TER – Capítulo 153 – Erza está disposta


Nós tivemos bastante facilidade para voltar para a superfície.

Solas passou o resto da viagem amarrado em alguns de meus fios preso nas costas de Urushi. Nós só o curamos ao ponto da necessidade; fechamos suas feridas e o impedimos de continuar sangrando, mas isso foi basicamente tudo.

Fran também o despiu de sua armadura e até cobriu seu rosto com um pano para garantir que seus companheiros não o reconhecessem. Ele já nos contou tudo o que queríamos saber, assim, também o amordaçamos para impedi-lo de falar. Imaginamos que também poderíamos leva-lo até a guilda. Era impossível para qualquer um dizer que a pessoa que carregávamos era Solas, mas nós meio que chamávamos muito atenção mesmo assim.

— O-oi oi, aconteceu alguma coisa?

— Foi algo sério?

— Com certeza parece. Me pergunto se está tudo bem.

— Parece que alguém conseguiu um belo ferimento.

Os olhares das pessoas ao nosso redor se travaram em nós no momento que deixamos o calabouço. Os guardas também começaram a disparar em nossa direção.

Bom, não parecia que iríamos conseguir escapar disto inventando algum tipo de desculpa, portanto, ache que teríamos que contar a verdade. Mesmo assim, ainda queríamos manter a atenção no mínimo para impedir que os colegas de Solas escapassem.

— Fui atacada durante a viagem de retorno.

Au.

As pessoas ao nosso redor começaram a fazer barulho no momento que Fran informou aos soldados sobre nossas circunstâncias.

— Ela fez isso com a pessoa que a atacou?

— Cara, ela é impiedosa.

Sinto que causamos nas pessoas um pouco mais de medo do que deveríamos, embora não pudéssemos fazer nada vendo como nosso companheiro lobo estava arrastando uma pessoa com vários membros faltando como se fosse parte da bagagem. O fato de que escondemos o rosto dele também não ajudou muito em nosso caso.

Quer saber, agora que penso sobre isto, a forma como agimos nesta situação foi bastante homicida, então posso entender o porquê as pessoas ficarem chocadas.

— Ó, você foi atacada por ladrões?

— Nn.

— Bom trabalho! Ambos você e seu cãozinho mandaram bem.

Mesmo assim, as únicas pessoas que ficaram perturbadas foram os membros do populacho. Os aventureiros e guardas pareciam ver nossas ações sob uma luz favorável. Para eles, ladrões e seus pares eram criminosos terríveis cujas ações beiravam ao imperdoável.

Pensei que eles poderiam acabar ficando com suspeitas contra nós, mas a aparência externa de Fran conseguiu dissuadir aqueles que estavam assim e conseguimos deixar as visões de todos por nós mais favoráveis. Eles pareciam pensar que não havia como uma garota tão jovem mentir sobre capturar um ladrão, especialmente se ela estivesse com ele a reboque. Além disso, havia o fato que ir para a guilda permitiria a verificação da autenticidade de nossa alegação. Alguns soldados acabaram se oferecendo para nos acompanhar para esse fim.

— Você está planejando voltar para a guilda?

— Se sim, vamos te escoltar até lá.

Eles nos acompanhando foi uma ação que matou dois coelhos com uma cajadada; eles nos escoltaram e, ao mesmo tempo, nos monitoraram. Para ser sincero, não nos incomodamos nada com isso. Na verdade, estávamos felizes por tê-los nos acompanhando, já que isso economizou tempo. Essa ação fez com que não precisássemos parar para explicar nossas circunstâncias cada vez que encontrássemos um guarda.

Por sorte, encontramos Erza em nosso caminho de volta. Ele correu até nós porque ouviu que algo tinha acontecido, e estava um pouco preocupado com todo esse alarde.

No início, ele assumiu que Fran foi presa, e começou a dar trabalho para um dos soldados.

— Você está bem Fran!?

— Nn.

— Ufa, graças a Deuuuus. Você ficou com medo?

— Perfeitamente bem.

— Fufufu, você com certeza é forte. Portanto, estou imaginando que esse é o ladrão nefasto que te atacou.

— Hã-hã.

Erza enviou um olhar cheio de ódio na direção de Solas. Esse olhar estava repleto de uma imensa quantidade de raiva que fez seu alvo tremer, apesar de ele não ser capaz de enxergar no momento.

O feroz bissexual levou seus lábios até os ouvidos de Solas antes de sussurrar uma única frase.

— Que magnífico.

— Hiii…

— Eu teria te esmagado se você tivesse causado o menor arranhão nela.

Decidimos não contar a Erza sobre o fato de que ele nos fez inalar uma boa quantidade de veneno. Sinto que ele ficaria completamente fora de controle se fizéssemos isso, e não poderíamos deixar Solas morrer logo aqui e agora, já que ainda precisávamos dele para verificar se pegamos as pessoas certas.

Na verdade, isso nem deveria ser um problema tão grande.

“Ei Fran, o que você acha de pedirmos ajuda a Erza para lidar com os subordinados de Solas?”

“Nn. Boa ideia.”

“Quer dizer, há uma boa chance de Erza conhecer as aparências deles. Ele também é bem forte, então não deve ter nenhum problema nesse aspecto. Seria muito mais provável de isso dar certo do que nós arrastando Solas por tarde a parte procurando por eles.”

Nós estávamos atraindo um pouco mais de atenção do que suspeitei a princípio. Na verdade, eu não estava assim tão interessado em seguir para a guilda do jeito que estávamos. Essa não parecia ser uma ideia tão boa.

Acho que esse nosso encontro com Erza foi um golpe de sorte de nossa parte.

— Erza.

— E aíííí. Você precisa de algo?

— Quero favor.

— Claro, conte comigo!

— Ainda não contei nenhum detalhe.

— Não importa, só conte comigo. Farei o que você quiser que eu faça. O que você precisa? Quer minha ajuda para espancar o Mestre da Guilda porque ele te tirou do sério? Ou talvez punir os guardas que estavam de intimidando?

Ó Deus, isso foi uma piada? Por favor, me diga que foi. Ele parecia sério pra caramba, mas, por favor, me diga que esse é apenas o tipo de piada que homossexuais gostam de fazer.

Pelo amor de Deus, este cara me deixa tão perturbado que fico com arrepios apesar de ser uma maldita espada!

Fran, contudo, parecia não se incomodar nem um pouco. Ela simplesmente comunicou seu pedido para Erza em seu usual tom de indiferença.

— Preciso de ajuda capturando companheiros deste homem.

— Mhmmmmm.

Os olhos de Erza brilharam como os de um dragão que encontrou uma presa assim que Fran disse os nomes dos lacaios e suas características.

— Vou deixar para você.

— Ufufuuuu. Só preciso me certificar de não os matar, não é? Isso vai exigir um pouco de esforço.

— Nn. Sem problemas, contanto que haja recompensa.

— Entendido. Eu vou pessoalmente te dar uma recompensa se você não receber uma da guilda.

Isso é, uh, não. Não queríamos dizer isso. Só queríamos pegar eles com vida, assim podemos fazê-los nos dizer onde guardam o saque e confessar sobre tudo o que aprontaram.

— Estou partindo então!

— Nn. Dê o seu melhor.

Não, Fran, não. Por favor, não diga a ele, de todas as pessoas, para dar o seu melhor. Isso não vai terminar bem.

— Ufufufufu! Ouvir você torcendo por mim faz minha valentia e vigor aumentarem cem vezes! É claro que o mesmo vale para o meu amor. Vou voltar logo, vou capturá-los rapidinho!

O homem-mulher correu como o vento antes de Fran ter a chance de dizer a ele que pegasse leve com os companheiros de Solas.

“Uh…”

“Mestre?”

“Não é nada, não se preocupe.”

Au.

Espero que ele não faça muito estrago. Seria bom se eles pelo menos estivessem reconhecíveis no momento que ele terminasse tudo.


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