TER – Capítulo 154 – Prendendo todos de uma vez


Nos custou uma boa quantidade de tempo para chegarmos até a guilda. Nós já estávamos no meio do caminho entre a guilda e a entrada do calabouço, e assim, levaríamos cerca de cinco minutos para completar a viagem, mas tivemos que manter o ritmo dos guardas que nos acompanhavam, então esse trajeto acabou nos custando 30 minutos.

— Até que enfim… estamos aqui…

Au.

— Nn.

Os soldados que nos acompanharam estavam respirando com dificuldade. Parecia que acabamos nos movendo um pouco mais rápido do que eles estavam acostumados. Mesmo assim, nossos pensamentos não estavam alinhados com os deles. Ambos Fran e eu estávamos nos perguntando se Erza conseguiu ou não ter sucesso em capturar os companheiros de Solas.

— Gyaaa!

— Aju-ajudem! Por favor, me ajudem!

Tá legal, Erza esteve em um frenesi.

— Ó, ei Fraaaan. Bem-vinda de voltaaaa.

— Nn. Eles?

— Hã-hã, são eles. Temos todas as evidências que precisamos, então estou no meio da punição deles.

— Vamos dizer o que você quiser!

— Vou te contar tudo o que fiz de errado em minha vida, então, por favor, chega!

Três homens estavam agachados com suas coxas bem fechadas. O último estava, por algum motivo estranho, desmaiado com ambas as mãos em sua bunda.

— Seus garotinhos levados, vocês estavam atacando outros aventureiros no calabouço, não estavam?

— Es-estávamos!

— Assim sendo, vocês têm um chefe, não é? Alguém deve estar dando ordens a vocês, e, em primeiro lugar, alguém deve ter inventado toda essa ideia.

— Nó-nós temos um.

— Quem?

— U-uh, é que…

— Se falarmos, nós vamos…

— Ó? Vocês têm mais medo dele do que de mim? Acho que tenho que punir vocês mais um poucoooo.

— Hiiii! Por favor, não! É Solas! Nosso líder é Solas, um aventureiro rank E!

— Na realidade, ele é muito mais forte do que parece! Ele poderia acabar com um rank D se quisesse!

— Ele mataria a todos nós em apenas um piscar de olhos!

Parecia que eles estavam completamente apavorados com Solas, embora eu pudesse entender o motivo. Ele não apenas era muito habilidoso, mas também capaz de realizar movimentos nefastos de forma calma. Parecia que ele sempre foi do tipo mais cauteloso de criminoso, assim, aqueles que conheciam suas ações deviam pensar nele como algum tipo de mestre do crime ridiculamente maligno.

— Isso não acontecerá. Ele também já foi capturado, certo Fran?

Muito bem. Parecia que Erza já tinha descoberto.

A guilda inteira voltou seus olhares em nossa direção no momento que o homem-mulher nos chamou.

— Espere, isso deveria significar que… ?

— A rank D dos rumores…?

— Uma gata-negra… ?

— Que-que adorável…

Não parecia que a maioria das pessoas estava nos olhando de forma favorável. Seus olhares continham mais curiosidade, dúvida e luxúria do que qualquer outra coisa.

— Nn. Isto.

— Brigadinha.

Erza tirou o pano que cobria o rosto de Solas e fez seus companheiros começarem a gritar. Eles estavam completamente aturdidos pelo choque ao verem o homem que sempre deu ordens a eles em um estado tão lamentável.

— Aque-aquele é Solas?

— Vo-você acha que Erza o pegou?

— Sério?

— Foi Fran quem o capturou.

— Nn. No caminho de volta.

— Ela é uma rank D, sabiam? E uma bem forte também.

— Hãããã?

— O que você está dizendo?

— Não tem como uma garotinha como ela capturar Solas

Eh, imaginei que isto poderia acontecer, e, sendo sincero, não me importei, contanto que fôssemos recompensados apropriadamente.

Erza, contudo, não parecia capaz de apenas ignorar a opinião deles.

— Então vocês não acreditam em mim?

— Hiii!

— Is-isso não é verdade. Isso com certeza não é verdade! É claro que acreditamos em você!

— Bom. Ó, verdade, por que não perguntamos a Solas também. Ei Solas, quem te capturou?

— F-Fran.

— Viram! É verdade.

— Tu-tudo bem.

Erza estufou seu peito com orgulho em resposta às declarações deles, mas parecia que ele era o único que acreditava nos homens que coagiu a concordarem com ele. As pessoas ao nosso redor ainda pareciam incrédulas com as alegações dos homens.

— Onde coloco ele?

— Só espere um pouco. Este é um assunto muito importante, então o mestre da guilda deve estar a caminho.

— Nn. Entendido.

— Você quer fazer alguma coisa enquanto espera? Quem sabe um pouco de chá?

— Nn.

— Ei, vocês aí. Fiquem de olho nesses caras.

— Com certeza!

Erza levou Fran para o bar da guilda e deixou Solas e seus subordinados para os aventureiros que estavam presentes.

A princípio, não pensei que essa era uma boa ideia, mas parecia que os aventureiros a quem ele ordenou acabaram aceitando suas instruções com uma surpreendente quantidade de sinceridade. Porém, acho que isso faz sentido. Erza provavelmente os daria um gostinho do inferno como punição se eles deixassem os criminosos escaparem.

Aliás, nós meio que estávamos na guilda dos aventureiros. Devia ser impossível para eles escaparem considerando que havia aventureiros por toda a parte.


Uma pilha de 20 pratos de bolo se formou diante de Fran e Erza no curso de meia hora. As duas pareciam estar se divertindo; Fran concordava enquanto Erza a contava sobre vários tipos de coisas. Ele era muito habilidoso em conversas, e, sendo sincero, seria superpopular se ele fosse um pouco mais agradável aos olhos. Mesmo assim, não tenho total certeza com qual gênero ele seria mais popular…

Quanto a Urushi, ele estava sentado do lado roendo com alegria um osso bem grande.

— Ei, ouvi que algo aconteceu.

Só então Dias apareceu.

— Isso foi realmente lento. Você estava fazendo alguma coisa?

— Eu estava de patrulha. E quanto a vocês? Vocês parecem estar se divertindo.

— Mhmm. E muitooooo.

— Ó, verdade. E esse foi o responsável por todo aquele incidente de traição?

Dias parecia bem descontraído, mas eu realmente tinha que o reconhecer. Ele merecia seus títulos de rank A e Mestre da Guilda. Ele não tinha piedade para aqueles que ameaçavam a guilda e seus interesses; ele mirou uma ridícula quantidade de sede de sangue na direção de Solas enquanto falava.

— Hmm, entendi, entendi. Então você esteve cometendo um grande número de crimes.

Ele acabou de ler a mente de Solas? Acho que sim, mas ele não estava usando a habilidade em nós, e ele tinha uma porrada de outras habilidades que o tornavam mais furtivo e difícil de ler, então era quase impossível para confirmar. Vou ter que trabalhar em minhas habilidades de detecção e percepção se quero me tornar capaz de ver através de suas ações.

— E você é a pessoa por trás de tudo isso?

— Hum-hum, ele é. Seu nome é Solas, e parece que ele estava fazendo um belo trabalho ao esconder sua força até agora.

— Sério? Você deve ser muito habilidoso, já que seu nome não é um que posso reconhecer. Você também tem uma habilidade bem interessante.

O fato de que nem mesmo Dias sabia dele indicava que ele fez mesmo um excelente trabalho ao se manter fora do radar. Ele permaneceu longe de todos que eram fortes e atacou os fracos enquanto se passava por seu simples cidadão inofensivo.

— Com ele, o que acontecerá?

— Hmm, bom, por enquanto, nós ainda vamos realizar algumas investigações, mas ele deve acabar ou condenado a morte ou como um escravo. Estou bastante certo que vamos escolher a execução, considerando quão difícil é lidar com aquela habilidade dele. Transformar ele em um escravo seria efetivamente o mesmo que deixá-lo como ele está. Ainda assim, não posso dizer que tipo de execução ele receberá. As duas opções são a eutanásia ou torturá-lo até a morte. >!<

Ó, uou, torturar pessoas até a morte é uma opção? Isso me fez perceber o quão perigoso um mundo pode ser. Mesmo assim, eu concordava. Ele conseguiria se libertar mesmo se acabasse como um escravo.

Os ladrões que capturamos tinham focinheiras em suas bocas, então não podiam falar. Eles tentavam e faziam sons de “mmph” como resultado, mas todos ao redor só os ignoraram.

Seus destinos estavam selados, e isso era tudo. No entanto, havia um problema. Ou melhor, algo que pensei que seria um desperdício.

Por acaso, eu estava me referindo ao fato de que a habilidade única de Solas iria se perder. Camaradagem Forçada era uma habilidade incrivelmente útil. Quer dizer, confiar demais nisso da forma que Solas fez provavelmente nos faria ser pegos, porém, ela devia ser difícil de se detectar se usada com moderação. Em outras palavras, a única razão para ele ser exposto foi porque ele ficou confiante demais em sua habilidade e nos permitiu acabar com ele.

Eu queria mesmo essa habilidade.

Mas mesmo dizendo isso, não poderíamos obtê-la, pelo menos não da forma usual. Tomar Habilidade ainda ficaria em recarga pelos próximos dois meses, e não havia como ele receber permissão para viver tanto.

Espere. É verdade, ainda tínhamos três Antídotos de Efeito Colateral. Posso conseguir fazer o Tomar Habilidade ser recarregado bem rápido se usar as três.

— Nn. Parece bom.

— Estou feliz por você não se opor a ideia.

— Mas quero falar com ele mais tarde. Preciso perguntar algo antes da execução.

— Está tudo bem, mas prefiro que você termine tudo antes do Torneio de Artes Marciais. Há muitas coisas que preciso preparar, então vou ficar bem ocupado.

— Vou visitar em dez dias. Aceitável?

— Por um triz, mas sim. Vou falar com algumas pessoas e garantir que os preparativos necessários sejam completos.

— Nn.

— Ó, verdade, Fran, Erza, vocês duas tem o direito de reivindicar as recompensas pelas capturas que vocês realizaram. Como vocês querem dividir isso?

— Não preciso de nada já que só estava dando uma mãozinha para Fran. Faça o que você quiser Fraaaan.

“Mestre?”

“Bom, só aceite. Erza deve ficar mais feliz se você o pagar uma refeição ou algo do tipo mais tarde.”

— Nn. Vou aceitar com gratidão. Vou levar Erza para comer mais tarde.

— Kyaahh! Sério!? Estou tãããooo feliz!

Hã-hã, imaginei mesmo. Ele respondeu ao gritar com deleite e contorcer seu corpo.

Muito bem, isso foi tudo! O que nos faltava fazer era voltar para a estalagem e testar nossos Antídotos de Efeito Colateral.


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