dias ao gira-la e usar a luz para ilumina-la.

— Há algo errado?

— Nn. Pode ter algum mecanismo oculto.

— Hahaha, uou, você é cruel. Eu estou bem aqui, sabia?

— …

Dias fez sua alegação com um sorriso em seu rosto, mas isso estava longe de ser o bastante para ele conquistar a confiança de Fran; ela continuou a encarar a carta com suspeita.

— Só confie em mim desta vez, tá? Não vou pregar mais nenhuma peça em você. As únicas peças que faço são aquelas que acabam beneficiando os aventureiros que são enganados, entendeu?

— O que significa?

— Pense nas pegadinhas como uma forma de amor paterno. Eu costumo as usar para ter certeza que todos não acabem ficando relaxados demais. Eu não as faço apenas por diversão.

— …

Fran fitou Dias, cuja expressão permaneceu séria, apesar de sua óbvia mentira. Eu nem precisava do Princípio da Falsidade para saber que ele estava mentindo descaradamente.

— Bem… tá bom, acho que isso é um pouco para meu próprio divertimento.

— Nn.

— A-ah, verdade, isso me lembrou de algo. Só te permitir no calabouço do Leste não é tudo o que preparei. Eu também tenho algumas outras ideias que te beneficiarão.

O Mestre da Guilda acabou mudando o assunto de repente, não que eu me importasse, considerando que estava interessado no que ele iniciou.

“Outras ideias, é isso?”

— É. Para ser mais exato, eu pensei em três diferentes estratégias. A primeira é emitir uma declaração a respeito da proteção dos aventureiros mais jovens, algo que nós, como uma guilda, também nos beneficiaremos. Estou certo que isto é algo que você já notou, mas Ulmut acabou com uma enorme proporção de aventureiros mais novos.

— Nn.

— Nossos calabouços estão classificados na área inferior do rank D, mas temos um sistema que permite que aventureiros rank F e G explorem os andares superiores, contanto que eles façam parte de grupos com pessoas com rank E ou mais alto. Este sistema ajuda muito os novatos que querem ganhar experiência, assim como ranks G, já que eles não têm permissão para entrar nos calabouços de outros países.

— É por isso que tem muitas crianças rank G?

— Exatamente. O problema está no fato que muitas das pessoas que estão por aí gostam de tirar proveito deles. Eles são manipulados e usados como isca. Estive pensando em aplicar uma penalidade para ações como essa já há algum tempo.

Então Fran acabou sendo o gatilho que colocou o plano dele em ação? Faz sentido.

— Segundo?

— Minha segunda ideia seria sair por aí dizendo a todos o quanto Erza gosta de você. Os aventureiros de Ulmut normalmente preferem agrada-lo do que fazer o contrário.

Verdade. Todos os aventureiros pareceram se acalmar no momento que ele apareceu. Yup, faz sentido. Não há como alguém estar disposto a desafiar aquela coisa.

— Última?

— Seria aumentar seu rank.

— ???

— Você sabe, Fran, que a guilda valoriza todas as contribuições que você fez. Vamos elevá-la para o rank C no momento que você completar missões o suficiente para se qualificar.

— Surpresa.

É, eu também. Isso aconteceu porque eles levaram em consideração o que fizemos em Barbola?

— A realeza que você escoltou te nomeou como um recurso incrivelmente valioso. Os relatórios que eles enviaram não continham nada além de elogios.

Ó, ele deve estar falando de quando escoltamos o Príncipe Flut e a Princesa Satia[1].

A expressão de Fran continuou inalterada, mas senti que as palavras de Dias inflamaram uma ardente paixão dentro dela.

— Darei meu melhor.

— Por favor, faça isso. Vamos fazer por você o mesmo que fazemos para todos os aventureiros que alcançam o rank C aqui na filial de Ulmut e vamos fazer uma série de anúncios para espalhar seu nome por toda parte. Dessa forma, quase todos na cidade vão saber que você é uma rank C, e, consequentemente, haverá bem menos pessoas querendo caçar briga com você.

Menos? Então ainda há algumas? Acho que não há o que fazer. Ó, bem, isso também serve. Menos é sempre mais quando se trata deste tipo de coisa.

— Vou te dar algumas missões para você completar durante sua estadia no calabouço do Leste. Você deve conseguir termina-las e facilmente aumentar seu rank enquanto realiza seu treinamento.

Dias nos entregou vinte pedidos enquanto continuava a falar.

— Você precisará completar mais 23 pedidos de rank D se quiser se qualificar como rank C. Pegue todas essas e comece a fazer o que você puder.

— Entendido.

“Obrigado.”

E assim, acabamos obtendo a permissão para entrar no calabouço. Eu estava esperando que tivéssemos que ser examinados ou algo do tipo, mas acho que isto também serve. É uma pena que a carta de referência de Klimt acabe sendo desperdiçada, mas, que seja.

Na verdade, acho que não vai fazer nenhum mal dar a carta a ele mesmo assim, não é?

— Aqui.

— Isso parece… o emblema da Guilda de Aressa. Isso seria uma carta de Klimt?

— Nn. Carta de referência.

O rosto de Dias empalideceu com desconforto no momento que Fran concordou com as suspeitas dele. Espere, o quê? Você está bem velhote?

— A propósito Fran.

— Nn?

— Umm… você não vai contar a Klimt sobre como eu tentei pregar uma inofensiva peça em você, vai?

Por algum motivo estranho, o tom da voz dele ficou muito elogioso.

— Por quê?

— Acho que será melhor que eu te diga, já que estou te pedindo um favor. Klimt é um dos meus superiores e alguém que eu admirava quando era um aventureiro. Ele me deu uma mão quando estava começando, então o devo muito. Eu não seria capaz de encara-lo se você contasse a ele o que fiz. Er, na verdade, isso não é tudo. Para ser honesto, estou completamente apavorado com ele

Eu usei o Princípio da Falsidade para verificar as palavras dele, e, ao que parecia, ele não estava mentindo. Ele estava mesmo com medo de Klimt.

Bom, estou feliz que nossa carta de referência acabou tendo algum uso. Na verdade, ela meio que acabou funcionando como um tipo de trunfo, hã?

— Vou contar para Amanda e Klimt na próxima vez que algo estranho for feito.

— Eu sinto muito. Eu nunca mais farei nada de esquisito com você.

Quer saber, é mesmo muito raro ver um Mestre da Guilda se prostrando no chão. Puxa, eu queria ter uma câmera agora. Ah, bem, de qualquer forma, parece que Dias vai parar com suas pegadinhas agora, então está tudo bem.

— Nn. Entendido.

— Hahaha…

Ver Fran assumindo uma postura presunçosa enquanto segurava a carta de Klimt com Dias se prostrando diante dela quase me fez querer dizer: — Caso encerrado!


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Notas

[1] Fran conheceu os gêmeos no capítulo 88 e os escoltou a Barbola até o capítulo 99.



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